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Mini-opiniões: Belo Casamento - Jamie McGuire

Mini-Opiniões é uma coluna original do blog português Estante de Livros, adaptada aqui para o blog. 

Não é segredo que eu sou apaixonada pelo casal Abby e Travis (pelo Travis, mais especificamente); já falei bastante sobre isso nas resenhas de Belo Desastre e Desastre Iminente, então óbvio que qualquer coisa que a Jamie escreva, eu vou querer ler. Olha, o título do livro já é um spoiler imenso se você ainda não leu Belo Desastre, mas, bem, trata-se de um New Adult, você meio que tem que saber que um final feliz é quase regra (agora tô aqui pensando se teve algum sem felizes para sempre). O tal casamento nos dois primeiros livros é contado de forma bem corrida e ele acontece de forma repentina, mas aqui temos a explicação e os momentos que precederam o "sim". Sinceramente, eu gostei, mas fiquei levemente decepcionada. Achei as razões da Abby pouco românticas, se querem saber a verdade. Eu estou acostumada com a explosão de paixão desses dois, mas aqui eles não parecem tão intensos como antes. Acredito que muita gente tenha questionado a autora sobre a falta de seriedade com relação ao incêndio e a tragédia, e a impressão que deu é que ela queria contar o que houve depois daquilo como quem diz "sim, foi algo bem sério, olha só como foi grave" meio que querendo suprir o que faltou no outro livro. Se querem saber, achei o epílogo de Desastre Iminente muito mais revelador do que Belo Casamento. Achei o livro muito restritivo àquele momento e, por mais que o título seja óbvio, eu queria lua de mel e aquela montanha-russa inconstante que são esses dois. De qualquer forma, li em um único dia e continuei suspirando pelo Travis. Algo que nunca vou parar de fazer.
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O Leitor de Almas - Paul Harper

Embora não tenha prendido tanto a minha atenção, confesso que é um trama policial instigante e complicado.

Vera List está com as mãos atadas. Ela é psicanalista e duas de suas clientes estão tendo um caso, sem saber, com o mesmo homem. Até aí não haveria problema se tanto LoreCha e Elise Currin não relatassem uma certa preocupação com esse relacionamento, confidenciando que sentem como se aquele homem lesse a mente delas. Entendendo que aquele ser sem rosto e sem nome estava lendo seus arquivos para desvendar esposas de homem ricos e poderosos, Vera List não vê outra saída a não ser apelar para o trabalho não oficial de Marten Fane. Precisavam descobrir como e por que aquele homem estava tentando manipular aquelas duas mulheres, por que estava sendo tão cruel com elas e qual era o seu propósito. Teria algo a ver com o marido das duas? Teria algo a ver com a própria Vera List? Ou um esquema muito maior, perigoso e fatal envolvia tudo aquilo? De uma coisa Vera e Marten podiam ter certeza: para sair daquela situação precisavam pagar um preço, talvez alto demais.

“Desde o início o relacionamento foi intenso. O homem seduziu-a em todos os sentidos. Ela me diz que ele praticamente consegue ler seus pensamentos, que conhece suas ideias mais íntimas, intui suas ansiedades, seus desejos, seus medos. Toda essa sensibilidade é naturalmente muito sedutora. Ela está enfeitiçada por ele.”

Achei criativo e inteligente o mecanismo do autor para não dar mesmo uma saída à Vera, a psicanalista. Esse tipo de profissão pede um certo sigilo, e ela não pode falar sobre o que está acontecendo com ninguém. Só o fato de ter que explicar a situação para um detetive a coloca em uma posição contra a justiça. Também não há forma de impedir que o amante de suas clientes continue “atuando”, pois pode ter consequências inimagináveis caso ele descubra que Vera sabe. Se chamar a polícia pode acontecer de suas fichas sobre todos os seus clientes vazarem, e ser aquela confusão. Ninguém confiaria mais nela e perderia o seu emprego para sempre. Então como deter aquele homem sem maiores consequências? Marten Fane, felizmente, tinha experiência em crimes de difícil solução e prometeu ajudar. Porém ele se encontra num dos casos mais difíceis, emblemáticos e perigosos de sua carreira. Com o instinto do personagem gritando o tempo todo “corra” e a situação se tornando cada vez mais complicada, o leitor é levado a entrar numa trama em que é quase impossível encontrar a solução perfeita. Ou mesmo a motivação para tudo isso. Então se o leitor gosta de um final incomum...

