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O garoto dos olhos azuis - Raíza Varella

Já tive muitas ressacas literárias, mas nunca uma tão longa. Se tem algo que define minhas (tentativas de) leituras atualmente é: frustração. Se a solidão é estar entre milhares de pessoas e se sentir só, a ressaca literária é ter uma pilha gigante de livros para ler e não se empolgar com nenhum deles. O negócio está mesmo sério, acredite. E no meio de tantas tentativas, chegou um livro que eu queria dar apenas uma espiadinha e lá se foi meu final de semana todo dedicado à leitura. Nossa, como senti falta disso! Esse parágrafo é apenas para falar duas coisas: 1. eu precisava desabafar sobre não ler como eu gostaria e 2. O GAROTO DOS OLHOS AZUIS É MARAVILHOSO!

"Bárbara é linda, loira e bem-sucedida. Desde que assistiu a uma cerimônia de casamento pela primeira vez, ainda criança, seu sonho é apenas um: percorrer o tapete vermelho da igreja, vestida de noiva. Porém, contrariando todas as suas expectativas, ao ser abandonada no altar, a vida de Bárbara desmorona. Ela decide voltar à cidade natal e passa a viver com os irmãos e mais dois amigos. Todos homens. Com a ajuda de Vivian, uma espécie de Barbie Malibu, Bárbara tenta superar sua decepção amorosa recente e uma da adolescência, que volta com tudo à sua memória: o garoto dos olhos azuis. Será que o cavalo branco só passa uma vez? É isso que Bárbara vai descobrir com bom humor, jogo de cintura e uma pitada de neurose." Sinopse retirada do Skoob.

Deixa eu te avisar: clichezão. Mas se alguém escrever um chick-lit que não seja, migo, tá no gênero errado. Eu sempre gostei mais de romances, mas percebi que já não me empolgava tanto com as histórias do Sparks ou outros "romances contemporâneos de raiz" e aos poucos fui os deixando de lado. E só agora, lendo esse livro, me dei conta de como senti falta de me envolver tanto numa história onde o principal objetivo é a mocinha encontrar seu príncipe encantado - e ficar com ele, claro!

Pegue a definição de chick-lit e você terá as características de O garoto. Como não amar um livro que mistura romance, comédia e drama? Mas o que diferencia esse livro de tantos outros títulos? Posso citar a escrita da autora, uma delícia de acompanhar, bem fluída e bem desenvolvida. Também posso falar dos personagens absolutamente reais - e destaco os secundários que tem grande participação na trama e têm papéis bem relevantes no enredo. Minha admiração pela autora cresceu com um motivo especial: ela não escolheu uma "saída fácil" muito utilizada por novelas/séries/livros para uma determinada situação no livro - que obviamente seria spoiler comentar sobre, mas fica aqui meu apoio ao pensamento que não se trata de um objeto ou obstáculo a ser retirado do caminho. Gostaria de falar sobre minha indignação com a tratativa em outros meios, mas fica para algum desabafo no twitter e tal. Enfim, parabéns à autora pelo respeito com que tratou tudo e como foi coerente e cuidadosa. 

Ian é um príncipe que se faz de sapo no início e, mesmo sabendo que eu iria gostar dele em seguida, me questionei se ele precisava ser tão seco com a Bárbara. Tá, eu sei que pegar alguém comendo o SEU sorvete é totalmente digno de raiva (sério!), mas ele podia entender e respeitar o momento Bridget Jones da garota. Bem, Ian é assim: uma mistura de cara real com um pouquinho de príncipe dos Contos de Fadas - ai, como posso dizer? Ele é um tipo de cara normal, mas um bom cara normal, aquele que a gente sonha em encontrar (eu sonho, pelo menos rs), que equilibra bem os defeitos e qualidades. Sua irmã se mostra uma amiga maravilhosa e também merecia um livro (hehe tá na moda, né?). Os irmãos da protagonista me confundiam, mas aí eu me lembro como irmãos são na realidade e tudo faz mais sentido - isso é algo que devo destacar: apesar da nuvem negra sob a cabeça da Bárbara, tudo é muito coerente e com boa dose de realidade, onde é possível identificar o exagero para dar o tom dramático e cômico, mas também onde a gente consegue imaginar aquilo acontecendo na vida de alguém, sem problema nenhum. É o tipo de história que funcionaria muito bem num filme.

