As maiores decepções de 2016

Com essa coisa de ler pouco durante o ano, acabei selecionando muito mais os livros que leria e os que não rendiam, logo foram abandonados. Mas isso não me livrou de algumas decepções literárias. Estes foram livros que não funcionaram comigo, então se você tem vontade de ler, vá em frente, quem sabe sua experiência não seja mais positiva?

Nenhum dos livros está com sinopse, mas você pode conferir a resenha de cada um deles - exceto A coroa que não tem aqui no blog, mas se trata de um último volume de uma série.

Jogos macabros - R. L. Stine

Como aconteceu com todos os livros do romance, as expectativas para Jogos Macabros estavam altas, mas juro que não foi por culpa dela que ele está nesta lista. O livro tem uma excelente preparação de ambiente e clima, mas quando chega no objetivo, simplesmente não mantém o ritmo. O autor volta atrás o tempo todo. Na primeira vez, isso dá um alívio, mas depois os acontecimentos perdem toda a credibilidade. Sem contar que tudo é muito estereotipado e deixa a sensação que o leitor é subestimado. Muita técnica e pouquíssima sensibilidade. Resenha completa aqui.




Temporada de acidentes - Moïra Fowley-Doyle

A sensação que o livro deixou foi de indiferença, o que não deixou de ser decepcionante. A história tem muitos elementos que não são tratados com a profundidade que mereciam, então se tornam irrelevantes. O final também deixa a desejar, já que traz mais de uma revelação e uma acaba por ofuscar a outra. Sem contar que a própria temporada de acidentes - que deveria ser o núcleo do enredo - perde a importância no decorrer da história. Resenha completa aqui.






A coroa - Kiera Cass

Alguém me explica o que a Kiera Cass tentou fazer colocando mais dois livros na série A Seleção?
No início, achei que era uma tentativa de consertar alguns deslizes na trilogia original, acentuar o cenário político que é o pano de fundo, mas nem isso ela tentou. Para piorar, Eadlyn é insuportável - não é só mimada, é a personalidade dela que irrita e isso não muda mesmo. Não vi melhora na garota, sem contar que não tem uma boa mensagem no final, visto que a garota é obrigada a levar uma vida que não quer e os pais que pareciam os diferentões nos próprios livros, fizeram com a filha o que de certa forma condenavam anteriormente.


Diário de um ladrão de oxigênio - Anônimo

De todos os livros, este foi o único que não consegui tirar qualquer coisa positiva, foi um tempo totalmente perdido. Não encontrei um propósito para o livro e uma leitura que seria rápida dado o tamanho do livro (160 páginas) se estendeu por dias. Fui curiosa, mas não só acabei decepcionada como também acabei irritada com o narrador. Ele é chato. Insuportável. Mala. Frustrado. Uma infinidade de adjetivos nesta linha. Resenha completa aqui.

5 romances que li em 2016 e amei

Eu não tô entendendo um pouco direito o que aconteceu, porque em 2016 foi o ano que eu menos quis ler romances, mas os livros que mais amei foram romances???

Uma herança de amor - Lycia Barros

A história é sobre Amanda, uma jovem de 23 anos que fora criada pela avó materna e o pouco que sabe sobre a mãe é o suficiente para sentir raiva e não querer qualquer tipo de contato. Quando sua avó morre, ela deixa um testamento pedindo que a garota passe 30 dias no interior na casa da mãe antes de pegar sua herança. Muito a contragosto, ela atende ao pedido, e a mágoa parece se tornar ainda maior quando encontra a mãe vivendo bem com uma nova família em uma linda casa. Nem ela sabia o que esperar desse tempo no interior, mas é ali que ela vai encontrar as respostas para suas dúvidas, a cura para as angústias que há muito a acompanham e novos motivos para seguir em frente.

