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A Casa de Hades - Rick Riordan

Cuidado! Spoiler dos últimos livros.

“Para meus maravilhosos leitores: Lamento pelo último suspense. Quer dizer, não, não de verdade. HAHAHAHA. Mas, falando sério, adoro vocês, pessoal.” Foi o comentário de nosso querido autor Rick Riordan para seus fãs. Como se não fosse o suficiente que ele tivesse jogado Annabeth e Percy no Tártaro!
As primeiras linhas do livro apresentam um ataque ao Argo II, representando muito bem as dificuldades que nossos personagens estão passando em sua missão. É, vida tranquila não combina muito com um semideus, é claro. Não fica mais fácil quando Hazel recebe a visita de uma deusa e vê seu caminho cheio de encruzilhadas, e nenhum fim leva à vida de seus amigos no Tártaro. Ou seja, o destino do casal é morrer ou, bem, morrer. Porém ela está decidida a ir contra o que for preciso, até desafiar essa deusa, para manter todos a salvo.

“— A gente vai descobrir uma maneira de deter Gaia — disse Hazel. — E vamos resgatar nossos amigos do Tártaro. Manteremos a tripulação e o navio unidos e impediremos que o Acampamento Júpiter e o Acampamento Meio-Sangue entrem em guerra. Faremos tudo.”

Enquanto isso Percy e Annabeth estão em um encontro romântico no Tártaro (SQN), com direito a rios atormentadores, chão de cacos de vidro, oxigênio tóxico e como comida e bebida um líquido de lava. Têm como companhia um titã amigo (oi, Bob ;) ), um gatinho e todos os monstros que Percy matou prontinhos para terem sua vingança. Nada fácil quando se quer procurar pelas Portas da Morte, atravessar a orla de monstros e deuses furiosos, ou impedir que o próprio deus Tártaro resolva atacá-los. Isso sem cair em desespero ou morrer tentando.

Dessa vez todos os semideuses da profecia narram o livro, cada um com um capítulo. Hazel preocupada com a missão pessoal imposta a ela, Piper se sentindo apenas alguém que pode usar o Charme e mais nada (é, ela esqueceu mesmo que foi esse Charme que salvou o namorado no primeiro livro, e que já foi muito, muito útil outras vezes), Frank enlouquecido com as vozes de Marte e Ares brigando horrores dentro de sua mente e, bem, dá para ter uma ideia. Essa estória está mais tensa do que nunca, principalmente por causa da participação do Tártaro e da impotência daqueles que estão no Argo II sobre a situação do casal de amigos. Achei legal também um pequeno detalhe, mas que eu não gostei no último livro: o triângulo amoroso entre Leo, Hazel e Frank. Aqui finalmente acabou! Oba. Uma dica: digamos que os deuses não cumpriram uma promessa que fizessem no fim da outra série, e tem uma garota bonita e solitária muito irritada com isso. Só espero que no último livro a situação dela seja resolvida!

Em “A Casa de Hades” cada um provou o seu valor, principalmente aqueles pouco mencionados no último livro: Hazel, Piper e Frank. A primeira se tornando a escolhida de uma deusa, a outra finalmente se sentindo melhor com relação ao grupo e com o que ela própria pode fazer e o último tendo o reconhecimento de seu pai, o grego e o romano, rsrsrs. O final foi muito mais leve do que o anterior (é claro que eu estou comparando com o Tártaro, porque leve, leve, não foi muito não...), como a calmaria antes da tempestade que é o final dessa estória. Agora resta aos fãs da série esperarem ansiosos o último livro. Para aqueles que não leram: Ficaram loucos? O que estão esperando para começarem já?!
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Dearly, Beloved - Lia Habel