"(...) Tudo que eu mais desejei estava bem à minha frente e eu não conseguia alcançar. Se fosse em outra época, em outra vida, talvez pudéssemos começar uma história, mas a minha vida já tinha muitos 'era uma vez' para eu conseguir chegar em um 'felizes para sempre' sem deixar meu coração em pedaços no caminho."

Eu preciso falar sobre como eu queria marcar cada pensamento da protagonista. Gente, me identifiquei tanto! Já começou no prólogo com a visão dela do amor e do sonho de se casar para seguir para a triste realidade: a Disney nos enganou. É tão legal a forma como ela desenvolve os pensamentos e eu só queria sair colocando tag atrás de tag, mas estava tão grudada na história que acabei nem levantando pra pegar e deixei passar (pfvr, isso já aconteceu com você? Às vezes não consigo largar o livro para ir pegar um marcador!). Além disso, fiquei apaixonada pelas citações nos inícios dos capítulos - sério, melhor livro neste quesito! Tooooodas as frases (trechos de livros/músicas) são lindas e fazem muito sentido na história. Até falei no instagram que eu queria sair fotografando para compartilhar todas (e mandar indiretas para o crush #soudessas).

Se você procura uma história para te deixar com uma sensação boa no final e não se importa com os clichês: se joga em O garoto dos olhos azuis. É muito amor ♥
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Mundo Novo - Chris Weitz

Imagine viver num mundo onde não há energia elétrica, água potável, comida escassa, casas, prédios, estabelecimentos comerciais, lanchonetes, carros... Tudo completamente abandonado. E pior: nenhum adulto, idoso, e muito menos crianças. Este é o Mundo Novo. Habitado única e exclusivamente por sobreviventes do Ocorrido: a disseminação de um vírus mortal que dizimou todos os humanos do planeta.

Exceto os adolescentes, pois apenas seus hormônios da puberdade serviam de escudo, mas conforme se aproximavam do fim da adolescência, o vírus os enfraquecia e finalmente agia no organismo até a morte desses indivíduos. Para sobreviver os poucos anos que ainda lhes restavam, esses jovens se reuniam em tribos e foi assim que Jeff e Donna, nossos protagonistas, se tornaram membros da tribo da Washington Square.

Amigos desde a infância, eles viveram desde o fim do Ocorrido sob a liderança de Wash, irmão mais velho de Jeff e que já apresentava os sintomas da infecção. Logo, Jeff assumiria o comando. Após a morte do irmão, ele decide que precisa encontrar respostas e, lá no fundo, a esperança da cura. E assim, a estranha versão da Sociedade do Anel composta por Jeff (o nobre cavalheiro filósofo nerd), Donna (a garota bad ass poderosa e ligeiramente desequilibrada), Crânio (o nerd tecnológico gênio do crime), Peter (o homossexual cristão viciado em adrenalina) e Minifu (a Jedi tão baixota quanto o Obi-Wan), parte rumo aos lugares mais “remotos” da ilha de Manhatan em busca da única informação disponível: o artigo de uma renomada revista de virologia.

Ambientado em um cenário pós apocalíptico, Mundo Novo tem um enredo completamente viciante e um texto rico e fluido. É narrado em primeira pessoa por Donna e Jeff alternadamente e, é essa diferença de ponto de vista que deixa tudo ainda mais interessante. Enquanto Jeff mantém seu tom formal, Donna é o dobro do oposto (se é que isso existe hahaha). A escrita de Weitz é envolvente, convidativa e leve. Daquelas que, apesar da quantidade de informação, se desenrola facilmente e só mais um capítulo não basta.

É ler de uma vez só e roer as unhas à espera do próximo livro da trilogia. Há uma certa tensão no ar, por conta de sentimentos não declarados, do clima nada favorável ao bom humor (quem riria do vento se estivesse passando fome?), mas que mesmo assim está presente e o suspense que paira sobre suas cabeças quanto a existência ou não do misterioso Velho, um possível – e único – adulto sobrevivente do colapso mundial.

