Lobos de Loki - K. L. Armstrong & M. A. Marr

Para Matt Thorsen, o fato de ser um dos descendentes de Thor, o deus do Trovão, não fazia muita diferença. Junto com vários outros descendentes de Thor e seu meio-irmão, Loki, o garoto levava uma vida normal em Blackwell, pequena cidade em Dakota do Sul. Matt conhece cada deus, história e detalhes dos mitos nórdicos. Mas conhecer cada lenda é uma coisa, acreditar é outra completamente diferente. Quando as runas revelam que o Ragnarok, ou fim do mundo, está próximo, e que Matt deve lutar pelos deuses para evitar o apocalipse, o garoto tem uma certa dificuldade em acreditar. Afinal, entre todos os Thorsen, Matt é o mais novo e até hoje nunca demonstrou o mesmo potencial dos seus irmãos mais velhos.

Porém, seu avô parece acreditar que o garoto pode cumprir seu destino, e mais: depois da vitória, Matt deve ser sacrificado para o surgimento de uma nova era dominada pelos descendentes de Thor. Agora, Matt sabe que tem de encontrar os outros descendentes e se preparar para a batalha definitiva. Com a ajuda relutante dos primos Fen e Laurie, descendentes de Loki, o jovem parte em uma incrível aventura trazendo lendas nórdicas para nosso tempo em uma jornada fantástica cheia de surpresas e com personagens cativantes.

O que dizer de um livro REPLETO de algo pelo qual sou apaixonada? Sim, poderia ser suspeita caso o livro tivesse levando as cinco estrelinhas, hein? Mas vou explicar o porquê dele ter perdido uma.

Lobos de Loki, no geral, tem uma história cheia de ação e realmente envolve o leitor. No entanto, ele começa com um ritmo um pouco lento, o que me fez deixar a leitura de lado umas três vezes. Já fazia um tempo que não lia algo mais juvenil e acabei me interessando por conta do LOKI gritante na capa. Hahaha! É óbvio que teria mitologia nórdica envolvida, né? Passado a parte de familiarização dos personagens, chega o momento em que você começa a se situar na história e aí a leitura passa a fluir.

A narrativa em terceira pessoa também é um ponto positivo, pois nos permite acompanhar ambos os descendentes (Fen e Matt) e a perspectiva dos diferentes "deuses" torna a história mais interessante. As autoras também uniram fantasia ao mundo real, entrelaçando fatos importantes da história dos EUA com lendas da mitologia escandinava, o que nos faz acreditar que, no livro, haviam descendentes dos deuses em todas as partes do mundo e que eles usavam o pouco de poder que lhes fora concedido como mortais. Além disso, criaturas como trolls ainda andam soltas por aí.

Matt é um personagem fácil de se gostar. Ele é bom, prestativo, correto... Totalmente o contrário de Fen, que é problemático, sempre está metido em confusão e adora uma boa briga. Laurie é a prima que tenta colocar juízo em Fen, foge de problemas, mas não é a garotinha frágil que se imagina. Matt e Fen não se dão muito bem, até porque é da natureza deles (Loki e Thor não eram exatamente exemplos de melhores amigos), mas se veem meio que obrigados a trabalharem juntos em prol de um bem maior. kkkk... Essa frase pareceu lição de livro de autoajuda

Eu gostei bastante do livro, só entristece saber que é mais uma série. É o primeiro volume das Crônicas de Blackwell e já está sendo chamado de "Percy Jackson da mitologia nórdica". Não costumo comparar obras, e nem vou fazê-lo, mas a premissa é a mesma: jovens descendentes de deuses e que têm grandes missões aqui na Terra. Recomendo a leitura para quem gosta de mitologia, aventura e não se importa com personagens mais novos (o protagonista tem 13 anos e a média de idade é essa).

Não é uma história perfeita e nem uma enciclopédia sobre lendas e deuses (antes que alguém diga que a verdadeira história o fulano é assim e assado). É um livro de entretenimento, voltado para um público mais novo e não tem obrigação de narrar a mitologia desde os primórdios. Digo isso porque li comentários por aí indignados porque as autoras foram muito superficiais e mudaram alguns aspectos, etc. etc. etc. E tipo... É sério isso?

Então, leia a sinopse de novo, leia outras resenhas e leia o livro com suas dúvidas esclarecidas, ok?