"― Você me dá mais do que eu jamais poderia ter. Sendo assim, vamos simplesmente aceitar o fato de que somos duas pessoas muito, muito esquisitas."
Este segundo livro da série Gone With The Respiration narra a descoberta de uma cepa (mutação) do vírus Lazarus original quatro meses após o Cerco (um ataque de hordas de zumbis famintos e insanos, que eram chamados de Cinza). Nora e Bram acreditavam que tudo estava sob controle e que o pesadelo do ataque já não passava de uma lembrança. Porém, o romance dos pombinhos se vê ameaçado devido ao receio do governo em continuar permitindo que humanos e zumbis Não-Vivos continuem coexistindo após pessoas que já haviam sido vacinadas contra o vírus serem mordidas e reanimadas pelo mesmo, transformando-se em zumbis mais violentos e esfomeados quanto os “hospedeiros” (nome dado aos mortos-vivos que não recobram memória ou consciência). O que o casal apaixonado mais temia aconteceu, a cepa era diferente de tudo aquilo que fora formulado para imunizar a população e ambos temiam que os mortos fossem caçados novamente, sendo eles conscientes ou não.

"― Saia da carruagem, sua necroprostituta. Agora! Pegue seu homem morto e saia desta maldita carruagem!"

Não obstante, os novos ataques não são, nem de longe, os únicos problemas de Bram, Nora e da antiga Companhia Z. Um grupo anti-zumbi da alta sociedade passa atacar os Não-Vivos e seus amigos/familiares que foram liberados para conviver pacificamente em Nova Londres. Portando armas e usando máscaras negras inspiradas em corvos, com bicos curvados e órbitas preenchidas por vidro fosco, o grupo promove uma onda de sequestros relâmpagos e assassinatos, aterrorizando os vivos e os mortos. Em meio ao caos, o portador da mutação é encontrado. No entanto, é impossível identifica-lo e o mistério de quem quer que seja o “Paciente Número Um”, fizeram de tudo para mantê-lo no anonimato.

Gente, Dearly, Beloved é tão engenhoso quanto Dearly, Departed, mas pecou em algumas coisas. Gostei bastante do livro, a autora manteve o mesmo clima extraordinário de ação e suspense, investiu em detalhes, ciência e tecnologia abundante, texto para dar e vender... E exagerou na quantidade de POVs e desfocou o romance de Nora e Bram. Ok, o livro é sobre zumbis, eu sei, mas no anterior o casal estava mega in love e daí você fica: Cadê o amor?! Não que eu quisesse um chiclete super bola, só esperava que tivesse mais investimento no casal. Sem contar que os dois ainda têm que aguentar um fura olho tentando separá-los. Sobre os POVs... Foram necessários para entender toda a trama? Sim, porque explica muito. Mas vamos combinar, estaria mentindo se dissesse que não confunde. Aliás, já viram o tamanho do livro? Pois é.

Novas personagens surgiram e algumas que não se destacaram no primeiro livro foram essenciais neste. Até me surpreendi com uma ou outra e, apesar de não ficar tão chocada, ver certas criaturinhas colocarem as garrinhas de fora foi difícil de engolir. Veja bem, você acredita que fulano é fofo e ele não passa de uma víbora. Alguém se identifica? Claro que sim. O humor permaneceu por conta dos meus adoráveis soldados da Cia Z e senti falta das conversas meio nerds. Como citei no início, esta é uma série e li um livro seguido do outro. Porém, não faço ideia de quando sai a continuação. O que é muito ruim, já que a autora não faz aquele breve resumo inicial para nos ajudar a lembrar dos acontecimentos anteriores. Ou seja, fiz a gentileza de relembrar no primeiro parágrafo desta resenha porque vocês são os leitores mais queridos desse Brasil varonil. :)

Apesar das falhas, é um livro ótimo e um dos melhores sobre zumbis que já li (não foram tantos assim). Talvez o gênero steampunk não seja tão aclamado por aqui, pois vejo quase nada sendo lindo/resenhado/comentado, mas vale à pena a leitura. A revisão está sem comparação com Dearly, Departed, que é vergonhosa e soltei o verbo na resenha dele. Para quem não conhece a história, a resenha está aqui.

Fui bem free-spoiler. Então, boa leitura e não esqueçam a vacina. Afinal, ninguém quer sair por aí atacando os familiares e amigos queridos, hum?
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Mini-opiniões: Belo Casamento - Jamie McGuire

Mini-Opiniões é uma coluna original do blog português Estante de Livros, adaptada aqui para o blog. 