Umas das razões pela qual também me encantei pelo livro, é que o autor (por ser roteirista de filmes que têm como alvo um público nem muito novo e nem muito velho, vide Lua Nova) insere muitos aspectos da realidade, como por exemplo, fazer piadas citando Tolkien, A Guerra dos Tronos, o Twitter, o Iphone, um restaurante McDonald’s ou a Nicki Minaj, fazendo com que a atmosfera do livro pareça mais palpável e crível. Outro exemplo: Se o Ebola tivesse tomado proporções gigantescas e erradicasse a população mundial e SE houvessem pessoas inumes... O que lemos no livro não seria tão ficção assim, hum? Afinal de contas, há rumores de que esse vírus foi “espalhado” estrategicamente. WHO KNOWS?

"(...) Portanto, há algumas coisas que me chateiam em relação aos meus pais. O fato de terem escolhido meu nome por causa da Madonna – não a mãe de Jesus, mas a cantora. Cara. Mas vou mudar isso? Não. Todo mundo está mudando de nome. Por que não, afinal? É tipo, “Oi, meu nome é Katnis"s, “Sou a Tryoncé”. Esquece. Vou ficar com o meu (Ma) Donna."

Dei boas gargalhadas. Mal posso esperar pelo segundo livro. Aliás, vi Mundo Novo na lista de Futuros Lançamentos da Editora Seguinte lá pelo mês de março/abril e esperei – ansiosamente – pelo lançamento em setembro/outubro. Fico MUITO feliz em dizer que SUPER recomendo esta leitura e, se ela já estava na sua lista, saiba que você não vai se arrepender. Inclusive, separei outra quote super bacana. Para refletir:

"O engraçado é que as pessoas pensavam que os livros eram tão inúteis, tipo, que o Kindle e tudo mais iam acabar com eles. E agora que penso nisso, a ideia de acabar com os supostos livros antiquados é meio babaca. Depois do Ocorrido, toda essa coisa de tecnologia é totalmente inútil sem eletricidade. As atualizações de status, os tuítes e os posts nos blogs foram apagados, ou ficaram presos seja lá o que for, quando os servidores caíram. De certa forma, nunca realmente existiram – não no espaço real. Mas livros... livros são acessíveis. Você pode manter as ideias no papel durante séculos. E, se quiser descobrir coisas, está tudo ali. Então os livros riram por último."

Verdade verdadeira! Boa leitura e muito cuidado com os canibais que residem na biblioteca do Mundo Novo!
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Mini-Opiniões: Eu Te Vejo - Irene Cao

Mini-Opiniões é uma coluna original do blog português Estante de Livros, adaptada aqui para o blog.

Já fui muito fã de livros eróticos. Entretanto, achei que esses novos livros estão se tornando repetitivos e os protagonistas se parecem mais com coelhos em época de reprodução do que seres humanos normais. Eu poderia dizer que os autores têm criado verdadeiros ninfomaníacos, mas as definições não se encaixam muito bem, então... Ficou mais bacana chamá-los de coelhos. Hehehe

Eu Te Vejo é bem rápido, narrado em primeira pessoa e tem diálogos bem interessantes. Helena é madura, não tem ataques agudos de adolescentes e ainda não tinha vivido uma grande história de amor. Ela tem 29 anos, mora em Veneza e trabalha com restauração. Ela então conhece Leonardo, que é um famoso chef (huuummm, que sexy) e que vai morar justamente no local em que ela está trabalhando. É óbvio que os dois vão se envolver sexualmente, mas para viver essa aventura ardente, Helena nunca deverá se apaixonar por ele. Humrum... sei! Daí já podemos concluir o resultado, hum? Pegação geral. Hahahaha

Este é o primeiro livro da trilogia (que poderiam ser um volume único) e, de maneira geral, é bacaninha. Não é um gênero que tenho como prioridade de leitura, mas de vez em quando, para mudar de ares, é legal. Se você curte livros adultos, não pode deixar de ler este. É de leitura fácil e rápida e ambientado num lugar maravilhoso.
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Quilômetros de saudade - Angélica Pina

Essa resenha era para ter saído ainda em janeiro, porque acho que esse livro tem a cara das férias - e isso graças à bela narrativa que é envolvente desde o início, onde as personagens realmente estão de férias. Mas eu simplesmente não conseguia escrever sobre ele. E pior: quando consegui, escrevi direto no editor do blog e (adivinha?) não salvou, perdi a resenha inteira e fiquei longe do computador por algumas semanas (oi, blog abandonado!). Fiz a leitura em poucas horas e eu queria sair falando para todo mundo que procura leituras de um dia: oi, leiam esse livro! Mas aí vem a parte que eu preciso dar motivos para vocês fazerem isso e eu simplesmente travei. Posso só falar que é maravilhoso? Vocês acreditam em mim?