Beijão,

Joyland - Stephen King

O último adeus sempre chegava e, quando você via a escuridão se aproximando, se agarrava ao que era alegre e bom. Com todas as forças.


O universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, esperando esquecer a namorada que partiu seu coração. No entanto, é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre; a vítima de um serial killer. Linda Gray foi morta há anos no parque Joyland e, diz a lenda, que seu espírito ainda assombrava o trem fantasma. E não demora muito para que Devin embarque em sua própria investigação tentando juntar as pontas soltas do caso.

O assassino continua à solta, mas o espírito de Linda precisa ser “libertado” e, para isso, Dev conta com a ajuda de Mike, um menino com um dom especial e uma doença grave. O destino dessa criança e a realidade sombria da vida vêm à tona nessa história eletrizante sobre amor e perda, crescer e envelhecer, repleta de mistério e que muitas pessoas sequer tiveram a chance de conhecer, pois a morte chegou cedo demais.

Não posso negar que essa foi, de fato, minha primeira experiência (literária) com King. Já tive a oportunidade de assistir algumas adaptações baseadas em suas obras e, definitivamente, não fazem meu tipo - tanto de leitura, quanto de filme. Porém, o que me interessou em Joyland foi a proposta um pouco diferente do autor. Claro, ainda há seu toque sobrenatural, mas passa bem longe em relação a ser "assustador".

Não é à toa que o chamam de mestre. King tem uma escrita apuradíssima, envolvente, inteligente e conta sua história incrivelmente bem. Joyland é dinâmico até certo ponto: ele não possui capítulos. O que incomodou, de certa maneira. Veja bem, você aguarda aquela pausa necessária por diversas razões, mas ela nunca chega. Há aquelas divisões básicas, cujo os autores colocam sinais gráficos para indicar que AQUELE momento acabou por ali, mas que não é a mesma coisa. Enfim, me incomodou.

O que mais me agradou aqui foi a questão emocional das personagens, a agregação de valores sentimentais viscerais do ser humano, a superação que enfrentamos todos os dias, pois viver é uma luta constate - embora cada um lute num grau de dificuldade diferente. O lado investigativo de Dev também foi um ponto muito positivo, deixando a atmosfera de suspense falar mais alto em alguns momentos. Não achei sombrio. É apenas misterioso. Mesmo gostando da história, no geral, esperava uma revelação MAIS bombástica no final e fiquei um pouco frustrada. 

A narração também é um pouco interessante, mesmo sendo em primeira pessoa, de vez em quando a sensação é de que Dev não é o único locutor (mas é). Ele é quem decide por onde começar, que partes cortar e quando vai terminar. Ou seja, o livro já se inicia com o próprio Dav contando sua história.

O ano de 1973 foi o do embargo do petróleo da Opep, o ano em que Richard Nixon anunciou que não era um criminoso, o ano em que os atores Edward G. Robinson e Noel Coward morreram. Foi o ano perdido de Devin Jones. Eu era um virgem de vinte e um anos com  aspirações literárias. Tinha três calças jeans, quatro cuecas, um Ford velho (com rádio bom), pensamentos suicidas eventuais e um coração partido. Que fofo, hein?

Não diria que foi uma leitura extraordinária, mas foi surpreendente e bastante prazerosa. Indico o livro, principalmente, pra quem ainda não leu nada do King (como eu), pois posso garantir que não tem nada que nos tire o sono, como nas várias obras do mestre do terror. Hahaha! O próximo livro que lerei dele será Sob a Redoma, que só estou aguardando chegar. E, claro, já sabendo que não tem nada a ver com a série (exceto a redoma). Hehe!

Então, gente, comprem seus bilhetes e embarquem nessa aventura em Joyland.

Beijão.

A Caverna das Maravilhas - Matthew J. Kirby

O quinto livro chega, e com ele, a décima segunda (9° fatura) viagem no tempo.

Riq, Dak e Sera saem da Grande Muralha, na China, e chegam em Bagdá, no ano 1258. É nessa época em que os Mongóis vão invadir a cidade, destruindo-a por inteiro, inclusive suas bibliotecas. Um vídeo no SQuare (sim, um vídeo) confirmou o que eles precisavam fazer para corrigir a Fatura daquela vez. Por um lado, a Fatura não era algo grande, como quem descobriria a América, mas sim um pequeno detalhe: este, sim, poderia mudar tudo.