Eu já tinha tentado ler este livro antes, mas o máximo que cheguei foi na página 18. Definitivamente, não era o momento. Em 2016 do nada, resolvi ler de novo aquelas mesmas páginas e eu só larguei o livro quando terminei! Me identifiquei absurdamente com a história e, você como leitor assíduo vai me entender, este livro falou muito comigo. A escrita da autora é muito fluída e o enredo funcionou muito para mim, todo o desenvolvimento muito crível e verossímil, além da mensagem sobre segundas chances, perdão e recomeços. A autora é reconhecida por tratar de temas cristãos nos seus livros e aqui ela soube colocar o assunto sem ser impositivo, mas sim como ensinamento, a forma linda de Deus trabalhar.

O amor nos tempos do ouro - Marina Carvalho

O livro conta a história de Cécile, uma garota franco-portuguesa que acabou de perder a família e é trazida ao Brasil pelo seu tio Euzébio, único parente vivo. Ela está vindo para se casar com um poderoso, mas asqueroso, fazendeiro e quem é encarregado de levá-la do Rio de Janeiro para Minas Gerais é Fernão - um rude explorador que provoca nela sentimentos conflitantes. Cabe a ela ter coragem de mudar seu destino, mas qual a chance com seus caminhos cercados?  

Este livro me fez floodar a timeline do twitter ano passado tamanha surpresa que me causou. Eu já tinha lido outros livros da Marina anteriormente e ficara decepcionada em algum momento, o que me deixou com as expectativas bem baixas para O amor nos tempos do ouro. Imagina quando fui me deparando com a riqueza deste enredo, com a fluidez e naturalidade que tudo se desenvolve e com tamanha profundidade... Meu queixo caiu. Não foi só o melhor comparado aos outros dela, foi o ótimo mesmo de modo isolado. É uma aula de história de um período do Brasil fantasiado de romance - e que romance arrebatador! Tem resenha completa aqui e, sério, vale muito a leitura.

A fúria e a aurora - Renée Adieh

A cada amanhecer, uma garota é morta no palácio de Khalid. Disposta a vingar a morte da melhor amiga, Sherazade arma um plano para colocar fim nesta atrocidade que se tornou tradição do califa. Todas as noites, ela o seduz contando histórias que garantem sua sobrevivência até o dia seguinte. Mas co o passar do tempo, ela vai desvendando segredos e se vê dividida entre levar o plano adiante ou se deixar levar pelos sentimentos que começam a surgir por aquele que ela tanto deveria odiar.
 
Tem coisa melhor do que ser inserido numa cultura totalmente diferente, se adaptar ao ambiente e esquecer do mundo real? Esta história parece mágica e o poder das palavras da autora mostra o quanto somos reféns de uma história bem contada: nos apaixonamos pelo que seria vilão e torcemos contra o que seria mocinho. Apesar do final abrupto, é impossível não se ver imersa nesta história, angustiada por cada cena seguinte e desejando loucamente a continuação. A história é realmente encantadora e muito sedutora, as páginas voam tamanha sede para desvendar tantos mistérios.

Simplesmente acontece - Cecelia Ahern


Rose e Alex são amigos desde a infância, mas ao terminarem o ensino médio, Alex se muda para os Estados Unidos onde vai cursar a faculdade e Rose fica na Irlanda. Ambos fizeram planos para o futuro já tão próximo, mas um acontecimento muda completamente a vida deles, mais especificamente de Rose. Eles mantêm contato por email, cartas e mensagens, mas cada um acaba tomando caminhos diferentes. A questão é que o destino não tinha desistido de aproximar mais os dois.

Amei, porque eu sou mei que a Rose e a vida é bem isso mesmo: tentativas. Li, porque precisava ler algo da Cecelia e, apesar desse ser o mais indicado, queria algo inédito e eu já tinha assistido ao filme. Acontece que onde que eu ia, levava este livro e a cada chance, lia uma carta ou um email. Quis marcar várias frases, mas me controlei e marquei apenas algumas. Em muitos momentos quis abraçar a Rose, enquanto em outros queria brigar com ela... De qualquer forma, não consegui ficar indiferente à história. É fato que se a comunicação fosse clara e objetiva, o livro nem existiria, mas tal qual a vida real, complicamos o que pode ser bem simples, né?