Os personagens mais envolvidos na trama são, digamos, únicos. A história permitiu ao leitor conhecer cada um, sua jornada e como chegou onde estava. Isso dá aos personagens mais vida e consistência, fazendo com que a trama ganhe um ponto a mais. Os personagens não são apenas jogados na história, são cuidadosamente inseridos. Eu gostei disso. E a maior parte dela acontece em apenas uma semana, mostrando a urgência do caso e a importância de sua solução rápida. Nem por isso a história fica corrida, é claro, na verdade só deixa mais clara a eficiência e o pensamento rápido de Marten.

Não vou dizer que foi o melhor livro policial que já li, até porque outros me prenderam mais. Porém achei inteligente, instigante, e bem perspicaz. A trama se desdobra de um jeito diferente e surpreendente, e até o final do livro não se tem mesmo uma noção da dimensão do problema. Há muito para dar errado, e nada para sair de acordo com os planos. As últimas páginas, como era de se esperar, são chocantes e, tenho que dizer, nos faz repensar: até onde o homem é capaz de chegar para obter poder?
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Proposta Inconveniente - Patricia Cabot

Payton sempre sonhou ter seu próprio navio para comandar e estava esperando ganhar o Constant em seu aniversário de 19 anos que se aproximava. Única mulher entre três irmãos, ela literalmente lutava para ter seu espaço na família. Mas, para seu irmão mais velho, ela precisava se casar - e coloca sua esposa para ajudar a se tornar apresentável. E é nessa primeira tentativa de fazê-la usar um vestido que ela é notada por Connor Drake, melhor amigo dos seus irmãos e por quem ela sempre fora apaixonada. Acontece que ela este não é o melhor momento, considerando que é a noite do noivado dele. Mas o destino acaba por metê-los em uma grande confusão - ele, sem querer; ela, por vontade própria.

Muito se fala nos romances históricos da Patricia Cabot, mas eu só tinha lido um (Pode Beijar a Noiva), do qual eu tinha gostado bastante. Ao me deparar com este lançamento da Record, não hesitei em solicitar. Eu gosto muito do clima desses romances, sempre me transportam para a época, me fazendo viajar mesmo. Algo que reparei nestes dois romances da Patricia é que ela tenta inovar um pouquinho nesse mar de clichês (que são bons!) ao criar ambientes inusitados para situar suas histórias.

Payton já mostra sua personalidade nas primeiras páginas: é forte, decidida e pouco contida. Ser criada no meio de tantos homens, lidar com piratas e viver no mar fez dela uma dama nada convencional para a época - considerando que as mocinhas tinham que ser verdadeiras ladies, serem vistas pela sociedade para arrumar um casamento decente (isso, claro, não envolve necessariamente amor, mas sim títulos nobres). Ela é muito convicta das suas opiniões, apesar de não ter um parâmetro ou algo inspirador/influenciador - a referência que ela deveria ter é sua cunhada, mas ela não é muito esforçada para tal, já que diverge totalmente do que ela quer e é. Esse é o primeiro ponto positivo do livro - só pela protagonista ele já poderia entrar na sua lista de leituras.

Apesar de parecer, ele não é todo composto por melações românticas, há muito humor, principalmente nas passagens que envolvem os irmãos de Payton. Eles são rudes e, definitivamente, não sabem como tratar uma dama, mas é cômico, não grosseiro. A aventura também tem seu espaço e acho que isso já é de se esperar, afinal,como falar de piratas sem batalhas, heróis e agitação e tudo mais?  Porém, o herói é na verdade uma heroína. Connor Drake fica até apagadinho perto de sua salvadora (ele é legal, tá? É fofo e tal, mas ele tem umas coisas tão idiotas que, ahn, nem sei). Eu achei o "núcleo" dos ~inimigos~ relativamente fracos, esperava motivos mais fortes (ou faltou a autora dar mais importância, de forma a fixar a ideia de perigo e tal).

O que seria de um romance histórico sem suas cenas quentes? É legal porque trata de descobertas e impulsões, mas tem suas partes eróticas avulsas, as quais, definitivamente, não fariam falta na história. Mas já que estão aí, vamos ler, né? hahaha Não é cansativo, então ok. Cansativo são as inúmeras repetições na narrativa. Começa uma página falando de uma coisa, endossa o assunto e quando chega no  final da outra página, repete o que foi dito no primeiro parágrafo. Qual a necessidade? Se fosse um história narrada em primeira pessoa, eu até entenderia, nossa cabeça é assim mesmo, não é? Mas uma narrativa em terceira pessoa poderia ser mais enxuta. 

