Vivian contra o apocalipse - Katie Coyle

"Vivian Apple tem 17 anos e mal pode esperar pelo fatídico “Arrebatamento” — ou melhor, mal pode esperar para que ele não aconteça. Seus devotos pais foram escravizados pela Igreja faz tempo demais, e ela está ansiosa para que voltem ao normal. O problema é que, quando Vivian chega em casa no dia seguinte ao suposto Arrebatamento, seus pais sumiram e tudo o que restou foram dois buracos no teto…
Vivian está determinada a seguir vivendo normalmente, mas quando começa a suspeitar que seus pais ainda podem estar vivos, ela percebe que precisa descobrir a verdade. Junto com Harp, sua melhor amiga, Peter, um garoto misterioso que tem os olhos mais azuis do mundo e informações sobre o verdadeiro paradeiros dos seguidores da Igreja (ou é o que ele diz), e Edie, uma Crente que foi “deixada para trás”, os quatro embarcam em uma road trip pelos Estados Unidos. Mas, depois de atravessar quilômetros de eventos climáticos bizarros, gangues de Crentes vingativos e um estranho grupo de adolescentes auto-intitulados os “Novos Órfãos”, Viv logo vai perceber que o Arrebatamento foi só o começo." Sinopse retirada do Skoob

Quem me acompanha no snap (ceilem) ou no twitter (@EsteJaLi), me viu falando bastante deste livro. Eu não sabia muito bem o que esperar, mas o que encontrei me pegou totalmente desprevenida e acabei adorando! Pelo que andei lendo, livros sobre arrebatamento não são tão novidades assim, mas esta foi minha primeira leitura com o tema e adorei o enredo.

Vivian contra o apocalipse é narrado em primeira pessoa e, diferente do que acontece em muitos YAs, é possível terminar o livro sem estar de saco cheio da mocinha. Vivian muda muito durante a história e realmente vira sua própria heroína, como ela mesma pediu ao Universo. Apesar de um maketing focado na protagonista badass, já vi melhores (ou piores?), mas ela não deixa a desejar - é bem coerente com a história, se fosse um pouco mais, seria forçado. Eu achei que Harp iria se sobressair na trama, porque ela era a garota do f*da-se, mas a história era mesmo da Vivian, então sua melhor amiga é uma parceira e tanto e ambas se completam, porém em nenhum momento divide o protagonismo. Já Peter é um mocinho fofinho, mas tenho certo receio de confiar nele, então vamos dizer que ele ainda é um mistério.

Durante toda a leitura, fiquei imaginando como todo este enredo pré-apocalíptico está perto da nossa realidade, como o fanatismo pode transformar qualquer coisa de forma radical demais - começando como um textão no facebook e logo virando discurso para uma multidão. As pessoas têm a necessidade de acreditar em alguma coisa e em tempos de crise, isso se torna ainda mais gritante. Aí junta a intolerância, desgoverno e ignorância e puft!, temos o cenário perfeito para surtos e cultos coletivos.

Gostei de como a autora deixou claro que tudo aquilo contido no Livro de Frick é uma visão distorcida e manipulada de uma crença humana, não tratando aquilo como verdade celestial, por assim dizer. Além disso, sua narrativa é bem fluída e instigante, dá sempre vontade de ler mais um pouco e não cansa. O final foi totalmente imprevisível, mas isso não quer dizer que foi um tapa na cara, eu só não esperava mesmo. Aliás, este livro tem muitas coisas imprevisíveis. 

Vale lembrar que o livro é Young Adult, então ele não tem aquela profundidade cabida para os temas abordados, mas com certeza é na medida para os jovens leitores e vai trazer reflexões. Sério, fico imaginando um professor de história discutindo com seus alunos do primeiro ano durante a aula... Então, digamos que o livro não é excelente, mas abre muitas possibilidades para discussões e para relacionar com nossa atual situação onde Bolsonaro é chamado de mito e Malafaia/Feliciano são ovacionados. Vivian contra o apocalipse é uma duologia e Vivian contra a América já foi lançado aqui (e é minha atual leitura).   