Não é segredo que eu sou apaixonada pelo casal Abby e Travis (pelo Travis, mais especificamente); já falei bastante sobre isso nas resenhas de Belo Desastre e Desastre Iminente, então óbvio que qualquer coisa que a Jamie escreva, eu vou querer ler. Olha, o título do livro já é um spoiler imenso se você ainda não leu Belo Desastre, mas, bem, trata-se de um New Adult, você meio que tem que saber que um final feliz é quase regra (agora tô aqui pensando se teve algum sem felizes para sempre). O tal casamento nos dois primeiros livros é contado de forma bem corrida e ele acontece de forma repentina, mas aqui temos a explicação e os momentos que precederam o "sim". Sinceramente, eu gostei, mas fiquei levemente decepcionada. Achei as razões da Abby pouco românticas, se querem saber a verdade. Eu estou acostumada com a explosão de paixão desses dois, mas aqui eles não parecem tão intensos como antes. Acredito que muita gente tenha questionado a autora sobre a falta de seriedade com relação ao incêndio e a tragédia, e a impressão que deu é que ela queria contar o que houve depois daquilo como quem diz "sim, foi algo bem sério, olha só como foi grave" meio que querendo suprir o que faltou no outro livro. Se querem saber, achei o epílogo de Desastre Iminente muito mais revelador do que Belo Casamento. Achei o livro muito restritivo àquele momento e, por mais que o título seja óbvio, eu queria lua de mel e aquela montanha-russa inconstante que são esses dois. De qualquer forma, li em um único dia e continuei suspirando pelo Travis. Algo que nunca vou parar de fazer.
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O Leitor de Almas - Paul Harper

Embora não tenha prendido tanto a minha atenção, confesso que é um trama policial instigante e complicado.

Vera List está com as mãos atadas. Ela é psicanalista e duas de suas clientes estão tendo um caso, sem saber, com o mesmo homem. Até aí não haveria problema se tanto LoreCha e Elise Currin não relatassem uma certa preocupação com esse relacionamento, confidenciando que sentem como se aquele homem lesse a mente delas. Entendendo que aquele ser sem rosto e sem nome estava lendo seus arquivos para desvendar esposas de homem ricos e poderosos, Vera List não vê outra saída a não ser apelar para o trabalho não oficial de Marten Fane. Precisavam descobrir como e por que aquele homem estava tentando manipular aquelas duas mulheres, por que estava sendo tão cruel com elas e qual era o seu propósito. Teria algo a ver com o marido das duas? Teria algo a ver com a própria Vera List? Ou um esquema muito maior, perigoso e fatal envolvia tudo aquilo? De uma coisa Vera e Marten podiam ter certeza: para sair daquela situação precisavam pagar um preço, talvez alto demais.

“Desde o início o relacionamento foi intenso. O homem seduziu-a em todos os sentidos. Ela me diz que ele praticamente consegue ler seus pensamentos, que conhece suas ideias mais íntimas, intui suas ansiedades, seus desejos, seus medos. Toda essa sensibilidade é naturalmente muito sedutora. Ela está enfeitiçada por ele.”

Achei criativo e inteligente o mecanismo do autor para não dar mesmo uma saída à Vera, a psicanalista. Esse tipo de profissão pede um certo sigilo, e ela não pode falar sobre o que está acontecendo com ninguém. Só o fato de ter que explicar a situação para um detetive a coloca em uma posição contra a justiça. Também não há forma de impedir que o amante de suas clientes continue “atuando”, pois pode ter consequências inimagináveis caso ele descubra que Vera sabe. Se chamar a polícia pode acontecer de suas fichas sobre todos os seus clientes vazarem, e ser aquela confusão. Ninguém confiaria mais nela e perderia o seu emprego para sempre. Então como deter aquele homem sem maiores consequências? Marten Fane, felizmente, tinha experiência em crimes de difícil solução e prometeu ajudar. Porém ele se encontra num dos casos mais difíceis, emblemáticos e perigosos de sua carreira. Com o instinto do personagem gritando o tempo todo “corra” e a situação se tornando cada vez mais complicada, o leitor é levado a entrar numa trama em que é quase impossível encontrar a solução perfeita. Ou mesmo a motivação para tudo isso. Então se o leitor gosta de um final incomum...