Por fim, gostei do livro, mas não foi aquela maravilha toda - não bateu aquela paixão, sabe? Mas me diverti lendo, apesar da uma semana que demorei para terminá-lo. Sem dúvidas, é o tipo de leitura que vai agradar muita gente.
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[Promoção] Os instrumentos mortais


Que tal ganhar a série Os Instrumentos Mortais completa? Com o término dessa série tão aclamada pelo público internacionalmente, 7 blogs se uniram para presentear uma única pessoa sortuda. Não perca tempo e participe dessa SUPER promoção!

Confiram os prêmios:
  1. Cidade dos Ossos - Jantando Livros
  2. Cidade das Cinzas - Este já Li
  3. Cidade de Vidro - Viaje na Leitura
  4. Cidade dos Anjos Caídos - Brincando Com Livros
  5. Cidade das Almas Perdidas - O Livreiro
  6. Cidade do Fogo Celestial - Livros & Citações
  7. Códex dos Caçadores das Sombras - Estante Vertical

Regras para participação:
  • Residir ou ter endereço de entrega no Brasil; 
  • ATENÇÃO! Sobre as edições dos livros: elas podem ou não ter brilhos, pois alguns livros já não são encontrados nas edições brilhosas. O ganhador poderá receber alguns livros nessa edição e outros na edição normal; 
  • Cada blog será responsável pelo envio de cada item, como especificado na lista de prêmios. O prazo de envio é de 45 dias ÚTEIS e nenhum blog ou editora se responsabiliza por extravio, danos ou  retorno das encomendas; 
  • Não serão aceitos perfis promocionais; 
  • A promoção irá até o dia 15/08 e o resultado sairá em até 10 dias após o término. 
Para participar, preencha o formulário abaixo:
  a Rafflecopter giveaway

Boa sorte!
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Mini-opiniões: Amor Veríssimo - Luis Fernando Verissimo

Mini-Opiniões é uma coluna original do blog português Estante de Livros, adaptada aqui para o blog. 

Vou começar este post confessando que eu só conhecia Luis Fernando Verissimo de nome. Sério, nunca tinha lido uma crônica sequer. Mas depois de ler a opinião de da Lygia sobre Os últimos quartetos de Beethoven e outros contos, não hesitei quando a Suma de Letras anunciou Amor Veríssimo. O livro reúne algumas crônicas que foram adaptadas para a série televisa homônima da GNT. Eu li com o intuito de acompanhar a série, mas acabei perdendo os episódios #xatiada. Mas a parte feliz é que li um texto atrás do outro, sem conseguir parar um minuto - é interessante que cada crônica tem um tom diferente, uma é romântica, outra é melancólica, a seguinte é um caso rotineiro, a outra é carregada de comédia... fazendo uma mistura de sentimentos e mal tive tempo de digerir um texto quando já estava embarcando em outro. Talvez as pessoas recomendem ler crônicas em pequenas doses, mas para mim, foi impossível: quanto mais lia, mais queria ler. Algumas me deixaram com gostinho de quero mais e isso é uma coisa que sempre me frusta quando leio conto/crônica/novela: eu quero o final feliz, eu quero o depois, sabe? A vida não é uma comédia romântica foi uma que me tocou especialmente -  quantos "amores das nossas vidas" encontramos quando vamos à padaria, estamos no ônibus, não é? Depois de Amor Veríssimo, já sei que nunca vou recusar um livro do autor. Seus textos são leves e sempre terei um tempinho para lê-los.
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Esconda-se - Lisa Gardner

"Eu era mais rápida. Ele estava mais bem armado. Eu estava sangrando."
Neste livro, a famosa detetive D. D. Warren agora tornou-se sargento, liderando seu primeiro caso de investigação após a descoberta de uma cova coletiva no terreno abandonado de um antigo Hospital Psiquiátrico. Seis crianças do sexo feminino são encontradas mumificadas dentro de seis sacolas plásticas, enfileiradas de duas em duas numa estante debaixo da terra. Para ajudá-la com o caso, ela convoca seu velho amigo (e ex-namorado) Bobby, pois ele trabalhou num caso parecido há alguns anos e acredita que a recém-descoberta pode ter alguma ligação com o caso anterior: onde uma adolescente de 12 anos foi mantida presa por um mês numa cova por seu sequestrador e estuprador.

