Mini-opiniões: P.S. Ainda amo você - Jenny Han


Se eu já tinha gostado de Para todos os garotos que já amei, com este aqui não foi diferente. Eu poderia escrever uma resenha completa sobre ele? Sim, mas ficaria repetitivo, pois as mesmas características que notei no primeiro livro, também estão presentes aqui, só muda o desenvolvimento do enredo. Isso levanta um questionamento: era realmente necessário escrever um segundo livro? Sinceramente, não. Apesar de adorar prolongar meu tempo na cabeça de Lara Jean, era totalmente possível sintetizar os dois livros em um, porque ler essa segunda parte só me fez ficar em agonia com medo da autora desfazer o final anterior, o que me fez ir atrás de spoilers para conseguir ler em paz. Se eu consegui, já não posso falar. 

A autora conseguiu manter o tom de fofurice, os relacionamentos familiares e dramas adolescentes na medida certa, e, com essa fórmula clichê, traz de volta aquela leitura confortável que não sabemos explicar muito bem o por quê, mas que encanta. Muitos YAs querem ser surpreendentes, diferentões e aqui temos uma trama simples, sem grandes plot twists ou sem um turning point e é sucesso entre os leitores - parece que o jogo virou, não é mesmo? Continuo indicando a leitura. Vai sair o terceiro livro e lá estarei eu, de novo, morrendo de ansiedade e de medo, mas estarei com ele firme nas mãos.

Tenho uma curiosidade imensa sobre o Peter. Juro que não iria reclamar de ler um livro sob o ponto de vista dele. Margot é outra pessoa misteriosa pra mim. Queria um livro da Kitty também, do Josh. Até da Genevieve. Poxa, todos os personagens! Já quero o romance do pai das irmãs Song, inclusive.

Indico muito a leitura da resenha de Para todos os garotos que já amei, ok? Ok.

O amor nos tempos do ouro - Marina Carvalho


"Sabes que nunca me apaixonei, maman, mas se porventura o tivesse feito, seria por alguém como ele?"
Cécile Lavigne perdeu todos os que amava e agora está sozinha no mundo. Ela, uma franco-portuguesa que ainda não completou vinte anos, está sendo trazida ao Brasil pelo único parente que lhe restou, o ambicioso tio Euzébio, para casar-se com o mais poderoso dono de terras de Minas Gerais, homem por quem Cécile sente profundo desprezo. Após desembarcar no Rio de Janeiro, Cécile ainda precisará fazer mais uma difícil viagem. O trajeto até Minas Gerais lhe reserva provações e surpresas que ela jamais imaginaria. O explorador Fernão, contratado por seu futuro marido para guiá-la na jornada, despertará nela sentimentos contraditórios de repulsa e de desejo. Antes de enfim consolidar o temido casamento, Cécile descobrirá todos os encantos e perigos que existem nessa nova terra, assim como os que habitam o coração de todos nós. Com o passar dos dias, crescerá dentro dela a coragem para confrontar todas as imposições da sociedade e também o seu próprio destino. Sinopse retirada do Skoob.

Marina Carvalho já é um nome conhecido na blogosfera desde o lançamento de Simplesmente Ana pela Novo Conceito. O livro fez sucesso por todo o conjunto: capa linda, ações de marketing, enredo chamativo e uma escrita fluída fácil de acompanhar. Foi o primeiro livro da Marina que li e, no geral, achei o livro bom, pendendo para o regular. Deixe-me explicar: à primeira vista, numa leitura despretensiosa, a história era ok, mas parando para pensar no assunto, eram inúmeras as falhas e pontos a melhorar. Em seguida, veio Azul da cor do mar, que ainda não li; depois De repente Ana, o que conseguiu ser regular e, logo após, Elena, livro que acabei abandonando (temporariamente) por volta da página 100. Entre essas leituras teve também Ela é uma fera. Marina Carvalho era um nome riscado da minha lista de autores para acompanhar. Até chegar O amor nos tempos do ouro em casa. Bastou ler a primeira página para entrar numa leitura frenética ao mesmo tempo em que dosada, para saborear por mais tempo e ler com mais atenção aquela história deslumbrante. Surpresa e encantamento definem esta leitura.