Os personagens mais envolvidos na trama são, digamos, únicos. A história permitiu ao leitor conhecer cada um, sua jornada e como chegou onde estava. Isso dá aos personagens mais vida e consistência, fazendo com que a trama ganhe um ponto a mais. Os personagens não são apenas jogados na história, são cuidadosamente inseridos. Eu gostei disso. E a maior parte dela acontece em apenas uma semana, mostrando a urgência do caso e a importância de sua solução rápida. Nem por isso a história fica corrida, é claro, na verdade só deixa mais clara a eficiência e o pensamento rápido de Marten.

Não vou dizer que foi o melhor livro policial que já li, até porque outros me prenderam mais. Porém achei inteligente, instigante, e bem perspicaz. A trama se desdobra de um jeito diferente e surpreendente, e até o final do livro não se tem mesmo uma noção da dimensão do problema. Há muito para dar errado, e nada para sair de acordo com os planos. As últimas páginas, como era de se esperar, são chocantes e, tenho que dizer, nos faz repensar: até onde o homem é capaz de chegar para obter poder?
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Proposta Inconveniente - Patricia Cabot

Payton sempre sonhou ter seu próprio navio para comandar e estava esperando ganhar o Constant em seu aniversário de 19 anos que se aproximava. Única mulher entre três irmãos, ela literalmente lutava para ter seu espaço na família. Mas, para seu irmão mais velho, ela precisava se casar - e coloca sua esposa para ajudar a se tornar apresentável. E é nessa primeira tentativa de fazê-la usar um vestido que ela é notada por Connor Drake, melhor amigo dos seus irmãos e por quem ela sempre fora apaixonada. Acontece que ela este não é o melhor momento, considerando que é a noite do noivado dele. Mas o destino acaba por metê-los em uma grande confusão - ele, sem querer; ela, por vontade própria.

Muito se fala nos romances históricos da Patricia Cabot, mas eu só tinha lido um (Pode Beijar a Noiva), do qual eu tinha gostado bastante. Ao me deparar com este lançamento da Record, não hesitei em solicitar. Eu gosto muito do clima desses romances, sempre me transportam para a época, me fazendo viajar mesmo. Algo que reparei nestes dois romances da Patricia é que ela tenta inovar um pouquinho nesse mar de clichês (que são bons!) ao criar ambientes inusitados para situar suas histórias.

Payton já mostra sua personalidade nas primeiras páginas: é forte, decidida e pouco contida. Ser criada no meio de tantos homens, lidar com piratas e viver no mar fez dela uma dama nada convencional para a época - considerando que as mocinhas tinham que ser verdadeiras ladies, serem vistas pela sociedade para arrumar um casamento decente (isso, claro, não envolve necessariamente amor, mas sim títulos nobres). Ela é muito convicta das suas opiniões, apesar de não ter um parâmetro ou algo inspirador/influenciador - a referência que ela deveria ter é sua cunhada, mas ela não é muito esforçada para tal, já que diverge totalmente do que ela quer e é. Esse é o primeiro ponto positivo do livro - só pela protagonista ele já poderia entrar na sua lista de leituras.

Apesar de parecer, ele não é todo composto por melações românticas, há muito humor, principalmente nas passagens que envolvem os irmãos de Payton. Eles são rudes e, definitivamente, não sabem como tratar uma dama, mas é cômico, não grosseiro. A aventura também tem seu espaço e acho que isso já é de se esperar, afinal,como falar de piratas sem batalhas, heróis e agitação e tudo mais?  Porém, o herói é na verdade uma heroína. Connor Drake fica até apagadinho perto de sua salvadora (ele é legal, tá? É fofo e tal, mas ele tem umas coisas tão idiotas que, ahn, nem sei). Eu achei o "núcleo" dos ~inimigos~ relativamente fracos, esperava motivos mais fortes (ou faltou a autora dar mais importância, de forma a fixar a ideia de perigo e tal).