Daniela está de férias em Natal com suas amigas, mas sua cabeça está bem longe: ainda em Belo Horizonte, onde seu namorado (Jorge) está. Eles namoram há pouco tempo, mas ela o acha o cara mais perfeito da face da Terra ("Parece ter saído de um dos livros com mocinhos perfeitos que eu adoro ler"). Bem, convenhamos que a ideia de mocinho perfeito já não convence mais, né? Então, obviamente o cara não é tudo isso. Mas ela acha e, com isso, deixa de aproveitar muito da viagem. Em uma pequena brecha, ela conhece Fernando, que mora em Natal, e seus primos que também estão passando as férias por lá. De volta à terra do pão de queijo, ela encara sua rotina, começa a se corresponder com Fernando e eles acabam se tornando amigos. E, bem, a vida acaba por pregar algumas peças nela e a coloca em um caminho totalmente diferente do que ela esperava.

"Confesso que às vezes sinto medo de que essa fase tão boa que estamos vivendo acabe. Eu mesma costumo dizer que tudo que é bom dura pouco. Por outro lado, penso em casais que passam uma vida inteira apaixonados e torço com todo meu coração para que seja nosso caso."

O livro é bem pequeno e eu acho bem arriscado falar alguma coisa da sinopse, porque parte do  meu encantamento veio com a surpresa - eu não curto mesmo ler sinopses e, quando o faço, esqueço rapidamente. Foi o que aconteceu aqui. Quando iniciei a leitura, ainda estava com a "primeira impressão" causada pela capa: um drama mais adulto e sério. Mas aí vem a primeira página cheia de calor de Natal, amigas de férias, uma atmosfera bem jovial e colorida. Essa foi só a primeira surpresa. Outra coisa que acabou me surpreendendo foi a sinceridade em narrar um envolvimento real, sem pretensões de amor à primeira vista, sem nenhuma dica de que algo poderia acontecer - Daniela estava em um momento de "só tenho olhos para o meu namorado" e não deu pistas do que poderia acontecer em seguida. Além disso, a honestidade ao narrar as expectativas serem desfeitas em um momento específico - um encontro - me trouxe a identificação, porque eu sei como aquilo é real e acontece o tempo todo.

Posso dizer que Angélica Pina aproveitou todas as páginas para deixar registrado seu talento de escritora e autora - a escrita é fluída e envolvente, muito bem desenvolvida e deixa o leitor confortável para prosseguir com a leitura. Não sei explicar direito, mas é aquele livro que você lê algumas páginas e pensa "nossa, ela escreve bem", sabe? Em sua estreia, ela já conquistou uma leitora assídua: eu. Pode escrever mais livros, romances ou não, estarei aqui lendo e me deliciando com as palavras. Gosto de livros bem aproveitados, onde eu passo por "uma vida inteira" num intervalo curto de tempo - sério, é leitura de três ou quatro horas. Mas, não, o livro não é em momento algum corrido ou superficial, ele é bem objetivo. E muito fofo, devo acrescentar.

Quilômetros de saudade apresenta seu enredo, tem o desenvolvimento e encerra um ciclo, mas não vou negar que adoraria uma continuação - apesar de não ter pontas soltas, os personagens podem render muitos outros dramas para dar continuidade ao romance. Claro que essa opinião é altamente afetada pelo meu apego - adoraria ter mais histórias com todos eles (as amigas da Dani renderiam bastante e eu aceitaria até uma história para o Jorge - para se redimir ou para se ferrar de verdade MUHAHAHAHA).
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[Clube da Liga] Entrevista: Leila Sales



Depois da leitura conjunta do livro A playlist da minha vida, enviamos algumas perguntas para a autora Leila Sales para sabermos mais sobre suas inspirações e outras coisas sobre o universo do livro. Dividimos a entrevista entre "Sem spoilers" e "Com spoilers" - então só leia a segunda parte se você já leu o livro ;)

Lembrando que vocês têm até 19/04/2014 para concorrer a três exemplares do livro, basta participar aqui.