Quando falo que o livro é ótimo, não é só em comparação às demais obras da autora. Ele se destaca entre elas, sim, mas se destaca dentre todas as minhas últimas leituras. Além de ter ganhado meu coração, a obra é de qualidade inquestionável - é visível o cuidado da autora em retratar com fidelidade e certa licença poética o clima e meio sociais da época. Acredito que a experiência da autora como professora a tenha ajudado muito na hora de inserir informações históricas de forma didática e totalmente incorporada na trama. Além disso, a construção do romance também chama bastante a atenção, me deixando até dividida na hora de escolher meu ponto favorito. Foi uma mistura muito harmoniosa: o enredo é interessante, o desenvolvimento é absolutamente fascinante, a ambientação verossímil e rica. Sem dúvidas, o livro virou favorito.

Cécile é uma protagonista forte e determinada, de uma sensibilidade ímpar e um senso de humanidade raro na época - a forma como ela enxerga os escravos vai totalmente contra o que muitos  (infelizmente) praticavam e pregavam. É doloroso ler certas partes onde são descritas as atrocidades que eles sofriam, assim como a submissão imposta às mulheres (e aí você vê o quanto o feminismo foi e é importante: de onde saímos, onde estamos, para onde temos que ir). Fernão não é bem um mocinho, mas é um personagem representado de forma bem humana: com defeitos e qualidades, com passado e um jeito que conquista. Uma personagem me chamou atenção e, no finalzinho da história, vi que tinha uma nova história em potencial ali - e está confirmado! Mal posso esperar, sério. 

A narrativa é, na maior parte do tempo, em terceira pessoa, mas, eventualmente, surgem páginas do diário da Cécile e cartas de Fernão. No início de cada capítulo, há trechos de outras obras históricas., o que me rendeu algumas marcações a mais. Minha única crítica ao livro, é sobre as notas. Alguns termos usados precisam de certas explicações, mas elas são numeradas e listadas ao final da obra. É cansativo parar a leitura para ver o significado lá no final e então depois voltar. Notas no rodapé funcionariam melhor (confesso que, se eu não estivesse tão envolvida, passaria direto por estas observações, perdendo "parte" da leitura, mas li cada nota, então imaginem).

Ler O amor nos tempos do ouro foi como fazer uma viagem no tempo, quase ter uma aula de história em campo, ser arrebatada por um romance apaixonante e ainda ser surpreendida com a elegante escrita da autora.

Vivian contra o apocalipse - Katie Coyle

"Vivian Apple tem 17 anos e mal pode esperar pelo fatídico “Arrebatamento” — ou melhor, mal pode esperar para que ele não aconteça. Seus devotos pais foram escravizados pela Igreja faz tempo demais, e ela está ansiosa para que voltem ao normal. O problema é que, quando Vivian chega em casa no dia seguinte ao suposto Arrebatamento, seus pais sumiram e tudo o que restou foram dois buracos no teto…
Vivian está determinada a seguir vivendo normalmente, mas quando começa a suspeitar que seus pais ainda podem estar vivos, ela percebe que precisa descobrir a verdade. Junto com Harp, sua melhor amiga, Peter, um garoto misterioso que tem os olhos mais azuis do mundo e informações sobre o verdadeiro paradeiros dos seguidores da Igreja (ou é o que ele diz), e Edie, uma Crente que foi “deixada para trás”, os quatro embarcam em uma road trip pelos Estados Unidos. Mas, depois de atravessar quilômetros de eventos climáticos bizarros, gangues de Crentes vingativos e um estranho grupo de adolescentes auto-intitulados os “Novos Órfãos”, Viv logo vai perceber que o Arrebatamento foi só o começo." Sinopse retirada do Skoob

Quem me acompanha no snap (ceilem) ou no twitter (@EsteJaLi), me viu falando bastante deste livro. Eu não sabia muito bem o que esperar, mas o que encontrei me pegou totalmente desprevenida e acabei adorando! Pelo que andei lendo, livros sobre arrebatamento não são tão novidades assim, mas esta foi minha primeira leitura com o tema e adorei o enredo.