Auggie & Eu - R.J. Palacio

Li Extraordinário no comecinho de 2013 e me encantei de forma absurda pelo livro. Me trouxe muitas reflexões e fiz até playlist inspirada nele. Passados três anos, estou de volta à escola Beech Perp e lendo novos pontos de vista do "fenômeno Auggie".

O livro conta com três histórias que, originalmente, foram lançadas em e-books individuais (veja O capítulo de Julian, Plutão e Shingaling na Amazon). No início, tive um pouco de dificuldade para lembrar quem eram os personagens na história de Auggie, afinal, foram três anos entre uma leitura e outra e um apego enorme ao protagonista, o que deixou "os outros" sem a devida atenção. Diferente do que eu esperava, Auggie quase não está presente fisicamente nestas histórias, mas tudo se desenrola a partir da chegada dele na escola. 

O capítulo de Julian acabou me fisgando muito mais, apesar de toda repulsa que me causou. Julian é quem lidera o "motim do bullying" contra August e, assim, se tornou o vilão da história, mas estamos falando de crianças/pré-adolescentes, então será que ele é o culpado por tudo? Não digo que este conto foi uma redenção, pois seu comportamento ainda é inadmissível, mas trouxe outra perspectiva do personagem e do meio que ele vive. Cheguei a parar a leitura em alguns momentos porque eu estava enjoada com o comportamento dos pais do Julian - e surgia um certo medo dele gravar permanentemente tais pensamentos em sua personalidade. Bom lembrar que trata-se de uma história infanto-juvenil (apesar de ser indicada para todas as idades), então existe uma mudança, o enxergar do erro e, dentro daquela realidade, a correção - trazendo esperança para os possíveis pequenos leitores. Sério, gente, o que é tratado aqui precisa ser discutido em sala (seja de aula ou de jantar).

Plutão é basicamente uma história de amizade. Não a amizade de declarações fofinhas e selfies nas redes sociais, mas aquela que nasce na infância, com toda convivência e rotina, com amadurecimento e mudanças. Quem narra é o melhor amigo de Auggie, Christopher. Ele é quem conta como foi crescer tendo um amigo que sempre foi prioridade para todos, até para sua mãe, devido à saúde delicada. À medida que eles vão crescendo, vão aprendendo que não é fácil manter uma amizade, mas que valem certas renúncias.

Em Shingaling, Charlotte vai contar um pouquinho mais da dinâmica da turma da escola. Preciso dizer que vi a Ceile quase adolescente em cada página deste conto! Vivi coisas muito parecidas quando tinha a idade das meninas, desde a divisão dos grupinhos até as aulas de dança. Com isso, a história ganhou um tom nostálgico pra mim e acabei fazendo uma viagem no tempo. 

Estes contos são ótimos complementos para a história apresentada em Extraordinário, R.J. Palacio sabe dar voz a diferentes personagens de forma única, não há como negar. Sua narrativa tem um tom extremante sincero e nada hipócrita, mesmo que nos cause repulsa em certos momentos. Eu acrescentaria um conto para o Sr. Buzanfa - aprendemos tanto com as "pequenas" interações dele com os alunos, imagina uma história todinha dele? Foi ótimo poder ter contato com este "mundo" novamente e ver que, mesmo três anos depois, o livro ainda continua na minha lista de indicações.

[Resenha+Promo] Para todos os garotos que já amei - Jenny Han

Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa azul-petróleo que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. Uma para cada garoto que amou — cinco ao todo. São cartas sinceras, sem joguinhos nem fingimentos, repletas de coisas que Lara Jean não diria a ninguém, confissões de seus sentimentos mais profundos.
Até que um dia essas cartas secretas são misteriosamente enviadas aos destinatários, e de uma hora para outra a vida amorosa de Lara Jean sai do papel e se transforma em algo que ela não pode mais controlar. Sinopse retirada do Skoob.