— O SQuare de vocês não tem nenhuma informação sobre a Fatura Fundamental — explicou Mari — porque nós não tínhamos nenhuma quando o configuramos. Caso vocês consigam corrigir a Fratura de Bagdá, teremos essas informações no presente. Isso significa que vocês deverão voltar em algum momento para buscar um novo SQuare.

Os três viajantes no tempo precisavam salvar livros escritos por Aristóteles, livros estes que apontam para a tal Fatura Fundamental, a primeira grande Fatura. Ela seria a missão final deles. O problema é que, para terem informações sobre a Fatura, precisavam voltar para o presente antes do tempo, o que significava um risco ENORME!

O corpo de Riq tremeu inteiro, como se ele tivesse saído de pijama no meio da neve. Como todos os Guardiões da História sabiam muito bem, depois que eles entraram na corrente do tempo, seria perigoso demais voltar ao presente antes de corrigir todas as Faturas. Era impossível prever o que poderia acontecer. Paradoxos. Buracos no tecido da realidade. O fim do Universo. Mas Riq tinha algo mais a temer.

Matthew J. Kirby soube manter as características de cada personagem neste novo livro, o que não deixa de me surpreender: o gosto de Dak por queijo e seu fanatismo em contar cada detalhe da História; a expressão “pelo amor” de Sara e sua constante preocupação com o Cataclismo (que ela presenciou); e os pensamentos de Riq para com a jovem Maia e sua preocupação para com sua existência. Também aprovei a evolução dos personagens: Riq, deixando de ser arrogante; e Sera, se preocupando mais. Apenas Dak não mudou muito, me fazendo lembrar de que é apenas uma criança.

O livro curto não nos deu uma visão muito ampla de cultura e costumes, como foi no último livro, mas também não teve muita importância. A missão, em si, penetrava bem a estória, já que o vídeo no SQuare não podia informar quem era o Guardião da História naquela época, deixando as crianças no escuro. Felizmente eles tiveram uma ajudinha, rsrs.

As pequenas impressões deixadas, as pequenas pistas, e o fato de que um único fracasso pode colocar tudo a perder, nos deixam curiosos para continuar a série. Uma leitura rápida, fluente e simples, que faz se apaixonar conhecedores e leigos em História.

Mini-Opiniões: Fragmentados - Neal Shusterman

O que você faria se soubesse que seus pais pretendem enviá-lo (a) para um campo de colheita onde pessoas são fragmentadas e suas partes transplantadas para qualquer um que possa pagar?

Em Fragmentados Connor, Risa e Lev serão enviados para estes campos. Cada um por uma razão. Connor é um adolescente com um temperamento explosivo e raramente consegue ficar fora de confusão. Seus pais estão cansados disso. Risa cresceu numa instituição para crianças tuteladas pelo governo, mas o mesmo chegou a conclusão de que ela não tinha utilidade para eles e significava mais gastos. Lev era um "dízimo". Foi gerado para ser entregue à fragmentação. E sabia disso.

Num mundo pós guerra, a Lei da Vida foi estabelecida: todos os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços. Unidos pelo acaso e por uma busca desesperada por sobrevivência, Connor e Risa se tornam companheiros numa jornada alucinante e igualmente perigosa. Lev acaba se unindo a eles acidentalmente, mas ninguém parece se importar com seu desaparecimento. Inclusive seus pais.

A Lei da Vida - A Segunda Guerra Civil, também conhecida como "Guerra de Heartland", foi um conflito longo e sangrento motivado por uma única questão. Para acabar com a guerra, uma série de emendas constitucionais conhecida como "A Lei da Vida" foi criada. Ela satisfez tanto o exército Pró-Vida como o Pró-Escolha. A Lei da Vida declara que a vida humana não pode ser tocada desde o momento da concepção até que a criança chegue a idade de 13 anos. No entanto, entre os 13 e os 18 anos, a mãe ou o pai pode escolher "abortar" retroativamente uma criança... Com condição de que a vida da criança não tenha, "tecnicamente", um fim. O processo pelo qual uma criança é ao mesmo tempo eliminada e "mantida viva" é chamado de Fragmentação. Agora, a Fragmentação é uma prática comum e aceita pela sociedade.