Te ver de novo - Larissa Siriani


Como seria reencontrar um ex-namorado com quem você dividiu tantas coisas? Rafaela e Cadu se encontraram quase 5 anos depois de um fim bem conturbado e é impossível controlar os sentimentos quando se tem que encarar um passado tão cheio de erros, mas com tanto amor envolvido.

Bem, esse aqui não é um livro, é um conto, mas foi uma leitura que me marcou muito, tamanha a intensidade. Pensa num negócio bem escrito, com tudo muito palpável, com sentimentos que pareciam sair das páginas pra afetar bastante meu emocional e me deixar na bad. Claro que me emocionei, queria mais, mas algumas histórias precisam (e têm) aquele fim. Te ver de novo fala de carência, rancor, amadurecimento e a necessidade de seguir em frente. Indico para quando você precisa de uma leitura rápida, mas que mexa com seu psicológico e te faça chorar pensando em alguma coisa mal resolvida que deixou por aí.

Mini-opiniões: O diário secreto de Laura Palmer - Jennifer Lynch


Aqui vai o relato de uma poser que nunca assistiu Twin Peaks, mas que não aguentou de curiosidade quando a amiga (beijo, Ju) falou que tinha começado este livro na livraria e as páginas voavam. Aí ela deu uma breve sinopse e eu fiquei doida para saber logo o que esta garota contava de tão obscuro. Ah, um fato: as páginas voaram comigo também.

A história que eu fiquei sabendo de Laura Palmer é a que vou contar a seguir, mas já adianto que não há como fazer uma sinopse assim só lendo o livro, porque ele é um verdadeiro diário, sem uma narração preocupada em situar o leitor. Pois bem: Laura sempre foi considerada uma garota encantadora e certinha, mas um dia seu corpo é encontrado no lago envolto num plástico e o assassinato começa a ser investigado, até que encontram o segundo diário dela - já que o primeiro continha apenas as histórias que afirmavam suas qualidades de mocinha exemplar - recheado de revelações envolvendo seus medos, perturbações, abuso, sexo e drogas.

O diário secreto de Laura Palmer surge então como um material extra para os fãs da série (o que comparo a ter acesso ao livro Uma aflição imperial, o favorito de Hazel Grace em A culpa é das estrelas), mas abate também quem, assim como eu, não acompanhou a febre dos anos 1990. É curioso e muito instigante ver a transformação da jovem garota - tudo começa com uma curiosidade, depois acompanhamos seu desenvolvimento, sua transgressão no mundo das drogas, o envolvimento em orgias, além dos momentos que não sabemos se tratar de alucinações ou abuso físico, mas fato é que a história gruda, a curiosidade pelas páginas arrancadas é de fazer roer as unhas e o final é abrupto, sem resposta. Apesar da tensão para descobrir o que houve, o mistério é muito bem sustentado e é preciso lembrar que se trata de um recorte da história, um objeto (fundamental) de cena da série. Acho a personagem comparável a Christiane F., se isso pode te situar um pouco mais.

P.S. o livro foi lançado originalmente em 1991, mas ganhou uma nova edição em 2016, com a confirmação da terceira temporada da série 25 anos depois da exibição do último episódio.

Trilogia Silo - Hugh Howey

Eu conheci a trilogia Silo durante a Turnê Intrínseca que teve no meu estado, Espírito Santo. Lembro que naquela época, em torno de 2013, havia um boom de distopias e eu gostava de lê-las . Algumas eram muito mais do mesmo: jovens improváveis lutando contra o sistema que lançava suas garras sobre suas vidas.

Trilogia Silo, Hugh Howey

Mas de vez em quando, um autor aparecia e conseguia me surpreender de forma tão grande que eu não consiguia me contentar em falar pouco sobre o que eu senti e gostei durante a leitura.
Este é o caso de Silo.

O que é o silo? 