Para todos os garotos que já amei causou um burburinho (estou amenizando, eu sei) na internet desde o lançamento. Apesar de algumas oportunidades anteriores, este foi o primeiro livro que li de Jenny Han - ela já publicou a trilogia Verão pela Galera Record (O verão que mudou minha vida é o primeiro) e, pela Novo Conceito, a trilogia Burn for Burn (Olho por Olho e Dente por Dente são os já publicados por aqui). Diante da unanimidade das opiniões que li, não pude resistir e fui conferir o que de tão bom este livro tinha.

Para todos os garotos que já amei é aquele tipo de livro que encanta, mas você não consegue dizer exatamente por que ele é bom, você só sabe que adorou e pronto. Ele não tem uma protagonista badass, um romance intenso ou um dramalhão familiar. Ele é simples, tem uma protagonista comum, um romance em desenvolvimento e um relacionamento familiar - como na vida real. Acredito que é essa sutileza que cativa, que nos faz ficar grudados no livro querendo saber o que vai acontecer a seguir, mesmo que não tenha aquele momento de plot twist, um mistério de roer as unhas e essas coisas. Você só quer acompanhar aqueles personagens, dar uma ajudinha de vez em quando e se compadecer de certas situações.

"O amor é assustador: ele muda, ele pode ir embora. Esse é o risco. Eu não quero mais ficar com medo."
As irmãs Song são um caso à parte. Cada uma delas merece um livro com a própria história, sem dúvidas. Kitty é aquela irmã mais nova fofinha, mas bem esperta e o que me agradou é que ela não foi infantilizada, ela até ganha responsabilidades e não é mimada. Fiquei sem entender bem quem na verdade é Margot, como o livro é narrado em primeira pessoa, acredito que há uma certa idealização por parte de Lara Jean e isso acabou despertando minha curiosidade - sério, seria ótimo ler mais sobre ela. 

A dualidade dos personagens os tornam reais, alguns começam se mostrando algo, mas com o decorrer da história vamos percebendo que não é bem assim. Mais um ponto para Jenny Han, claro. Ela não se prende a rótulos e os poucos citados acabam desconstruídos - aí fica a difícil tarefa para o leitor: por quem torcer? Quem tá certo na história? Existe um lado para ficar ou vai por afinidade, Bial?

Estava divagando ainda esta semana no twitter sobre o sucesso do livro e, para mim, os YAs tanto tentaram ser os "diferentões", surpreendentes que acabaram saindo muito da realidade, aí chegou Para todos os garotos que já amei com sua simplicidade, fofura e coerência e PAH, causou empatia nos leitores. Ele não é clichezão, viu, gente? Aliás, seu final é um pouco desesperador e fez surgir uma certa necessidade de spoiler, mas vou esperar para ler na continuação. Enfim, esse é um livro adorável que vou indicar com aquela carinha que diz "só leia, miga".

Sorteio

Em parceria com a Intrínseca, vamos sortear um exemplar de Para todos os garotos que já amei. Para participar, preencha o Rafflecopter abaixo e boa sorte! A primeira entrada é livre e, para mais chances, preencha as demais opções.
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Mini-opiniões: A Febre - Megan Abbott


"Na Escola Secundária de Dryden, Deenie, Lise e Gabby formam um trio inseparável. Filha do professor de química e irmã de um popular jogador de hóquei da escola, Deenie irradia a vulnerabilidade de uma típica adolescente de 16 anos. Quando Lise sofre uma inexplicável e violenta convulsão no meio de uma aula, ninguém sabe como reagir. Os boatos começam a se espalhar na mesma velocidade que outras meninas passam a ter desmaios, convulsões e tiques nervosos, deixando os médicos intrigados e os pais apavorados. Os ataques seriam efeito colateral de uma vacina contra HPV? Envoltos em teorias e especulações, o pânico rapidamente se alastra pela escola e pela cidade, ameaçando a frágil sensação de segurança daquelas pessoas, que não conseguem compreender a causa da doença terrível e misteriosa."

Depois de ouvir sobre A Febre durante a Bienal, imediatamente o coloquei na minha lista de leituras, afinal prometia ser um grande e instigante mistério. O livro tem um ritmo diferente, enquanto eu esperava uma linha interrupta de fatos, daquelas que não conseguimos largar até concluir, A Febre apresenta cenas quebradas, indo e vindo através de personagens diferentes, ora focando no "mistério", ora na rotina e dramas pessoais. Isso foi um obstáculo pra mim, pois não via relevância daquilo no enredo. 