Em contrapartida, temos Annabelle Granger, uma mulher que passou metade de sua vida fugindo sem saber o porquê. Seus pais jamais disseram qualquer palavra e, sempre que chegava em casa e encontrava as malas arrumadas, sabia que era hora de partir. Seis meses, um ano, dois anos... O tempo em cada cidade/estado nunca era o mesmo, apenas o suficiente para que pudessem se estabelecer e ganhar algum dinheiro. Após a morte de seus pais, Annabelle sentiu-se aliviada por enfim não precisar mais fugir. Porém, quando um nome no pingente de uma das vítimas é divulgado à mídia, 25 anos depois ela vê uma oportunidade de desvendar o mistério que nunca lhe fora revelado e o que segredo foi para o túmulo com seus pais.

Contudo, o que ela não esperava era que seu pai jamais estivera maluco. Seu perseguidor era real e tinha informações privilegiadas sobre ela. Mas como? Quem seria? Não tinha a menor ideia. Mas ao procurar a polícia assim que seu nome foi identificado como sendo de uma das crianças encontradas na cova, nada mais fazia sentido. Exceto pelo fato de que AQUELE pingente fora deixado para ela na porta de casa quando tinha 7 anos e, com a ameaça do pai de destruí-lo, deu-o para sua melhor amiga. Teria ela morrido em seu lugar? A única coisa da qual tinha certeza: ela era a verdadeira Annabelle e precisava descobrir quem era a garota morta.

Uma palavra para definir Esconda-se: Fascinante! Uma leitura completamente viciante, instigante, que desperta nosso detetive interior, aguça nossa capacidade de interpretação (uma vez que há pistas nas entrelinhas), nos ensina (mesmo que de leve) como funciona a mente de um psicopata e como determinados traumas de infância podem SIM influenciar na formação do caráter e da personalidade do ser humano. Veja bem, fazendo uma análise mais profunda, a autora não simplesmente escreveu uma história de ficção, ela fez uma pesquisa minuciosa (que inclusive cita em “Nota da Autora”) e fundamentada acerca de certos distúrbios psicológicos. Além de nos transportar para o meio da força-tarefa convocada para solucionar o crime.

Em mais um seus fascinantes thrillers, Lisa Gardner nos faz perder completamente o fôlego com Esconda-se. A linguagem é muito dinâmica, de forma que você se sente dentro de um episódio de CSI. Elaboradas com maestria, as personagens são tão envolventes e convincentes que somente nas últimas páginas descobrimos quem realmente são os vilões e mocinhos da história. Minha experiência anterior com a autora também foi ótima, mas sem comparação com este segundo livro que, inclusive, pode ser lido de forma independente, pois os casos não têm qualquer ligação, apenas a participação da detetive D. D. Warren (que existe na vida real e é amiga de Lisa).

Outro detalhe essencial foi a narrativa. Ela se alterna entre primeira e terceira pessoa, nos leva para diferentes cenários, é possível sentir o peso do drama que a protagonista vive e a frustração dos detetives cada vez que uma nova pista aparece, mas que não conseguem encaixar no maluco quebra-cabeça que é uma investigação. Se você gosta de um bom thriller, não deixe de ler este. É meu segundo 5 estrelas do ano.

"A verdade o libertará. Outro velho ditado. Seis meses de depoimento à polícia, recuperação de objetos, de resultados de DNA e entrevistas para a imprensa. Eu tenho minha própria agente. E, é claro, o contrato de um livro."
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Gazeta da União - Lançamento de A Ameça Invisível

Em setembro, uma ameaça terrível nos foi apresentada sob o título de A Ilha dos Dissidentes, e comentei um pouco sobre isso. A autora do livro defensor de Anômalos, Bárbara Morais, agora lança na Bienal do Livro de São Paulo, no Brasil (em Agosto), o segundo volume desses relatos pró-Anômalos, chamado A Ameaça Invisível (foto). Nós, da Gazeta da União, pudemos constatar pela breve leitura, que o primeiro livro tratou as anomalias como algo de profundo interesse. Depois desse primeiro atrevimento, a autora decidiu continuar a dar voz à Sybil, uma anômala tida com bons olhos. Aqui na União, não é apenas isso que tem causado rebuliço com relação à Anômalos. Samantha Campos, nossa correspondente direto do Senado, nos traz mais informações oficiais.