Esse livro já estava na minha lista antes mesmo do lançamento, quando Novo Conceito anunciou a sinopse. Sou fã de distopias e, claro, não deixaria essa passar. Durante a leitura fui tomada por um mix de sentimentos, desde raiva até tristeza. Assuntos polêmicos como o aborto e religião fazem parte do enredo e gera opiniões fortes e conflitantes. Na maior parte do tempo me vi revoltada com a sociedade construída pelo autor e fui profundamente tocada num capítulo em especial. O início da leitura é um pouco lento e não dá pistas do que encontraremos no decorrer da história, então me surpreendi em vários momentos e fiquei feliz com o desenvolvimento positivo da trama e com suas críticas implícitas. O livro é dividido em sete partes com três protagonistas e narrado em terceira pessoa acrescentando, esporadicamente, um ponto de vista diferente (um policial, um médico e etc.), deixando-nos a par dos acontecimentos por vários ângulos.

Gostei bastante do livro e recomendo sem dúvida. Mesmo não tendo me agradado desde o primeiro capítulo, minha avaliação, no geral, não foi comprometida. :)

Classificação: 5/5

O Trono Lobo Gris - Cinda Williams Chima

Resenhas anteriores: Demônio | A rainha exilada

O tão esperado terceiro livro da série “Os Sete Reinos”.

Raisa ana’Mariana havia conseguido escapar, o que não queria dizer que estava a salvo. Pois, assim como amigos a encontraram para levá-la em segurança ao reino de Fells, os inimigos estavam à espreita, passando por cima de quem fosse para atingi-la. E, após ver todos morrerem a sua volta, ela mesma não estava segura de sua vida. Felizmente, Han Alister encontrou-a a tempo de salvar a vida de sua amada, mesma que para isso tenha quase custado a vida dele.

E é quando o jovem mago está se recuperando que ele descobre a verdade sobre Raisa, que ele acreditava ser Rebecca. É claro que as coisas mudam, e muito, entre a vida deles. Alister se sentiu usado e viu todas as esperanças que ele tinha entre os dois voarem para longe de suas mãos. Porém, em meio ao perigo que a princesa herdeira de Fells corre, ele não vê alternativa além de fazer tudo para mantê-la a salvo.

Han ergueu os olhos azuis para ela, e ali estava a resposta. Sentia-se traído. Os olhos dele estavam cheios de mágoa, raiva e perda. Ela teve dificuldade para não desviar o olhar. Obrigou-se a sustentar o dele. Devia isso a Han.

A série me encantou e surpreendeu desde o primeiro livro, e não foi diferente nesse. A autora sabe fazer reviravoltas incríveis, colocar os personagens na hora certa, e criar todo um clima de mistério... Algo surpreendente aconteceu (melhor não contar), e não acredito que apenas os Bayar estejam envolvidos. Não. Raisa criou novos inimigos, talvez mais próximos do que ela imagine, infelizmente.

De boba, porém, Raisa não tem nada, e se mostrou muito mais madura agora, com tanta coisa em jogo. Uma verdadeira princesa herdeira, refletindo sobre todas as decisões em mãos e sabendo muito bem o que fazer. Han Alister, também, se mostrou bastante competente, o que apenas mostra o quanto os dois se completam (não, eu não desisti desse casal, apesar de todas as impossibilidades). Ele salvou a vida de Raisa não apenas uma ou duas vezes, e conseguiu, com ela, criar as melhores situações para encurralar todos aqueles que eles sabem estar contra o reino.

Preciso falar sobre coisas, antes desconhecidas, que agora foram reveladas? E sobre as novas situações criadas, as novas dificuldades, as novas esperanças? Nossa, é tanto para falar sobre o livro, sobre o quão incrível a história é! Um enredo que você não para de pensar nem depois de ter terminado de ler há tempos! O quanto do que foi revelado é verdade? O quanto é mentira? Quantas armadilhas há ainda? E como Raisa e Han podem ficar juntos sem que causem uma verdadeira guerra? Com tantas coisas, é difícil acreditar que há apenas mais um livro para acabar a série!

Ok, não vou me estender mais. A ideia é escrever uma resenha, e não um livro inteiro, rsrsrs. Só vou dizer: o livro é incrível, intrigante, misterioso, e nos seduz em cada página. E se você ainda não começou a ler a série, está perdendo tempo!

Just Listen - Sarah Dessen

Com um enredo incrível e uma escrita magistral, Sarah Dessen entra para uma das minhas escritoras favoritas!

Annabel Green não tem uma vida fácil: depois de um acontecimento em uma festa, sua melhor amiga não olha mais em sua cara e só a agride verbalmente. Palavras ofensivas atingem a menina nos corredores e ela se sente cada vez mais sozinha.