Sabe quando transformam um livro em série televisiva e aí surgem vários personagens com histórias paralelas para preencher o enredo? A minha sensação aqui foi essa, só que como se pegassem a série e transformassem em livro. Nisso, surgiu outro problema: queria prestar atenção em tudo, pois como estava lendo um suspense, queria estar atenta aos detalhes para pegar pistas. E nisso foram três meses pra conseguir concluir a leitura de um livro de pouco mais que 250 páginas. E todos os detalhes serviram para: nada. Eu acreditei que o final guardava algo surpreendente, que me fizesse pensar "nossa, que idiota eu fui, a autora é genial 😱", mas não, simplesmente não.

Não encontrei o que procurava, não achei "sombrio, perturbador e estranhamente fascinante" como o blurb de ninguém menos que Gillian Flynn. Fica pra próxima, Megan.

P.S. Este mesmo texto vocês podem encontrar no meu instagram - estou sempre comentando minhas leituras por lá, então fiquem à vontade para seguir :) @ceilem

Gelo Negro - Becca Fitzpatrick

"Britt Pfeiffer passou meses se preparando para uma trilha na Cordilheira Teton, um lugar cheio de mistérios. Antes mesmo de chegar à cabana nas montanhas, ela e a melhor amiga, Korbie, enfrentam uma nevasca avassaladora e são obrigadas a abandonar o carro e procurar ajuda. As duas acabam sendo acolhidas por dois homens atraentes e imaginam que estão em segurança.
Os homens, porém, são criminosos foragidos e as fazem reféns. Para sobreviver, Britt precisará enfrentar o frio e a neve para guiar os sequestradores para fora das montanhas. Durante a arriscada jornada em meio à natureza selvagem, um homem se mostra mais um aliado do que um inimigo, e Britt acaba se deixando envolver. Será que ela pode confiar nele? Sua vida dependerá dessa resposta." Sinopse retirada do Skoob.

Você deve conhecer Becca de outros carnavais ou, mais precisamente, de outros livros. Ela é autora da série Hush, Hush que conta a história dos inesquecíveis Nora e Patch (shippo fortemente). A minha ansiedade para Black Ice era gigante desde o seu anúncio, com o lançamento de Finale - era uma promessa de mais uma ótima leitura e mais um caso de amor com um livro dela. Sério, eu tinha certeza que iria amar, porque na minha cabeça não tinha como essa mulher escrever alguma coisa que não me agradasse. Agora podem imaginar a minha decepção. A sensação é exatamente essa:

Eu e Gelo Negro, claramente
Não sou expert em thrillers e suspenses, mas sempre espero algo que me prenda do início a fim, me dê medinho e me faça desconfiar de tudo e todos. Não sei, acho o mínimo. E eu sei que a Becca tem capacidade pra isso, porque eu sentia um pouquinho de cada coisa em Hush, Hush - e olha que isso nem era o principal. Qual a dificuldade de colocar o suspense em primeiro plano e trabalhá-lo bem então? Complicado responder, já que ela misturou com romance e tudo pareceu ficar primário demais, como um primeiro livro da autora e não sua quinta obra. 

A ambientação é algo a se elogiar: apesar de nunca ter visto neve, me senti presa numa montanha escura, cheia de árvores e com gelo em todo canto. Eu via cada coisinha que era descrita, sentia frio como os personagens, ficava sem ar ao sair correndo junto com a protagonista e ouvia o barulho do helicóptero. Mas todas as sensações eram relacionadas ao ambiente, nada com os sentimentos dos personagens. Apesar de ver certo girl power em Britt e sentir certo orgulho nisso (na representação literária mais precisamente, não na personagem em si), não senti muita empatia e algumas vezes me peguei pensando que tipo de alucinógenos ela poderia estar usando e que não era contado no livro, porque não é possível (não vou comentar mais sobre, por motivos de: spoiler).