O que seria de um romance histórico sem suas cenas quentes? É legal porque trata de descobertas e impulsões, mas tem suas partes eróticas avulsas, as quais, definitivamente, não fariam falta na história. Mas já que estão aí, vamos ler, né? hahaha Não é cansativo, então ok. Cansativo são as inúmeras repetições na narrativa. Começa uma página falando de uma coisa, endossa o assunto e quando chega no  final da outra página, repete o que foi dito no primeiro parágrafo. Qual a necessidade? Se fosse um história narrada em primeira pessoa, eu até entenderia, nossa cabeça é assim mesmo, não é? Mas uma narrativa em terceira pessoa poderia ser mais enxuta. 

Por fim, gostei do livro, mas não foi aquela maravilha toda - não bateu aquela paixão, sabe? Mas me diverti lendo, apesar da uma semana que demorei para terminá-lo. Sem dúvidas, é o tipo de leitura que vai agradar muita gente.
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[Promoção] Os instrumentos mortais


Que tal ganhar a série Os Instrumentos Mortais completa? Com o término dessa série tão aclamada pelo público internacionalmente, 7 blogs se uniram para presentear uma única pessoa sortuda. Não perca tempo e participe dessa SUPER promoção!

Confiram os prêmios:
  1. Cidade dos Ossos - Jantando Livros
  2. Cidade das Cinzas - Este já Li
  3. Cidade de Vidro - Viaje na Leitura
  4. Cidade dos Anjos Caídos - Brincando Com Livros
  5. Cidade das Almas Perdidas - O Livreiro
  6. Cidade do Fogo Celestial - Livros & Citações
  7. Códex dos Caçadores das Sombras - Estante Vertical

Regras para participação:
  • Residir ou ter endereço de entrega no Brasil; 
  • ATENÇÃO! Sobre as edições dos livros: elas podem ou não ter brilhos, pois alguns livros já não são encontrados nas edições brilhosas. O ganhador poderá receber alguns livros nessa edição e outros na edição normal; 
  • Cada blog será responsável pelo envio de cada item, como especificado na lista de prêmios. O prazo de envio é de 45 dias ÚTEIS e nenhum blog ou editora se responsabiliza por extravio, danos ou  retorno das encomendas; 
  • Não serão aceitos perfis promocionais; 
  • A promoção irá até o dia 15/08 e o resultado sairá em até 10 dias após o término. 
Para participar, preencha o formulário abaixo:
  a Rafflecopter giveaway

Boa sorte!
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Mini-opiniões: Amor Veríssimo - Luis Fernando Verissimo

Mini-Opiniões é uma coluna original do blog português Estante de Livros, adaptada aqui para o blog. 

Vou começar este post confessando que eu só conhecia Luis Fernando Verissimo de nome. Sério, nunca tinha lido uma crônica sequer. Mas depois de ler a opinião de da Lygia sobre Os últimos quartetos de Beethoven e outros contos, não hesitei quando a Suma de Letras anunciou Amor Veríssimo. O livro reúne algumas crônicas que foram adaptadas para a série televisa homônima da GNT. Eu li com o intuito de acompanhar a série, mas acabei perdendo os episódios #xatiada. Mas a parte feliz é que li um texto atrás do outro, sem conseguir parar um minuto - é interessante que cada crônica tem um tom diferente, uma é romântica, outra é melancólica, a seguinte é um caso rotineiro, a outra é carregada de comédia... fazendo uma mistura de sentimentos e mal tive tempo de digerir um texto quando já estava embarcando em outro. Talvez as pessoas recomendem ler crônicas em pequenas doses, mas para mim, foi impossível: quanto mais lia, mais queria ler. Algumas me deixaram com gostinho de quero mais e isso é uma coisa que sempre me frusta quando leio conto/crônica/novela: eu quero o final feliz, eu quero o depois, sabe? A vida não é uma comédia romântica foi uma que me tocou especialmente -  quantos "amores das nossas vidas" encontramos quando vamos à padaria, estamos no ônibus, não é? Depois de Amor Veríssimo, já sei que nunca vou recusar um livro do autor. Seus textos são leves e sempre terei um tempinho para lê-los.
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Esconda-se - Lisa Gardner