O silo de Hugh Howey, autor best-seller da Amazon, é uma estrutura subterrânea de 144 andares, dividido em várias seções como a Mecânica. Nos níveis mais baixos, ela cuida da manutenção de tudo o que faz o lugar funcionar. A TI, por sua vez, como devem imaginar, cuida da Tecnologia de Informação. O alimento é plantado em fazendas hidropônicas e a lei se faz cumprida através de delegacia e de um xerife. Para ter um filho, é preciso esperar que alguém morra e ser sorteado na loteria. No futuro, o mundo que conhecemos está devastado e tóxico e a única visão que os habitantes do silo tem provém de câmeras instaladas em seu exterior. Mesmo após centenas de anos, essa imagem somente é visível porque pessoas condenadas são enviadas para fora a fim de limpar as lentes das câmeras antes de sucumbirem à morte como vários outros antes delas.

Por que as pessoas, mesmo sabendo que estão condenadas à morte, limpam as lentes dos sensores que mostram o devastado mundo exterior quando saem do silo?

Silo, livro um

No primeiro livro, acompanhamos a jornada de Juliette, uma mecânica, convidada a ocupar uma vaga importante aberta nos níveis superiores. Após um acordo entre Jahns e Marnes, atual prefeita do silo e o delegado, um atentado desencadeia uma sucessão de acontecimentos que mostrarão algumas verdades e facetas escondidas sob a terra.

Silo é aquele livro que a história começa bem e só vai melhorando. Somos surpreendidos a todo instante e quando achamos que não seremos mais, Hugh lança uma nova informação ou narra um novo acontecimento que nos faz querer chegar logo ao final.

Ordem, livro dois

Para quem gosta de um bom romance regado a intrigas políticas, Ordem é um prato cheio. Logo no começo é possível ver o terreno que Hugh Howey prepara para conduzir o leitor ao longo do livro.

É o ano de 2049, e tudo o que o deputado Donald Keene quer é fazer a diferença. Recém eleito, ele deixou para trás sua carreira de arquiteto para se dedicar integralmente à política. O que ele não esperava é que o senador Thurman, quando o chama para uma conversa ultra secreta, recrutaria dele seus conhecimentos acadêmicos para a elaboração do maior plano que o mundo jamais viu. Donald é recrutado para elaborar o projeto de um prédio subterrâneo cilíndrico, com vários níveis, para o caso de alguma catástrofe ocorrer e as pessoas poderem sobreviver. No entanto, aquele projeto inicial começa a passar por várias mudanças e Donald se vê envolvido em algo além do que poderia imaginar.

Deu para entender que Ordem narra os acontecimentos anteriores à história do primeiro livro, certo? Mas diferentemente de Silo, Ordem também alterna o presente e o futuro. Isso acaba gerando um excesso de informação que pode deixar os leitores confusos em alguns momentos. Eu fiquei um pouco. No entanto, Hugh vai revelando facetas dos personagens que a gente não imagina, fazendo com que redescobrimos as histórias de cada um deles. E, então, começamos entender os motivos que levaram as pessoas a serem colocadas sob a terra.

Legado, livro três

É complicado falar de Legado sem revelar algumas coisas que aconteceram nos outros livros. Portanto, se você ainda não leu Silo e Ordem ou se importa com spoilers, pule para a conclusão. Ou siga lendo por conta e risco.



Legado retoma o ritmo de suspense crescente que temos no primeiro livro. Juliette tem em mãos a grande responsabilidade de tomar conta de um silo e cumprir uma promessa feita. Após sua experiência externa, algumas pessoas começam a duvidar de suas escolhas e ações, o que pode desencadear uma revolução. Enquanto ela tenta passar um dia de cada vez e convencer seu povo do que acredita, em outro silo Charlotte e Donald tentam desvendar o máximo que podem sobre os planos do senador Thurman e sobre o que houve com o mundo lá fora antes que seja tarde demais.

Legado me deixou bem satisfeito. Algumas das ideias que eu pensava sobre o final da trilogia se concretizaram em parte. Houve um ou outro momento que achei pouco necessário ser narrado, porque, estando ali ou não, o enredo não sofreria a interferência deles.