Sem spoilers

Clube do Livro da Liga: Como surgiu a ideia de incluir a discotecagem na trama? 
Leila: Eu amo a vida noturna e sair para dançar. Isso tem feito parte da minha vida desde que eu tive idade suficiente para frequentar boates. Ao longo dos anos estive próxima de uma série de DJs, e eu procurei contar a história dessas pessoas fascinantes nesse mundo. 

CLL: A paixão pela música na trama é algo pessoal? 
Leila: Totalmente! A música desempenha um papel enorme em minha vida. Sempre desempenhou. Como Elise, eu tive a sorte de ter um pai que incutiu em mim o amor pela música desde que nasci. 

CLL: O que acha da possibilidade de seu livro ajudar a salvar uma vida? 
Leila: Ás vezes recebo e-mails de leitores dizendo que meu livro deu-lhes uma nova perspectiva de vida, ou os fez se sentirem menos sozinhos. Significa muito para mim, poder escutar isso. Não posso pensar em um melhor elogio ao livro. 

CLL: Você se inspirou em algum local verídico para criar a atmosfera da Start? 
Leila: A Start é vagamente baseada em um número de diferentes boates e festas que eu já estive. Listo alguns deles nos "agradecimentos" do livro*. A primeira boate indie que conheci foi em Boston, e ela realmente era chamada Start. Ela não está mais lá, mas eu queria dar a Elise essa mesma experiência que eu tive de descobrir todo este mundo da música indie e encontrar um lugar para si mesma lá. * Ramshackle e Klub Kute (Bristol); Motherfucker e Mondo (Nova York); Pill e Start (Boston). 

CLL: Você equilibrou a seriedade do bullying e depressão com uma narrativa descontraída. Você planejou desde o começo escrever uma obra young adult? 
Leila: Não procurei escrever sobre uma grande "questão" exatamente. Não quis fazer nada maçante. Apenas procurei contar a história de uma garota e como sua paixão pela música a ajuda. Eu sabia que seria um romance jovem adulto (young adult), porque é para essa faixa etária que sempre escrevo, mas os detalhes foram sendo descobertos conforme eu escrevia. 

CLL: Quais atores vocês escolheria para o elenco principal, caso o livro fosse adaptado para a tv ou cinema? 
Leila: Eu não tenho ideia, mas existe este site (vocês já viram?) onde os leitores podem votar em quem eles gostariam que interpretassem personagens em uma adaptação para o cinema. É aqui, If List. Todas essas sugestões são melhores do que qualquer coisa que eu poderia ter sugerido. Conheço muito mais sobre livros e música do que sobre filmes! 

Com spoilers 

CLL: Elise salvou a si mesma (diferentemente da maioria das histórias), sem um "Príncipe Encantado". Você planejou isso desde o começo ou decidiu durante o processo da escrita? 
Leila: Eu sabia que, independentemente de Elise terminar com um namorado ou não, ela precisava ser a única a se salvar. Em sua jornada ela vai se tornando capaz de se autovalorizar, em vez de deixar que outras pessoas determinem o quanto ela é digna. Então, Elise não poderia decidir que ela era boa o suficiente, como resultado de um menino dizendo isso a ela. Ela teve que ver seus pontos fortes por si própria, para andar com suas próprias pernas.

CLL: Você pensou em um final alternativo? O suicídio de Elise, por exemplo? 
Leila: Nunca pensei em um final onde Elise terminasse morta, mas experimentei muitas maneiras diferentes para encerrar a história. Uma vez escrevi uma versão em que ela é presa por ser menor de idade na boate. Em outra vez escrevi uma versão onde ela e Char acabariam discotecando no baile da escola de Elise. O final do livro é, obviamente, muito melhor! É por isso que as revisões são importantes. Nenhuma história é perfeita durante toda a produção nem logo na primeira tentativa.

Sobre a autora:
"Leila Sales cresceu nos arredores de Boston, Massachusetts. Ela se formou na Universidade de Chicago em 2006. Agora ela vive em Brooklyn, Nova York, e trabalha no mundo dos livros infantis. Leila passa a maior parte do seu tempo pensando em dormir, gatinhos, bailes e histórias que ela quer escrever."