Vivian contra o apocalipse é narrado em primeira pessoa e, diferente do que acontece em muitos YAs, é possível terminar o livro sem estar de saco cheio da mocinha. Vivian muda muito durante a história e realmente vira sua própria heroína, como ela mesma pediu ao Universo. Apesar de um maketing focado na protagonista badass, já vi melhores (ou piores?), mas ela não deixa a desejar - é bem coerente com a história, se fosse um pouco mais, seria forçado. Eu achei que Harp iria se sobressair na trama, porque ela era a garota do f*da-se, mas a história era mesmo da Vivian, então sua melhor amiga é uma parceira e tanto e ambas se completam, porém em nenhum momento divide o protagonismo. Já Peter é um mocinho fofinho, mas tenho certo receio de confiar nele, então vamos dizer que ele ainda é um mistério.

Durante toda a leitura, fiquei imaginando como todo este enredo pré-apocalíptico está perto da nossa realidade, como o fanatismo pode transformar qualquer coisa de forma radical demais - começando como um textão no facebook e logo virando discurso para uma multidão. As pessoas têm a necessidade de acreditar em alguma coisa e em tempos de crise, isso se torna ainda mais gritante. Aí junta a intolerância, desgoverno e ignorância e puft!, temos o cenário perfeito para surtos e cultos coletivos.

Gostei de como a autora deixou claro que tudo aquilo contido no Livro de Frick é uma visão distorcida e manipulada de uma crença humana, não tratando aquilo como verdade celestial, por assim dizer. Além disso, sua narrativa é bem fluída e instigante, dá sempre vontade de ler mais um pouco e não cansa. O final foi totalmente imprevisível, mas isso não quer dizer que foi um tapa na cara, eu só não esperava mesmo. Aliás, este livro tem muitas coisas imprevisíveis. 

Vale lembrar que o livro é Young Adult, então ele não tem aquela profundidade cabida para os temas abordados, mas com certeza é na medida para os jovens leitores e vai trazer reflexões. Sério, fico imaginando um professor de história discutindo com seus alunos do primeiro ano durante a aula... Então, digamos que o livro não é excelente, mas abre muitas possibilidades para discussões e para relacionar com nossa atual situação onde Bolsonaro é chamado de mito e Malafaia/Feliciano são ovacionados. Vivian contra o apocalipse é uma duologia e Vivian contra a América já foi lançado aqui (e é minha atual leitura).   

Auggie & Eu - R.J. Palacio

Li Extraordinário no comecinho de 2013 e me encantei de forma absurda pelo livro. Me trouxe muitas reflexões e fiz até playlist inspirada nele. Passados três anos, estou de volta à escola Beech Perp e lendo novos pontos de vista do "fenômeno Auggie".

O livro conta com três histórias que, originalmente, foram lançadas em e-books individuais (veja O capítulo de Julian, Plutão e Shingaling na Amazon). No início, tive um pouco de dificuldade para lembrar quem eram os personagens na história de Auggie, afinal, foram três anos entre uma leitura e outra e um apego enorme ao protagonista, o que deixou "os outros" sem a devida atenção. Diferente do que eu esperava, Auggie quase não está presente fisicamente nestas histórias, mas tudo se desenrola a partir da chegada dele na escola. 

O capítulo de Julian acabou me fisgando muito mais, apesar de toda repulsa que me causou. Julian é quem lidera o "motim do bullying" contra August e, assim, se tornou o vilão da história, mas estamos falando de crianças/pré-adolescentes, então será que ele é o culpado por tudo? Não digo que este conto foi uma redenção, pois seu comportamento ainda é inadmissível, mas trouxe outra perspectiva do personagem e do meio que ele vive. Cheguei a parar a leitura em alguns momentos porque eu estava enjoada com o comportamento dos pais do Julian - e surgia um certo medo dele gravar permanentemente tais pensamentos em sua personalidade. Bom lembrar que trata-se de uma história infanto-juvenil (apesar de ser indicada para todas as idades), então existe uma mudança, o enxergar do erro e, dentro daquela realidade, a correção - trazendo esperança para os possíveis pequenos leitores. Sério, gente, o que é tratado aqui precisa ser discutido em sala (seja de aula ou de jantar).