Concluindo

Juliette entra naquele hall de personagens femininas fortes e cativantes. Ela é bem durona, porque ela precisa ser assim para se impor em meio aos homens com quem trabalha na Mecânica. Mas não se enganem pensando que ela é uma mocinha; Juliette é uma mulher de mais de trinta anos, com uma carga emocional intensa.

Hugh criou nesses três livros uma história recheada de personagens marcantes e ideias arriscadas que poderiam não funcionar muito bem se ele não soubesse prender o leitor com uma narrativa instigante e convincente. Ele cria empatia no leitor, até mesmo um certo carinho pelos personagens. Ele me fez gostar de vários apenas para vê-los morrendo poucas páginas depois.

(...) Sabe o que eu digo aos recém-eleitos? Que a verdade virá à tona, ela sempre vem, mas virá mistura com um monte de mentiras.

Fico feliz de ter concluído mais uma trilogia. E sempre acontece quando eu termino, fica a pergunta: o que será que aconteceu depois? Assim como o autor mesmo sugere numa nota ao final, o leitor pode imaginar o futuro como bem quiser. Pois é aí que reside a "mágica" na literatura.

Post por Tiago, do instagram TiLivrando.

P.S. Aqui no blog já tivemos uma semana especial Silo, para ver todos os posts, clique aqui.

Mini-opiniões: Diário de um ladrão de oxigênio - Anônimo

Sabe aquela história de "a curiosidade matou o gato"? Pois bem, aqui ele foi lentamente torturado antes do inevitável e triste desfecho. A capa não diz nada, o título menos ainda e o nome do autor não é revelado. Curioso, né? Bastante intrigada, achei que devoraria este pequeno livro sem orelhas e, em menos de um dia, terminaria a leitura que seria de tirar o fôlego. Só que  tudo ao contrário.

O livro deveria contar sobre um homem paranoico que abusa emocionalmente das suas parceiras, além de outras coisas um tanto desprezíveis. Mas a verdade é que temos um cara frustrado e amargo que fica divagando sobre sua carreira e fatos bem desinteressantes da sua vida. E os relacionamentos? Bem, temos uns dois ou três fins basicamente pincelados no início do livro e o resto é basicamente ele sozinho numa espécie rehab de mulheres e álcool, mas que não tem efeito nem importância, pra falar a verdade. Ele se perde contando os fatos, abre muitos "parênteses" ao narrar e as coisas acabam perdidas, sem propósito. Ah, tem aquela parte que ele recebe o troco... sério, mesmo com a leitura arrastada e decepcionada com tudo, eu ainda esperava um final mais emocionante. No fim, me vi frustrada como o autor e se ele queria abusar da minha paciência com esse livro, conseguiu.

Pra mim, uma leitura vazia que se estendeu por dias e não consegui tirar algo bom.

Destinos entrelaçados - Sheila Guedes

"Clara Andrade acredita sempre no melhor que cada um
pode dar. Para se afastar dos problemas de casa, vai passar
suas férias na casa de praia dos seus pais. . Numa manhã de
mar agitado, salva o misterioso Théo do afogamento.
Théo Diniz foi criado apenas por sua mãe. Após sua morte
ele decide resgatar sua história e acertar as contas com o
seu passado.
O encontro inesperado entre os dois os lança em um emaranhado
de emoções e a paixão é instantânea. Théo busca
vingança, Clara busca paz e um segredo do passado pode
acabar com as chances desse amor.
Será que o amor é capaz de fazê-los superar toda a dor?" Sinopse retirada do Skoob.

Quem me acompanha há bastante tempo, sabe da minha preferência por romances açucarados, daqueles bem perfeitos e cheios de declarações - pois bem, eu já não gosto mais tanto assim. E tirando alguns detalhes que logo explicarei, é só por esse motivo (gosto pessoal atual de leitura) que Destinos Entrelaçados não me fez ficar louca de amor (e não me desidratou de chorar).