Sobre o Clube do Livro da Liga:
O Clube do Livro da Liga é formado por amigos que resolveram arriscar uma leitura coletiva e se surpreenderam com a interação que foi proporcionada. Temos muitos gostos e ideias em comum, além de muitas discussões e risadas. Nós Somos:Arquivo Passional | Entre Palcos e Livros | Este Já Li | Leitora Viciada | Leituras da Paty | Livros e Chocolate | Mais que Livros | Meus Livros, Meu Mundo | Meus Livros Preciosos | MoonLight Books | Prazer, me chamo Livro | SA Revista | Segredo entre Amigas |Seguindo o Coelho Branco | Todas as Coisas do Meu Mundo
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Marcados - Caragh M. O'Brien

Essa resenha foi bem complicada de desenvolver, tal como a leitura do livro. Marcados é ambientado num futuro árido e hostil, limitado entre as muralhas do Enclave e as terras de Wharfton. Gaia Stone é uma jovem de dezesseis anos, residente do Setor Oeste 3 e que tem se dedicado a aprender o ofício da mãe, que é parteira e encarregada pelos nascimentos do setor. A vida no interior da muralha é próspera e bastante promissora, ao contrário da vida fora delas. Com muito custo, mas com determinação, a mãe de Gaia cumpre seu dever de entregar ao Enclave sua cota de bebês, que consiste nos três primeiros nascimentos do mês.

A criança precisa ser entregue independentemente de qual seja o número de gestação da mãe, ou seja, pode ou não ser o primeiro filho, desde que esteja dentro do requisito (ser um dos três bebês nascidos no mês). O não cumprimento do trabalho resulta em prisão e julgamento, razão pela qual mãe e filha jamais questionaram o porquê da entrega das crianças, acreditando apenas que servir ao Enclave já é suficiente, pois a recompensa pelo serviço prestado é indispensável para sobrevivência fora da muralha.

Entretanto, o desaparecimento repentino de seus pais faz com que Gaia comece a questionar o governo, até que finalmente ela descobre que eles foram presos. Ela não faz a mínima ideia do motivo e parte para a árdua missão de resgatar seus pais e descobrir o verdadeiro motivo pelo qual foram levados pelo Enclave. A única pista que Gaia tem, é uma fita de tecido repleta de símbolos sem sentido, mas que ela desconfia ser um código que esconde um grande segredo e que pode comprometer toda sua família.

A premissa é muito boa, minha avaliação final acabou sendo quatro estrelas, mas com algumas ressalvas. A narrativa inicial da autora é um tanto arrastada e cansativa, de modo que pensei diversas vezes em abandonar a leitura. Outro fator que não contribuiu para que não houvesse uma empatia inicial com a história foi o diálogo com aspas (“”). E eu me pergunto por que raios esses editores não enfiam um travessão no texto já que, obviamente, estamos no Brasil. Hello! Esse tipo de apresentação é confuso, você não consegue identificar de imediato quem é o locutor, pois eles se perdem num bloco de texto enorme e você acaba voltando algumas linhas/parágrafos para entender melhor ou até mesmo lembrar quem tá dizendo o quê.

Eu não costumo ler livros com essa diagramação porque, sinceramente, não tenho tempo sobrando. Uma leitura que poderia ter sido feita de dois a três dias, acabou levando mais de uma semana. É desnecessário e cansativo. A parte boa é que, apesar desses pontos bem negativos, a autora conseguiu engatar a quarta marcha e acelerar. De repente, o livro começa a ganhar ritmo e vai se desenrolando de uma forma sensacional e, de coração, não tem sensação melhor do que aquela de “ainda bem que não abandonei o livro”. Ufa! O uso dos símbolos, o meio de decifrá-los... foi simplesmente genial. O mais bacana é que a autora colocou os símbolos dentro do livro, pra que o leitor possa, junto com a personagem, tentar desvendar a mensagem que eles escondem.

O suspense gira em torno desses símbolos e das entregas dos bebês. Por que razão o governo exige as cotas? Por que Gaia e sua família são uma ameaça? Quem são os Marcados? Além de Gaia, tem outra personagem que surpreende bastante, mas não vou revelar seu nome, porque aí vou abrir janelas para especulações e o melhor é descobrir sozinho sobre essa pessoa. Eu fiquei bem surpresa com o rumo que as coisas tomaram e de modo positivo. E dolorido no fim. E o final... É daqueles que você precisa ter o segundo livro em mãos, sabe?