Plutão é basicamente uma história de amizade. Não a amizade de declarações fofinhas e selfies nas redes sociais, mas aquela que nasce na infância, com toda convivência e rotina, com amadurecimento e mudanças. Quem narra é o melhor amigo de Auggie, Christopher. Ele é quem conta como foi crescer tendo um amigo que sempre foi prioridade para todos, até para sua mãe, devido à saúde delicada. À medida que eles vão crescendo, vão aprendendo que não é fácil manter uma amizade, mas que valem certas renúncias.

Em Shingaling, Charlotte vai contar um pouquinho mais da dinâmica da turma da escola. Preciso dizer que vi a Ceile quase adolescente em cada página deste conto! Vivi coisas muito parecidas quando tinha a idade das meninas, desde a divisão dos grupinhos até as aulas de dança. Com isso, a história ganhou um tom nostálgico pra mim e acabei fazendo uma viagem no tempo. 

Estes contos são ótimos complementos para a história apresentada em Extraordinário, R.J. Palacio sabe dar voz a diferentes personagens de forma única, não há como negar. Sua narrativa tem um tom extremante sincero e nada hipócrita, mesmo que nos cause repulsa em certos momentos. Eu acrescentaria um conto para o Sr. Buzanfa - aprendemos tanto com as "pequenas" interações dele com os alunos, imagina uma história todinha dele? Foi ótimo poder ter contato com este "mundo" novamente e ver que, mesmo três anos depois, o livro ainda continua na minha lista de indicações.

[Resenha+Promo] Para todos os garotos que já amei - Jenny Han

Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa azul-petróleo que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. Uma para cada garoto que amou — cinco ao todo. São cartas sinceras, sem joguinhos nem fingimentos, repletas de coisas que Lara Jean não diria a ninguém, confissões de seus sentimentos mais profundos.
Até que um dia essas cartas secretas são misteriosamente enviadas aos destinatários, e de uma hora para outra a vida amorosa de Lara Jean sai do papel e se transforma em algo que ela não pode mais controlar. Sinopse retirada do Skoob.

Para todos os garotos que já amei causou um burburinho (estou amenizando, eu sei) na internet desde o lançamento. Apesar de algumas oportunidades anteriores, este foi o primeiro livro que li de Jenny Han - ela já publicou a trilogia Verão pela Galera Record (O verão que mudou minha vida é o primeiro) e, pela Novo Conceito, a trilogia Burn for Burn (Olho por Olho e Dente por Dente são os já publicados por aqui). Diante da unanimidade das opiniões que li, não pude resistir e fui conferir o que de tão bom este livro tinha.

Para todos os garotos que já amei é aquele tipo de livro que encanta, mas você não consegue dizer exatamente por que ele é bom, você só sabe que adorou e pronto. Ele não tem uma protagonista badass, um romance intenso ou um dramalhão familiar. Ele é simples, tem uma protagonista comum, um romance em desenvolvimento e um relacionamento familiar - como na vida real. Acredito que é essa sutileza que cativa, que nos faz ficar grudados no livro querendo saber o que vai acontecer a seguir, mesmo que não tenha aquele momento de plot twist, um mistério de roer as unhas e essas coisas. Você só quer acompanhar aqueles personagens, dar uma ajudinha de vez em quando e se compadecer de certas situações.

"O amor é assustador: ele muda, ele pode ir embora. Esse é o risco. Eu não quero mais ficar com medo."
As irmãs Song são um caso à parte. Cada uma delas merece um livro com a própria história, sem dúvidas. Kitty é aquela irmã mais nova fofinha, mas bem esperta e o que me agradou é que ela não foi infantilizada, ela até ganha responsabilidades e não é mimada. Fiquei sem entender bem quem na verdade é Margot, como o livro é narrado em primeira pessoa, acredito que há uma certa idealização por parte de Lara Jean e isso acabou despertando minha curiosidade - sério, seria ótimo ler mais sobre ela. 