Clara é uma personagem fácil de gostar, ela é simples apesar da vida de luxo, é bem na dela e "confortável dentro de si". Não é impulsiva nem uma rebelde sem causa. Está vivendo um momento tenso dentro de casa e por isso resolve se afastar, já que o problema não a envolve diretamente. Do outro lado está Théo, um cara bem bacana e levemente conquistador, que tem lá seus problemas e segredos e encontra na enseada, assim como Clara, um refúgio. Mas ambos sabem que precisarão encarar a realidade, só não esperavam ter os caminhos cruzados e um envolvimento entre eles pudesse interferir na "vida real" a ponto de separá-los de forma tão drástica.

Como todo o início do livro - e início do envolvimento do casal - é contado pela Clara, temos uma visão idealizada de Théo, afinal, ela está encantada por ele. Assim, acreditamos que está tudo bem e talvez lá na frente algo dará errado, mas ambos partiram do mesmo ponto. Aí quando chega o capítulo narrado pelo mocinho, o segredo é revelado ao leitor (ponto positivo), mas o romance já está num estágio bem avançado, Théo já está envolvido e nós perdemos sua intenção inicial. É difícil acreditar que um cara tem segredos obscuros e está escondendo propositalmente da mocinha quando ela já nos convenceu que ele foi um fofo no começo e quando chega na parte dele, ele já está transformado, entende? Aí o que sustenta a história é só o que ele esconde dela e o leitor não tem a chance de acompanhar uma rendição do personagem. 

"Sentir saudade é um saco. Mas não é a saudade que está me incomodando, o que tem me atormentado é a dúvida"

Preciso deixar claro: o segredo é realmente forte para segurar a trama, além de não ser banal nem incoerente. Muito bem delineado, com motivo, circunstância e consequência.

O que atrapalhou mesmo minha leitura foi o romance instantâneo. Eu nunca tive problema com isso, porque me apegava fácil (pois é), mas - nesse momento - eu precisava de mais para ser convencida. Eu cheguei a dar uma pausa na leitura de um mês e foi como se esse tempo tivesse passado na história também e consegui aceitar melhor toda aquela paixão arrebatadora e cheia de juras. O meu problema foi só no primeiro terço do livro onde esse romance começa, porque depois os conflitos começam e eu quero sangue! Muito provavelmente eu choraria muito nessa parte.

Os personagens secundários são bem interessantes e a autora dá dicas das histórias pessoais deles e eu preciso saber sobre Ian e Maysa! Com certeza esta introdução aos dois na história já me vendeu muito bem o romance turbulento deles e tem tudo para me ganhar, já que tem um tempo maior de envolvimento, mostrou mais intensidade e Maysa é desbocada e se mostrou bad ass, o tipo de protagonista que venho preferindo.

Não posso deixar de comentar dos inícios dos capítulos que têm quotes lindos que vão de William Shakespeare, passando por Carlos Drummond de Andrade até Tati Bernardi. Maravilhoso, apenas.


A escrita da autora é muto fluída e envolvente, tanto que depois da pausa, li todo o restante do livro no domingo de manhã entre os afazeres domésticos rsrs. Não tem monotonia, os momentos são bem distribuídos e a ambientação é bem visual. Algumas descrições são muito detalhadas e não tão necessárias, mas nada que atrapalhou a leitura. O que me cansou foi a protagonista sempre lendo o olhar do Théo. Ela sempre estava vendo dúvida, dor, angústia etc etc etc no olhar dele, até quando eles nem se conheciam direito. So calm down, sweet.

O romance é bonito, fofo e shippável. Tem tudo que um bom livro do gênero romântico deve ter e indico para quem gosta de leituras que façam suspirar, chorar e suspirar de novo.

Mini-opiniões: Sway - Kat Spears



"Sway é o apelido de Jesse Alderman, por causa de seu talento para conseguir qualquer coisa para qualquer pessoa, como providenciar trabalhos escolares, fazer com que pessoas sejam expulsas da escola, arrumar cerveja para as festas, entre outras coisas, legais ou ilegais... É sabendo dessa fama que Ken Foster, o capitão do time de futebol da escola, pede a ele um trabalho controverso: Ken quer que Bridget Smalley saia com ele. Com seu humor ácido e seu jeito politicamente incorreto de ver a vida, Sway terá que encarar o trabalho mais difícil que já teve: sufocar todos os sentimentos que Bridget desperta nele, a única menina verdadeiramente boa que ele conheceu em toda a sua vida." Sinopse retirada do Skoob.