Infelizmente não achei nada sobre o lançamento do segundo livro. Ah, sim, é uma trilogia. Hahaha. Então... Pesquisei e encontrei o título do segundo volume e, ao que tudo indica, nem o terceiro saiu lá pelos EUA. Também achei um conto, que deve ser lido após a leitura do primeiro livro e antes do segundo. Ou seja, é um conto 1.5. Também não sei nada sobre a Editora Gutenberg publicá-lo. Eu recomendo a leitura para os fãs de distopia, mas aconselho ter paciência. Quem sabe pra você dê certo desde o início, né?

Até a próxima e entregue sua cota.
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[Clube da Liga: Resenha+Promo] A playlist da minha vida - Leila Sales

"Elise Dembowski nunca foi popular na escola. Ninguém conversava com ela na hora do intervalo nem a convidava para sair no fim de semana. Pior. Ninguém jamais se interessou em saber o que tanto a ela escutava em seu iPod: playlists com o melhor da música pop, único território em que Elise se sente confortável e confiante.
Diante de seu desajuste em relação à maioria, a adolescente tenta de tudo – inclusive a mais radical das saídas, felizmente sem sucesso. No auge de seu solitário desespero, o acaso a leva até a porta de uma balada noturna, via de acesso para um mundo completamente novo, cheio de som e diversão, no qual sua veneração por música funciona como senha para inclusão em um inédito círculo de amizades.
As festas noturnas do Start – o melhor clube underground do mundo – tornam-se o lugar onde a felicidade, a aceitação social e até o amor são possíveis para Elise. Não demora muito para que um misterioso bullying eletrônico e a habilidade da garota como DJ coloquem em confronto este universo com a dura realidade cotidiana." Sinopse retirada do Skoob.

A Playlist da Minha Vida mistura duas coisas maravilhosas: literatura e música. A partir daí vocês imaginem como estava minha expectativa. Esse é aquele livro que dá muito certo com adolescentes, porque trata de assuntos bem pertinentes ao universo deles. Eu não me identifiquei muito com a protagonista por diversos motivos, mas Playlist foi bom para me colocar no lugar do outro e me tirar da zona de conforto.

Elise tem o desejo de ser alguém legal, de ter amigos e "ser normal". Claro que não é fácil mudar o próprio jeito e ser alguém totalmente novo. Suas tentativas de se enturmar são um fracasso e o negócio só piora. Durante uma de suas caminhadas noturnas, ela encontra Pipa e Vicky - responsáveis por apresentá-la a Start, uma balada underground. É aí que um novo mundo surge para Elise e tudo ganha um novo sentido. 

A primeira coisa que admirei em Elise foi sua racionalidade e a capacidade de pensar numa situação como um todo. Se eu me identifiquei um pouco com ela, foi por isso. Gostei da forma sincera que ela conta a própria história e o quanto é consciente da situação. É muito triste pensar no quão cruel a "sociedade escolar" é e na quantidade de gente que sofre por não ser aceito como se é. A autora mostra muito isso através dos olhos da "vítima" e, apesar da história triste, a protagonista não se torna amarga.

É interessante ver que a autora falou bastante da estrutura familiar e na dinâmica dela. Ao contrário do que eu esperava, não se trata de uma família fracassada, mas mesmo assim, Elise ainda busca seu lugar nela - apesar de: isso acontece em todo lugar, ela está procurando onde se encaixar na própria vida. 

Os personagens secundários dão uma animada no enredo levemente melancólico. Eles são bem reais, com seus defeitos e qualidades sempre bem expressados. O desenvolvimento do livro não tem grandes viradas, apesar do ambiente mudar bastante após a descoberta da Start. A narrativa é linear com vários devaneios da protagonista e eu senti falta de uma grande surpresa, uma reviravolta mais radical - e a autora tinha oportunidade para dar uma enfeitada na história, viu? A escrita de Leila Sales é bem fluída e gostosa de se ler. As cenas na Start são bem visuais e realmente me transportaram para junto de Elise.