"Eu era mais rápida. Ele estava mais bem armado. Eu estava sangrando."
Neste livro, a famosa detetive D. D. Warren agora tornou-se sargento, liderando seu primeiro caso de investigação após a descoberta de uma cova coletiva no terreno abandonado de um antigo Hospital Psiquiátrico. Seis crianças do sexo feminino são encontradas mumificadas dentro de seis sacolas plásticas, enfileiradas de duas em duas numa estante debaixo da terra. Para ajudá-la com o caso, ela convoca seu velho amigo (e ex-namorado) Bobby, pois ele trabalhou num caso parecido há alguns anos e acredita que a recém-descoberta pode ter alguma ligação com o caso anterior: onde uma adolescente de 12 anos foi mantida presa por um mês numa cova por seu sequestrador e estuprador.

Em contrapartida, temos Annabelle Granger, uma mulher que passou metade de sua vida fugindo sem saber o porquê. Seus pais jamais disseram qualquer palavra e, sempre que chegava em casa e encontrava as malas arrumadas, sabia que era hora de partir. Seis meses, um ano, dois anos... O tempo em cada cidade/estado nunca era o mesmo, apenas o suficiente para que pudessem se estabelecer e ganhar algum dinheiro. Após a morte de seus pais, Annabelle sentiu-se aliviada por enfim não precisar mais fugir. Porém, quando um nome no pingente de uma das vítimas é divulgado à mídia, 25 anos depois ela vê uma oportunidade de desvendar o mistério que nunca lhe fora revelado e o que segredo foi para o túmulo com seus pais.

Contudo, o que ela não esperava era que seu pai jamais estivera maluco. Seu perseguidor era real e tinha informações privilegiadas sobre ela. Mas como? Quem seria? Não tinha a menor ideia. Mas ao procurar a polícia assim que seu nome foi identificado como sendo de uma das crianças encontradas na cova, nada mais fazia sentido. Exceto pelo fato de que AQUELE pingente fora deixado para ela na porta de casa quando tinha 7 anos e, com a ameaça do pai de destruí-lo, deu-o para sua melhor amiga. Teria ela morrido em seu lugar? A única coisa da qual tinha certeza: ela era a verdadeira Annabelle e precisava descobrir quem era a garota morta.

Uma palavra para definir Esconda-se: Fascinante! Uma leitura completamente viciante, instigante, que desperta nosso detetive interior, aguça nossa capacidade de interpretação (uma vez que há pistas nas entrelinhas), nos ensina (mesmo que de leve) como funciona a mente de um psicopata e como determinados traumas de infância podem SIM influenciar na formação do caráter e da personalidade do ser humano. Veja bem, fazendo uma análise mais profunda, a autora não simplesmente escreveu uma história de ficção, ela fez uma pesquisa minuciosa (que inclusive cita em “Nota da Autora”) e fundamentada acerca de certos distúrbios psicológicos. Além de nos transportar para o meio da força-tarefa convocada para solucionar o crime.

Em mais um seus fascinantes thrillers, Lisa Gardner nos faz perder completamente o fôlego com Esconda-se. A linguagem é muito dinâmica, de forma que você se sente dentro de um episódio de CSI. Elaboradas com maestria, as personagens são tão envolventes e convincentes que somente nas últimas páginas descobrimos quem realmente são os vilões e mocinhos da história. Minha experiência anterior com a autora também foi ótima, mas sem comparação com este segundo livro que, inclusive, pode ser lido de forma independente, pois os casos não têm qualquer ligação, apenas a participação da detetive D. D. Warren (que existe na vida real e é amiga de Lisa).

Outro detalhe essencial foi a narrativa. Ela se alterna entre primeira e terceira pessoa, nos leva para diferentes cenários, é possível sentir o peso do drama que a protagonista vive e a frustração dos detetives cada vez que uma nova pista aparece, mas que não conseguem encaixar no maluco quebra-cabeça que é uma investigação. Se você gosta de um bom thriller, não deixe de ler este. É meu segundo 5 estrelas do ano.

"A verdade o libertará. Outro velho ditado. Seis meses de depoimento à polícia, recuperação de objetos, de resultados de DNA e entrevistas para a imprensa. Eu tenho minha própria agente. E, é claro, o contrato de um livro."
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