A dualidade dos personagens os tornam reais, alguns começam se mostrando algo, mas com o decorrer da história vamos percebendo que não é bem assim. Mais um ponto para Jenny Han, claro. Ela não se prende a rótulos e os poucos citados acabam desconstruídos - aí fica a difícil tarefa para o leitor: por quem torcer? Quem tá certo na história? Existe um lado para ficar ou vai por afinidade, Bial?

Estava divagando ainda esta semana no twitter sobre o sucesso do livro e, para mim, os YAs tanto tentaram ser os "diferentões", surpreendentes que acabaram saindo muito da realidade, aí chegou Para todos os garotos que já amei com sua simplicidade, fofura e coerência e PAH, causou empatia nos leitores. Ele não é clichezão, viu, gente? Aliás, seu final é um pouco desesperador e fez surgir uma certa necessidade de spoiler, mas vou esperar para ler na continuação. Enfim, esse é um livro adorável que vou indicar com aquela carinha que diz "só leia, miga".

Sorteio

Em parceria com a Intrínseca, vamos sortear um exemplar de Para todos os garotos que já amei. Para participar, preencha o Rafflecopter abaixo e boa sorte! A primeira entrada é livre e, para mais chances, preencha as demais opções.
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Mini-opiniões: A Febre - Megan Abbott


"Na Escola Secundária de Dryden, Deenie, Lise e Gabby formam um trio inseparável. Filha do professor de química e irmã de um popular jogador de hóquei da escola, Deenie irradia a vulnerabilidade de uma típica adolescente de 16 anos. Quando Lise sofre uma inexplicável e violenta convulsão no meio de uma aula, ninguém sabe como reagir. Os boatos começam a se espalhar na mesma velocidade que outras meninas passam a ter desmaios, convulsões e tiques nervosos, deixando os médicos intrigados e os pais apavorados. Os ataques seriam efeito colateral de uma vacina contra HPV? Envoltos em teorias e especulações, o pânico rapidamente se alastra pela escola e pela cidade, ameaçando a frágil sensação de segurança daquelas pessoas, que não conseguem compreender a causa da doença terrível e misteriosa."

Depois de ouvir sobre A Febre durante a Bienal, imediatamente o coloquei na minha lista de leituras, afinal prometia ser um grande e instigante mistério. O livro tem um ritmo diferente, enquanto eu esperava uma linha interrupta de fatos, daquelas que não conseguimos largar até concluir, A Febre apresenta cenas quebradas, indo e vindo através de personagens diferentes, ora focando no "mistério", ora na rotina e dramas pessoais. Isso foi um obstáculo pra mim, pois não via relevância daquilo no enredo. 

Sabe quando transformam um livro em série televisiva e aí surgem vários personagens com histórias paralelas para preencher o enredo? A minha sensação aqui foi essa, só que como se pegassem a série e transformassem em livro. Nisso, surgiu outro problema: queria prestar atenção em tudo, pois como estava lendo um suspense, queria estar atenta aos detalhes para pegar pistas. E nisso foram três meses pra conseguir concluir a leitura de um livro de pouco mais que 250 páginas. E todos os detalhes serviram para: nada. Eu acreditei que o final guardava algo surpreendente, que me fizesse pensar "nossa, que idiota eu fui, a autora é genial 😱", mas não, simplesmente não.

Não encontrei o que procurava, não achei "sombrio, perturbador e estranhamente fascinante" como o blurb de ninguém menos que Gillian Flynn. Fica pra próxima, Megan.