Ainda que o livro não tenha me surpreendido e ganhado um ♥ de favorito, recomento muito a leitura, pois sei o quanto o drama da personagem é familiar para tantas pessoas (infelizmente).  O livro - visualmente falando - está muito bonito, a capa tem muito a ver com o conteúdo e a cada início de capítulo tem um pedacinho de alguma música (que tem a ver com o que será narrado).

Sorteio do livro



Regras:
- É necessário ter endereço de entrega no Brasil.
- Deixar um comentário relevante nesta resenha.
- Serão três sorteados e cada um ganhará um exemplar de A Playlist da Minha Vida.
- Cada ganhador terá até 48 horas para responder o contato, após este prazo um novo sorteio será realizado.
- Os livros serão enviados até 30 dias úteis após o recebimento dos dados.
- Não nos responsabilizamos por eventuais extravios ou avarias dos Correios.

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Sobre o Clube do Livro da Liga:
O Clube do Livro da Liga é formado por amigos que resolveram arriscar uma leitura coletiva e se surpreenderam com a interação que foi proporcionada. Temos muitos gostos e ideias em comum, além de muitas discussões e risadas. Nós Somos: Arquivo Passional | Entre Palcos e Livros | Este Já Li | Leitora Viciada | Leituras da Paty | Livros e Chocolate | Mais que Livros | Meus Livros, Meu Mundo | Meus Livros Preciosos | MoonLight Books | Prazer, me chamo Livro | SA Revista | Segredo entre Amigas | Seguindo o Coelho Branco | Todas as Coisas do Meu Mundo

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Uma Escolha Imperfeita - Louise Doughty

Uma Escolha Imperfeita narra a história de Yvonne Carmichael, uma geneticista bem-sucedida, casada e com dois filhos adultos. Certo dia, durante uma a apresentação de um trabalho na Casa do Parlamento, Yvonne conhece um homem misterioso e, movida pelo impulso, envolve-se num caso ardente e perigoso com este indivíduo. A relação secreta que ela mantinha com este homem seguiu-se portsemanas, mas após um fatídico acontecimento, seus planos cuidadosos se transformaram em um terrível pesadelo.

Basicamente, é isso. O livro se resume em antes do caso, durante o caso e depois do caso. Vejam bem, não posso dizer muita coisa ou acabo contando o que se passa com a protagonista. Fiquei extremamente decepcionada com a história, achei a escrita fraca, desinteressante, em nenhum momento tive sentimento de compaixão (ou qualquer outro) durante a leitura e, sinceramente, não via a hora de acabar.

Ao ler a sinopse, o “thriller” que colocaram ali estrategicamente, aguça a curiosidade de quem é fã do gênero. Então, o que se espera da leitura é, de fato, um enredo que faça jus ao nome. Todos os acontecimentos são consequências de uma mulher infiel que, segundo o narrador, tinha uma vida perfeita e que, sem mais nem menos, se entrega para um cara que nunca viu na vida. Todo mundo sabe que mentira tem perna curta. E também sabe que, nos dias de hoje, fazer algo “escondido” é quase impossível com tanta tecnologia acessível. Assim como cometer um crime e querer sair impune.

Os capítulos são, em sua maioria, cartas digitadas por Yvonne que nunca foram entregues ao destinatário, mas que ela gostaria. Páginas e páginas de choramingos e enchimento de salsicha. Pelo amor de Deus! Tédio define. Perdi as contas de quantas vezes interrompi a leitura por não conter os bocejos e olhos lacrimejantes... 446 páginas sem conteúdo. Não, pera, a autora vai me apedrejar. Hahahahaha

Gostaria de dizer lindas palavras para vocês, mas sou muito verdadeira em relaçaõ aos meus sentimentos ao ler um livro. Li alguns bem ruins este ano, inclusive um deles foi para o post inaugural de ADL (Abandono Definitivo de Livro). Uma Escolha Imperfeita só não entrou no segundo post porque minha curiosidade foi maior. Tinha que saber o desfecho. E... péssimo, como o livro inteiro.

Uma palavra para definir o livro: MAÇANTE. Foi o pior livro de thriller psicológico que já li na vida. Não recomendo, mas o importante é que cada um de nós tem uma experiência diferente com a leitura. Então, já sendo repetitiva, leia e tire suas conclusões. Boa sorte e boa leitura!
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