A Gazeta da União trará novas informações sobre o Senado e o livro pró-Anômalos assim que elas estiverem disponíveis.
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Dias Perfeitos - Raphael Montes

A literatura brasileira tem sido muito apaixonante, mas é a primeira vez que experimentei uma ficção policial nacional. Não me arrependi.

“Dias Perfeitos” conta a estória de um estudante de medicina chamado Téo e de seu amor obsessivo por Clarisse. Acho que obsessivo é pouco... Téo é um homem muito, muito reservado, que tem apenas uma única amiga (ah, mas vou falar dela daqui a pouco) e que é desprovido de qualquer sentimento. Não estou dizendo que ele seja cruel, não de início. Ele só não sente essa necessidade de nutrir vínculos com outras pessoas, e se é mesmo capaz. Porém ele conhece Clarisse em um churrasco que não queria ir e descobre nela uma moça rebelde, completamente diferente das poucas pessoas que ele entrou em contato. E aquele jeito dela, de menina travessa, faz o rapaz entender que ele não só podia nutrir o amor, como também que seus sentimentos eram arrebatadores. Até demais.

Depois da rejeição que ele sofre de Clarisse, Téo tenta fazê-la se apaixonar por ele. Como? Bem, acontece que Clarisse estava escrevendo um roteiro, e iria viajar para se concentrar (coisa de escritor, rsrsrs). Ele a sequestrou levando-a para Teresópolis (onde Clarisse pretendia ir), forçando a moça a passar um tempo com ele, tentando mostrar a ela que eles foram feitos um para o outro. O problema é que Téo, além de cegamente apaixonado, não conseguia perceber a gravidade do que estava fazendo. E nem de que, com aqueles atos, ele iria chegar em um poço sem nenhum fundo.

"Encontrara o Vogue de menta em uma padaria do centro. Havia comprado dois maços, mas, na volta ao hotel, decidira fazer Clarisse parar de fumar. Sem que ela notasse, cortaria da rotina. Um processo gradual. No início, teria que inventar desculpas e suportar os desaforos da abstinência. Ao final, atingiria o objetivo."

O título é uma clara ironia. Pelo menos para Clarisse, já que para Téo, passar aquele tempo com ela, é ótimo. Afinal, para ele, é perfeitamente compreensível ter que amarrar, amordaçar, drogar a garota que ele ama. Caso contrário os gritos dela poderiam chamar a atenção de alguém ou, pior, ela poderia fugir. E se fugisse como ele iria fazê-la se apaixonar por ele? Idiota! O mais mórbido, talvez, seja o fato de que as circunstâncias contribuíram para que todos acreditassem que Téo e Clarisse eram um casal apaixonado! A família de ambos achava que eles estavam apenas fazendo um roteiro amoroso, então o “sequestro” de Clarisse em nada era estranho. Tudo isso ajudava Téo a passar mais tempo com ela sem ser incomodado.

Porém o rapaz não é nada comum. Na sinopse do livro diz que ele “justifica suas atitudes com uma lógica impecável”. E é verdade! Raphael Montes conseguiu montar um drama muito bem feito, em que o leitor vê tudo por essa mente louca. Pois ao mesmo tempo em que o leitor sabe que todos aqueles atos de Téo são insanos, é perfeitamente “lógico” (do ponto de vista do personagem) o que ele está fazendo. Mas não, não nos enganamos com relação a ele, e isso percebemos logo nas primeiras linhas do livro. Pois é no início que Téo fala sobre sua única amiga, Gertrudes. Até aí estaria tudo bem, se Gertrudes não fosse um cadáver da aula de anatomia. É, isso diz bastante sobre nosso personagem. Muito diferente de Clarisse, que é sempre muito viva, muito sociável, muito livre. E esperta o suficiente para saber o que fazer, ao invés de apenas aceitar o seu destino.

Acho que até aqui vocês entenderam o quanto o adorei esse livro, o quanto a estória me surpreendeu, tanto pela lógica quanto pela loucura. E, sim, tenho que confessar que adorei o cenário carioca. Porém todo o enlace, toda a construção... Não tem como o livro não prender. E não tem como, principalmente, o final não te deixar desnorteado, para não dizer o mínimo, rsrs. Espero que os apaixonados por esses novos livros nacionais deem oportunidade também para essa estória.
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