Além disso, sua irmã sofre de uma doença seríssima que faz com que Annabel sofra por tabela. Por mais que Annabel e suas duas irmãs sejam modelos até que famosas e tenham corpos e vidas aparentemente perfeitas, ninguém sabe os segredos monstruosos que cada família tem para si. Com medo de todas as situações em que está metida, Annabel encontra uma fagulha de esperança ao conhecer Owen, que trabalha na rádio local, na escola. Embora também seja um garoto cheio de problemas, Annabel e Owen começam a descobrir um no outro coisas que os fazem continuar a tentar mudar a realidade de cada um.

O livro é belíssimo, sem dúvidas. Entretanto, é inegável que trata de assuntos pesadíssimos. É costume dizer que Sarah Dessen trata de assuntos pesados de uma maneira leve, mas sinceramente não senti nenhuma leveza neste livro: ele é cru, mostra o acontecimento duro como ele o é e não alivia as cenas narradas. Senti uma coisa que gritava dentro de mim em certas partes e cheguei até a fazer uma pausa da leitura para respirar.

Isso só deixa o livro ainda mais cativante e ainda mais real, pois conheci muitas Annabel durante a vida. Uma das coisas que gosto no estilo de Sarah Dessen é essa: os personagens da autora são extremamente reais e muito coerentes! A gente consegue lembrar de uma ou outra pessoa que conhece, por que não nós mesmos, enquanto lê. A história, por mais que pesada, retrata o dia a dia de um adolescente atual, que tem que se equilibrar entre tantos problemas e mostrar sempre a capa fina de felicidade para os outros.

A força narrativa de Sarah Dessen se demonstra de forma maravilhosa no livro. Ela é uma potência que te impele para os sentimentos mais bruscos e te faz sofrer, rir e chorar com a personagem. O livro é intenso, te faz ficar bem no ponto em que a autora quer, e isso só faz com que a experiência seja ainda melhor. Sarah Dessen inegavelmente tem um talento nato para a escrita.

Inclusive, vejo muita gente reclamando dos sucessos das séries de livros e procurando por livros únicos: aqui está uma ótima dica! Os livros da Sarah Dessen se relacionam, mas não tem ordem nenhuma e cada um conta uma história solo com personagens diferentes, que se inicia e se encerra no mesmo livro. Em alguns momentos temos easter eggs dos outros livros, como um personagem ou um local que já apareceu em outro livro aparecendo aqui e ali, mas isso não influencia em nada na história do livro que estamos lendo.

A única coisa a ser criticada é a edição ruim da Farol. A tradução peca em alguns momentos, a revisão também. Não gostei nada do estilo do livro, a capa ficou bem ruim também. Aliás, por mais que seja um livro até que bem novo, foi dificílimo de encontrá-lo! Só consegui comprar por um sebo, já que esgotou em todas as livrarias.

Recomendadíssimo para todos que quiserem se jogar em um YA romântico, mas com um tema um pouco mais pesado do que o normal! Sarah Dessen é só amor.

Mini-opiniões: As Virgens Suicidas - Jeffrey Eugenides

"Durante uma festa em sua casa, Cecilia Lisbon, uma garota de 13 anos se joga de uma janela do segundo andar sobre a cerca de ferro. Como uma maldição, num período de um ano, todas as cinco irmãs Lisbon cometem suicídio. Comprimidos, enforcamento, todas as formas são válidas para que, uma a uma, Lux (14), Bonnie (15), Mary (16) e Therese (17) encontrem seu caminho para a morte.
A tragédia marca tanto a rotina da vida local que uma investigação é levada a cabo pelos garotos da vizinhança. Passados 20 anos, eles reúnem um mórbido acervo de evidências, que vão desde entrevistas com parentes até diários e boletins de química. Mas os detetives amadores, determinados a descobrir qual a razão daquelas mortes, lutam para achar as peças deste quebra-cabeça que é a alma feminina."
Essa é a sinopse que traz no livro, onde mais tarde virou filme. Apesar do livro parecer uma história trágica de cinco irmãs que cometem suicídio ano após ano, ele nos traz uma versão um tanto romântica da época.
O texto é narrado em terceira pessoa, mas algumas parte conta o ponto de vista de um garoto que cresceu no mesmo bairro que as irmãs Lisbon e que tenta entender junto com o seu grupo de amigos, por meio de entrevista e de espiadas no quarto das garotas, o motivo do suicídio de cada uma.
"Ficamos sabendo que as meninas eram gêmeas nossas, que todos existíamos no mesmo espaço como animais de peles idênticas, e que elas sabiam tudo a nosso respeito embora não entendêssemos coisa alguma sobre elas. Ficamos sabendo, enfim, que na verdade as meninas eram mulheres disfarçadas, que compreendiam o amor e também a morte, e que o nosso trabalho era apenas gerar o ruído que parecia fasciná-las."
A narrativa fez com que muitas vezes eu estivesse dentro da história. Ela mostra como é a face de mudança de infância para adolescência, e como isso pode ser confuso. O livro é muito detalhista - o que me vez querer desistir de ler algumas vezes, mas consegui ir até o final e meio que sabia como terminava.
Eu recomendo para aquelas pessoas que gostam de livros que se passam em épocas antigas e histórias cheias de detalhes.
"O que você está fazendo aqui, meu bem? Você nem tem idade para saber o quanto a vida pode se tornar ruim'. (...) 'É óbvio, doutor', ela disse, ' você nunca foi uma menina de treze anos."