P.S. Este mesmo texto vocês podem encontrar no meu instagram - estou sempre comentando minhas leituras por lá, então fiquem à vontade para seguir :) @ceilem

Gelo Negro - Becca Fitzpatrick

"Britt Pfeiffer passou meses se preparando para uma trilha na Cordilheira Teton, um lugar cheio de mistérios. Antes mesmo de chegar à cabana nas montanhas, ela e a melhor amiga, Korbie, enfrentam uma nevasca avassaladora e são obrigadas a abandonar o carro e procurar ajuda. As duas acabam sendo acolhidas por dois homens atraentes e imaginam que estão em segurança.
Os homens, porém, são criminosos foragidos e as fazem reféns. Para sobreviver, Britt precisará enfrentar o frio e a neve para guiar os sequestradores para fora das montanhas. Durante a arriscada jornada em meio à natureza selvagem, um homem se mostra mais um aliado do que um inimigo, e Britt acaba se deixando envolver. Será que ela pode confiar nele? Sua vida dependerá dessa resposta." Sinopse retirada do Skoob.

Você deve conhecer Becca de outros carnavais ou, mais precisamente, de outros livros. Ela é autora da série Hush, Hush que conta a história dos inesquecíveis Nora e Patch (shippo fortemente). A minha ansiedade para Black Ice era gigante desde o seu anúncio, com o lançamento de Finale - era uma promessa de mais uma ótima leitura e mais um caso de amor com um livro dela. Sério, eu tinha certeza que iria amar, porque na minha cabeça não tinha como essa mulher escrever alguma coisa que não me agradasse. Agora podem imaginar a minha decepção. A sensação é exatamente essa:

Eu e Gelo Negro, claramente
Não sou expert em thrillers e suspenses, mas sempre espero algo que me prenda do início a fim, me dê medinho e me faça desconfiar de tudo e todos. Não sei, acho o mínimo. E eu sei que a Becca tem capacidade pra isso, porque eu sentia um pouquinho de cada coisa em Hush, Hush - e olha que isso nem era o principal. Qual a dificuldade de colocar o suspense em primeiro plano e trabalhá-lo bem então? Complicado responder, já que ela misturou com romance e tudo pareceu ficar primário demais, como um primeiro livro da autora e não sua quinta obra. 

A ambientação é algo a se elogiar: apesar de nunca ter visto neve, me senti presa numa montanha escura, cheia de árvores e com gelo em todo canto. Eu via cada coisinha que era descrita, sentia frio como os personagens, ficava sem ar ao sair correndo junto com a protagonista e ouvia o barulho do helicóptero. Mas todas as sensações eram relacionadas ao ambiente, nada com os sentimentos dos personagens. Apesar de ver certo girl power em Britt e sentir certo orgulho nisso (na representação literária mais precisamente, não na personagem em si), não senti muita empatia e algumas vezes me peguei pensando que tipo de alucinógenos ela poderia estar usando e que não era contado no livro, porque não é possível (não vou comentar mais sobre, por motivos de: spoiler).

O romance... vamos lá: tinha mesmo necessidade? Sou a rainha da shippagem e se estou questionando isso é porque tem alguma coisa muito errada ali. Ok, a autora até tenta dar uma sequência fofa, mas não cabe ali naquela situação, entende? Eu sei que no final as coisas parecem menos loucas, mas a gente (como a personagem) só sabe realmente no desfecho, então continuo com a tese de loucura. Era caso de vida e morte? Sim. Era extremo? Sim. Era desesperador? Sim. Então, pra quê?

Sobre o final, digo que Becca acertou nas reviravoltas, mas não necessariamente foi surpreendente. Legal para os desatentos, previsível para quem já desconfia do óbvio e ok pra mim, que me vejo num ponto intermediário, justamente pela minha falta de contato com esse tipo de leitura.     

No final, Gelo Negro foi uma leitura mediana, com alguns acertos isolados da autora, mas que não teve algo que desse liga entre eles. Muito da minha decepção vem da expectativa com a autora, confesso, mas não vejo como não esperar algo bom dela. O que me deixa ainda mais triste é ver que todos os elementos para a trama perfeita estão presentes, mas não são bem explorados e utilizados. Vamos tentar de novo, né?