O romance... vamos lá: tinha mesmo necessidade? Sou a rainha da shippagem e se estou questionando isso é porque tem alguma coisa muito errada ali. Ok, a autora até tenta dar uma sequência fofa, mas não cabe ali naquela situação, entende? Eu sei que no final as coisas parecem menos loucas, mas a gente (como a personagem) só sabe realmente no desfecho, então continuo com a tese de loucura. Era caso de vida e morte? Sim. Era extremo? Sim. Era desesperador? Sim. Então, pra quê?

Sobre o final, digo que Becca acertou nas reviravoltas, mas não necessariamente foi surpreendente. Legal para os desatentos, previsível para quem já desconfia do óbvio e ok pra mim, que me vejo num ponto intermediário, justamente pela minha falta de contato com esse tipo de leitura.     

No final, Gelo Negro foi uma leitura mediana, com alguns acertos isolados da autora, mas que não teve algo que desse liga entre eles. Muito da minha decepção vem da expectativa com a autora, confesso, mas não vejo como não esperar algo bom dela. O que me deixa ainda mais triste é ver que todos os elementos para a trama perfeita estão presentes, mas não são bem explorados e utilizados. Vamos tentar de novo, né?

Lobos de Loki - K. L. Armstrong & M. A. Marr

Para Matt Thorsen, o fato de ser um dos descendentes de Thor, o deus do Trovão, não fazia muita diferença. Junto com vários outros descendentes de Thor e seu meio-irmão, Loki, o garoto levava uma vida normal em Blackwell, pequena cidade em Dakota do Sul. Matt conhece cada deus, história e detalhes dos mitos nórdicos. Mas conhecer cada lenda é uma coisa, acreditar é outra completamente diferente. Quando as runas revelam que o Ragnarok, ou fim do mundo, está próximo, e que Matt deve lutar pelos deuses para evitar o apocalipse, o garoto tem uma certa dificuldade em acreditar. Afinal, entre todos os Thorsen, Matt é o mais novo e até hoje nunca demonstrou o mesmo potencial dos seus irmãos mais velhos.

Porém, seu avô parece acreditar que o garoto pode cumprir seu destino, e mais: depois da vitória, Matt deve ser sacrificado para o surgimento de uma nova era dominada pelos descendentes de Thor. Agora, Matt sabe que tem de encontrar os outros descendentes e se preparar para a batalha definitiva. Com a ajuda relutante dos primos Fen e Laurie, descendentes de Loki, o jovem parte em uma incrível aventura trazendo lendas nórdicas para nosso tempo em uma jornada fantástica cheia de surpresas e com personagens cativantes.

O que dizer de um livro REPLETO de algo pelo qual sou apaixonada? Sim, poderia ser suspeita caso o livro tivesse levando as cinco estrelinhas, hein? Mas vou explicar o porquê dele ter perdido uma.

Lobos de Loki, no geral, tem uma história cheia de ação e realmente envolve o leitor. No entanto, ele começa com um ritmo um pouco lento, o que me fez deixar a leitura de lado umas três vezes. Já fazia um tempo que não lia algo mais juvenil e acabei me interessando por conta do LOKI gritante na capa. Hahaha! É óbvio que teria mitologia nórdica envolvida, né? Passado a parte de familiarização dos personagens, chega o momento em que você começa a se situar na história e aí a leitura passa a fluir.

A narrativa em terceira pessoa também é um ponto positivo, pois nos permite acompanhar ambos os descendentes (Fen e Matt) e a perspectiva dos diferentes "deuses" torna a história mais interessante. As autoras também uniram fantasia ao mundo real, entrelaçando fatos importantes da história dos EUA com lendas da mitologia escandinava, o que nos faz acreditar que, no livro, haviam descendentes dos deuses em todas as partes do mundo e que eles usavam o pouco de poder que lhes fora concedido como mortais. Além disso, criaturas como trolls ainda andam soltas por aí.