Despedida de Solteira - Mila Wander

Um livro que apareceu para adquirir gratuitamente na Amazon. Tanto o título quanto a capa chamaram a minha atenção: resolvi dar uma chance e não me arrependi nem um pouco.

Amande (sim, com “e”. E não, não era para ser assim, mas fazer o quê?) tem uma vida regrada. Tudo, para ela, é super organizado, desde sua gaveta de calcinhas até a caixa de e-mails. Odeia imprevistos, quem dirá surpresas. Ainda sim, foi uma “surpresa” que mudou a vida dela para sempre.

Com a vida regrada que tinha, Amande, aos vinte e sete anos, iria se casar, e deixara tudo organizado uns bons dias antes da festa. Ela poderia ficar tranquila, apenas relaxar, se as amigas dela não tivessem outros planos: um fim de semana inteiro como despedida de solteira, em um lugar não apenas paradisíaco, mas também em que elas seriam tratadas como verdadeiras rainhas. Foi quando Amande conheceu o Calebe, e sua vida virou de cabeça para baixo.

As coisas só começaram a desandar por causa da maldita despedida de solteira. Que, por sinal, nem havia me passado pela cabeça.

Não sei como explicar sobre o livro. Ele não é excepcional, na verdade, até um pouco clichê: uma moça com um relacionamento não tão bom conhece outro homem (maravilhoso, por sinal) que a deixa completamente apaixonada e arrebatada. A narrativa, também, não é tão atrativa. Porém, há algo na história — e é isso que eu não sei bem explicar — que faz com que a gente não queira parar de ler! Eu não conseguia desgrudar meus olhos, queria saber como Amande e Calebe iriam se resolver, quando eles iriam se declarar um para o outro e quando Amande iria se tocar que já não amava mais ao seu noivo. E os momentos deles juntos... Ah, isso eu realmente estava ansiosa para ver. A autora soube muito bem, até demais, criar o suspense necessário para ficarmos ansiosos pelo casal.

Mas vou logo alertar vocês: Amande é uma chata! Não uma personagem chata, mal detalhada ou escrita. Mas uma mulher chata. Lembra quando eu disse que sua vida era regrada demais? Pois bem, muito regrada. Quem organiza daquele jeito até sua caixa de e-mails? E era uma verdadeira montanha russa com o Calebe: ora era toda amores, ora era completamente rude. Bem, é claro que isso provinha da culpa que sentia por trair o noivo, mas não conseguia parar de pensar nos sentimentos do Calebe. E não, eu não tive nenhuma dúvida de que ele se apaixonou por ela desde o início. Até porque, haja paciência da parte dele.
"Bastou que tudo acabasse para que minhas reflexões ressurgissem. Todas elas, uma a uma, foram voltando e me acusando de todas as formas. Elas me chamavam de todos os nomes feios reservados para mulheres promíscuas e infiéis."

O livro é agradável, rápido, entusiasmante. Os personagens principais foram bem sondados, embora eu tivesse sentido falta de saber mais sobre as amigas da Amande, especialmente a Lara. O suspense nas cenas entre Calebe e Amande é na medida certa, e a química entre os dois é quase palpável. Gostei dos dois juntos, mesmo que tenha acontecido da maneira errada. Ainda assim, acredito que vocês devem gostar deles também.