Lobos de Loki - K. L. Armstrong & M. A. Marr

Para Matt Thorsen, o fato de ser um dos descendentes de Thor, o deus do Trovão, não fazia muita diferença. Junto com vários outros descendentes de Thor e seu meio-irmão, Loki, o garoto levava uma vida normal em Blackwell, pequena cidade em Dakota do Sul. Matt conhece cada deus, história e detalhes dos mitos nórdicos. Mas conhecer cada lenda é uma coisa, acreditar é outra completamente diferente. Quando as runas revelam que o Ragnarok, ou fim do mundo, está próximo, e que Matt deve lutar pelos deuses para evitar o apocalipse, o garoto tem uma certa dificuldade em acreditar. Afinal, entre todos os Thorsen, Matt é o mais novo e até hoje nunca demonstrou o mesmo potencial dos seus irmãos mais velhos.

Porém, seu avô parece acreditar que o garoto pode cumprir seu destino, e mais: depois da vitória, Matt deve ser sacrificado para o surgimento de uma nova era dominada pelos descendentes de Thor. Agora, Matt sabe que tem de encontrar os outros descendentes e se preparar para a batalha definitiva. Com a ajuda relutante dos primos Fen e Laurie, descendentes de Loki, o jovem parte em uma incrível aventura trazendo lendas nórdicas para nosso tempo em uma jornada fantástica cheia de surpresas e com personagens cativantes.

O que dizer de um livro REPLETO de algo pelo qual sou apaixonada? Sim, poderia ser suspeita caso o livro tivesse levando as cinco estrelinhas, hein? Mas vou explicar o porquê dele ter perdido uma.

Lobos de Loki, no geral, tem uma história cheia de ação e realmente envolve o leitor. No entanto, ele começa com um ritmo um pouco lento, o que me fez deixar a leitura de lado umas três vezes. Já fazia um tempo que não lia algo mais juvenil e acabei me interessando por conta do LOKI gritante na capa. Hahaha! É óbvio que teria mitologia nórdica envolvida, né? Passado a parte de familiarização dos personagens, chega o momento em que você começa a se situar na história e aí a leitura passa a fluir.

A narrativa em terceira pessoa também é um ponto positivo, pois nos permite acompanhar ambos os descendentes (Fen e Matt) e a perspectiva dos diferentes "deuses" torna a história mais interessante. As autoras também uniram fantasia ao mundo real, entrelaçando fatos importantes da história dos EUA com lendas da mitologia escandinava, o que nos faz acreditar que, no livro, haviam descendentes dos deuses em todas as partes do mundo e que eles usavam o pouco de poder que lhes fora concedido como mortais. Além disso, criaturas como trolls ainda andam soltas por aí.

Matt é um personagem fácil de se gostar. Ele é bom, prestativo, correto... Totalmente o contrário de Fen, que é problemático, sempre está metido em confusão e adora uma boa briga. Laurie é a prima que tenta colocar juízo em Fen, foge de problemas, mas não é a garotinha frágil que se imagina. Matt e Fen não se dão muito bem, até porque é da natureza deles (Loki e Thor não eram exatamente exemplos de melhores amigos), mas se veem meio que obrigados a trabalharem juntos em prol de um bem maior. kkkk... Essa frase pareceu lição de livro de autoajuda

Eu gostei bastante do livro, só entristece saber que é mais uma série. É o primeiro volume das Crônicas de Blackwell e já está sendo chamado de "Percy Jackson da mitologia nórdica". Não costumo comparar obras, e nem vou fazê-lo, mas a premissa é a mesma: jovens descendentes de deuses e que têm grandes missões aqui na Terra. Recomendo a leitura para quem gosta de mitologia, aventura e não se importa com personagens mais novos (o protagonista tem 13 anos e a média de idade é essa).

Não é uma história perfeita e nem uma enciclopédia sobre lendas e deuses (antes que alguém diga que a verdadeira história o fulano é assim e assado). É um livro de entretenimento, voltado para um público mais novo e não tem obrigação de narrar a mitologia desde os primórdios. Digo isso porque li comentários por aí indignados porque as autoras foram muito superficiais e mudaram alguns aspectos, etc. etc. etc. E tipo... É sério isso?

Então, leia a sinopse de novo, leia outras resenhas e leia o livro com suas dúvidas esclarecidas, ok?

Beijão,