Sway nas mãos de Colleen Hoover viraria um mar de desgraças, nas mãos de Simone Elkeles viraria um drama de redenção, mas com Kat Spears virou um retrato fiel de um cara ainda no ensino médio, revelando seus pensamentos e rotina, sem a preocupação de ser politicamente correto em seus comentários, sem também incomodar com isso. Sway erra, você acha que ele vai se abrir, voltar atrás nas palavras, de alguma forma reverter uma situação, mas lá esta ele as reafirmando. Jesse - esse é o nome dele - tem um jeito tão natural de ser que não consigo rotulá-lo de badboy ou qualquer outra coisa (ok, talvez ele seja o típico badass), ele é simplesmente daquele jeito e vive a vida fazendo suas coisas (que não aprovo). Tem suas mágoas, suas limitações e sua defesa para não encarar conversas que se voltem para seus sentimentos. Mas nada muito pronunciado e destacado, nada dramatizado. Bridget é uma mocinha certinha, orgulho dos pais, muito responsável, faz trabalho voluntário com crianças especiais, mas não é inocente como as personagens assim costumam ser. Ela também tem um humor ácido, tem uma visão muito clara das coisas e isso me ajudou a gostar dela. Seu irmão é quase mais importante que ela na história e, sério, ele me cativou muito.

Às vezes o que queremos e o que o mundo espera de nós são duas coisas diferentes.

Gostei da atmosfera real que a autora trouxe nas pequenas coisas. O cara que não maltrata a menina, mas também não demonstra afeto; a menina que não insiste, mas se mantém ali para qualquer sinal de aprovação. Não se trata de um romance milagroso, onde o cara mau se "converte" por amor, a mocinha dá uma lição nele e só depois que está tudo perfeito, o aceita. Não, é algo mais real. O cara tem seu jeito, descobre o amor e naturalmente encaixa isso na sua vida. Por outro lado, falta algo que impulsione mais a leitura, que te faça torcer pelos personagens. A experiência de leitura foi boa: é um livro dinâmico, fluido e bom, mas nada tão extraordinário ou intenso como eu esperava pelo tema que trata. O encerramento da história deu um quentinho no coração e foi bem fofo, o que me fez olhar o livro com mais carinho, confesso. Mas, pensando em todos os lados, trata-se de um livro bom, nem extraordinário nem desprezível, sabe? Indico para quem gosta de livros mais leves, aqueles que você coloca entre leituras mais densas.  

As mil noites - E. K. Johnston

"Clássico da literatura universal, as histórias de As mil e uma noites estão no imaginário de todos — do Oriente ao Ocidente. É impossível que alguém nunca tenha ouvido falar sobre Ali Babá e seus quarenta ladrões, ou sobre Aladim e o gênio da lâmpada. Ou sobre Sherazade, a mulher sagaz e inteligente que se casou com um homem cruel, e, por mil e uma noites, driblou a morte narrando contos de amor e ódio, medo e paixão, capazes de dobrar até mesmo um rei. Em As mil noites, a história se repete, mas com algumas diferenças…
Quando Lo-Melkhiin chega àquela aldeia — após ter matado trezentas noivas —, a garota sabe que o rei desejará desposar a menina mais bela: sua irmã. Desesperada para salvar a irmã da morte certa, ela faz de tudo para ser levada para o palácio em seu lugar. A corte de Lo-Melkhiin é um local perigoso e cheio de beleza: intricadas estátuas com olhos assombrados habitam os jardins e fios da mais fina seda são usados para tecer vestidos elegantes. Mas a morte está à espreita, e ela olha para tudo como se fosse a última vez. Porém, uma estranha magia parece fluir entre a garota e o rei, e noite após noite Lo-Melkhiin vai até seu quarto para ouvir suas histórias; e dia após dia, ela continua viva.
Encontrando poder nas histórias que conta todas as noites, suas palavras parecem ganhar vida própria. Coisas pequenas, a princípio: um vestido de seu lar, uma visão de sua irmã. Logo, ela sonha com uma magia muito mais terrível, poderosa o suficiente para salvar um rei..." Sinopse retirada do Skoob.