Matt é um personagem fácil de se gostar. Ele é bom, prestativo, correto... Totalmente o contrário de Fen, que é problemático, sempre está metido em confusão e adora uma boa briga. Laurie é a prima que tenta colocar juízo em Fen, foge de problemas, mas não é a garotinha frágil que se imagina. Matt e Fen não se dão muito bem, até porque é da natureza deles (Loki e Thor não eram exatamente exemplos de melhores amigos), mas se veem meio que obrigados a trabalharem juntos em prol de um bem maior. kkkk... Essa frase pareceu lição de livro de autoajuda

Eu gostei bastante do livro, só entristece saber que é mais uma série. É o primeiro volume das Crônicas de Blackwell e já está sendo chamado de "Percy Jackson da mitologia nórdica". Não costumo comparar obras, e nem vou fazê-lo, mas a premissa é a mesma: jovens descendentes de deuses e que têm grandes missões aqui na Terra. Recomendo a leitura para quem gosta de mitologia, aventura e não se importa com personagens mais novos (o protagonista tem 13 anos e a média de idade é essa).

Não é uma história perfeita e nem uma enciclopédia sobre lendas e deuses (antes que alguém diga que a verdadeira história o fulano é assim e assado). É um livro de entretenimento, voltado para um público mais novo e não tem obrigação de narrar a mitologia desde os primórdios. Digo isso porque li comentários por aí indignados porque as autoras foram muito superficiais e mudaram alguns aspectos, etc. etc. etc. E tipo... É sério isso?

Então, leia a sinopse de novo, leia outras resenhas e leia o livro com suas dúvidas esclarecidas, ok?

Beijão,

Joyland - Stephen King

O último adeus sempre chegava e, quando você via a escuridão se aproximando, se agarrava ao que era alegre e bom. Com todas as forças.


O universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, esperando esquecer a namorada que partiu seu coração. No entanto, é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre; a vítima de um serial killer. Linda Gray foi morta há anos no parque Joyland e, diz a lenda, que seu espírito ainda assombrava o trem fantasma. E não demora muito para que Devin embarque em sua própria investigação tentando juntar as pontas soltas do caso.

O assassino continua à solta, mas o espírito de Linda precisa ser “libertado” e, para isso, Dev conta com a ajuda de Mike, um menino com um dom especial e uma doença grave. O destino dessa criança e a realidade sombria da vida vêm à tona nessa história eletrizante sobre amor e perda, crescer e envelhecer, repleta de mistério e que muitas pessoas sequer tiveram a chance de conhecer, pois a morte chegou cedo demais.

Não posso negar que essa foi, de fato, minha primeira experiência (literária) com King. Já tive a oportunidade de assistir algumas adaptações baseadas em suas obras e, definitivamente, não fazem meu tipo - tanto de leitura, quanto de filme. Porém, o que me interessou em Joyland foi a proposta um pouco diferente do autor. Claro, ainda há seu toque sobrenatural, mas passa bem longe em relação a ser "assustador".

Não é à toa que o chamam de mestre. King tem uma escrita apuradíssima, envolvente, inteligente e conta sua história incrivelmente bem. Joyland é dinâmico até certo ponto: ele não possui capítulos. O que incomodou, de certa maneira. Veja bem, você aguarda aquela pausa necessária por diversas razões, mas ela nunca chega. Há aquelas divisões básicas, cujo os autores colocam sinais gráficos para indicar que AQUELE momento acabou por ali, mas que não é a mesma coisa. Enfim, me incomodou.

O que mais me agradou aqui foi a questão emocional das personagens, a agregação de valores sentimentais viscerais do ser humano, a superação que enfrentamos todos os dias, pois viver é uma luta constate - embora cada um lute num grau de dificuldade diferente. O lado investigativo de Dev também foi um ponto muito positivo, deixando a atmosfera de suspense falar mais alto em alguns momentos. Não achei sombrio. É apenas misterioso. Mesmo gostando da história, no geral, esperava uma revelação MAIS bombástica no final e fiquei um pouco frustrada. 