Com a proposta de uma releitura de As mil e uma noites, As mil noites traz a história de duas irmãs que vivem nas tendas do seu pai no deserto. Com a proximidade da chegada do rei Lo-Melkhiin para escolher sua próxima noiva - ou vítima, já que suas esposas são mortas na noite de núpcias ou poucos dias depois -, a mais nova, ciente do quanto sua irmã chama atenção, pede para a mãe da irmã arrumá-la como arrumaria a própria filha, de forma que ela fosse o destaque e, assim, acabar despertando o interesse do rei e poupando sua irmã da morte. Depois de ser levada, o que mais intriga é que a nova rainha permanece viva, dia após dia, e um estranho poder começa a despertar, e sua irmã pode não ser a única a ser salva. 

Primeira coisa: esqueça o romance romântico. Isso foi a primeira surpresa pra mim, mas muito bem vinda, já que ando me distanciando deste tema. Toda a trama envolve muito mais o amor entre irmãs, o poder dos deuses menores, esperança e mistérios do deserto. Há certo miticismo envolvendo tudo, mas tal qual a protagonista, nosso conhecimento sobre o real poder disso se dá conforme tudo vai acontecendo. A protagonista está sempre contando histórias que vivenciou com sua família, histórias que ouviu pelas tendas sobre o deserto, outras que seu pai trazia quando voltava com sua caravana. A narrativa é absurdamente rica em detalhes visuais e sensitivos. Todas as descrições são vívidas e formam a atmosfera perfeita que faz toda a diferença na experiência de leitura. Há nuances, temperatura, cheiros e texturas, além de toda cultura exposta. 

Eu menti, mas vi a manhã chegar mesmo assim.

Os personagens, em sua maioria, não têm nome. A protagonista é tão "internalizada" com a sua vida que usa as próprias referências para se referir às pessoas. Então há muitos "a mãe da minha irmã", "a mãe da mãe da minha mãe", "a senhora da henna" e por aí vai. Isso, em seu uádi, mostra intimidade, enquanto no qsar mostra a impessoalidade, uma vez que não há interesse em aprofundar os relacionamentos, já que ela pode morrer a qualquer momento. Não dá para se apegar a nenhum especificamente, pois a história se concentra muito mais na protagonista - vai ter girl power no deserto sim senhor! No máximo, desenvolvi uma empatia pela mãe do rei. Além da rainha, alguns (poucos) capítulos são narrador por outra pessoa (?) e isso aumenta o clima misterioso do livro.

O que encaro como ponto negativo é a história não ter um mistério definido e claro para puxar o leitor de volta pra história depois de uma pausa. Quando se está lendo, as páginas voam e tudo é muito envolvente, mas se (conseguir) parar a leitura, não há nada que desespere para retomar. Não é permeado de acontecimentos bombásticos e decisivos, mas, por outro lado, o ritmo da história é confortável, como se a autora te envolvesse numa teia enquanto você lê - sim, a sensação é exatamente essa: que alguém está tecendo a história no leitor. O que faz muito sentido com o enredo. O final é conclusivo e interessante, pois traz o clima de uma história finalizada com lição de moral e nos relembra o poder de uma boa história. 

... mas, ao chegar à milésima primeira, o pesadelo chegou ao fim.

A leitura foi totalmente válida pra mim e indico para todos, mas sem a expectativa de romance, acontecimentos épicos e uma leitura marcante. Em junho li A fúria e a aurora, que tem a mesma proposta, e se você chegou até esse livro por causa do anterior, já deixo claro que são bem distantes. Cada um tem seus artifícios para seduzir (tanto o leitor quanto o rei), mas são distintos na abordagem e desenvolvimento do enredo. Valeu a viagem ao oriente.