A narração também é um pouco interessante, mesmo sendo em primeira pessoa, de vez em quando a sensação é de que Dev não é o único locutor (mas é). Ele é quem decide por onde começar, que partes cortar e quando vai terminar. Ou seja, o livro já se inicia com o próprio Dav contando sua história.

O ano de 1973 foi o do embargo do petróleo da Opep, o ano em que Richard Nixon anunciou que não era um criminoso, o ano em que os atores Edward G. Robinson e Noel Coward morreram. Foi o ano perdido de Devin Jones. Eu era um virgem de vinte e um anos com  aspirações literárias. Tinha três calças jeans, quatro cuecas, um Ford velho (com rádio bom), pensamentos suicidas eventuais e um coração partido. Que fofo, hein?

Não diria que foi uma leitura extraordinária, mas foi surpreendente e bastante prazerosa. Indico o livro, principalmente, pra quem ainda não leu nada do King (como eu), pois posso garantir que não tem nada que nos tire o sono, como nas várias obras do mestre do terror. Hahaha! O próximo livro que lerei dele será Sob a Redoma, que só estou aguardando chegar. E, claro, já sabendo que não tem nada a ver com a série (exceto a redoma). Hehe!

Então, gente, comprem seus bilhetes e embarquem nessa aventura em Joyland.

Beijão.

A Caverna das Maravilhas - Matthew J. Kirby

O quinto livro chega, e com ele, a décima segunda (9° fatura) viagem no tempo.

Riq, Dak e Sera saem da Grande Muralha, na China, e chegam em Bagdá, no ano 1258. É nessa época em que os Mongóis vão invadir a cidade, destruindo-a por inteiro, inclusive suas bibliotecas. Um vídeo no SQuare (sim, um vídeo) confirmou o que eles precisavam fazer para corrigir a Fatura daquela vez. Por um lado, a Fatura não era algo grande, como quem descobriria a América, mas sim um pequeno detalhe: este, sim, poderia mudar tudo.

— O SQuare de vocês não tem nenhuma informação sobre a Fatura Fundamental — explicou Mari — porque nós não tínhamos nenhuma quando o configuramos. Caso vocês consigam corrigir a Fratura de Bagdá, teremos essas informações no presente. Isso significa que vocês deverão voltar em algum momento para buscar um novo SQuare.

Os três viajantes no tempo precisavam salvar livros escritos por Aristóteles, livros estes que apontam para a tal Fatura Fundamental, a primeira grande Fatura. Ela seria a missão final deles. O problema é que, para terem informações sobre a Fatura, precisavam voltar para o presente antes do tempo, o que significava um risco ENORME!

O corpo de Riq tremeu inteiro, como se ele tivesse saído de pijama no meio da neve. Como todos os Guardiões da História sabiam muito bem, depois que eles entraram na corrente do tempo, seria perigoso demais voltar ao presente antes de corrigir todas as Faturas. Era impossível prever o que poderia acontecer. Paradoxos. Buracos no tecido da realidade. O fim do Universo. Mas Riq tinha algo mais a temer.

Matthew J. Kirby soube manter as características de cada personagem neste novo livro, o que não deixa de me surpreender: o gosto de Dak por queijo e seu fanatismo em contar cada detalhe da História; a expressão “pelo amor” de Sara e sua constante preocupação com o Cataclismo (que ela presenciou); e os pensamentos de Riq para com a jovem Maia e sua preocupação para com sua existência. Também aprovei a evolução dos personagens: Riq, deixando de ser arrogante; e Sera, se preocupando mais. Apenas Dak não mudou muito, me fazendo lembrar de que é apenas uma criança.

O livro curto não nos deu uma visão muito ampla de cultura e costumes, como foi no último livro, mas também não teve muita importância. A missão, em si, penetrava bem a estória, já que o vídeo no SQuare não podia informar quem era o Guardião da História naquela época, deixando as crianças no escuro. Felizmente eles tiveram uma ajudinha, rsrs.

As pequenas impressões deixadas, as pequenas pistas, e o fato de que um único fracasso pode colocar tudo a perder, nos deixam curiosos para continuar a série. Uma leitura rápida, fluente e simples, que faz se apaixonar conhecedores e leigos em História.