Nada Dramática - Dayse Dantas

Eu não sabia muito o que esperar de Nada Dramática. A capa era bem legal, mas logo de início achei que não era o público-alvo. Isso não fez com que eu perdesse a vontade de lê-lo, porque só por ser da Dayse eu já leria - porque eu a acho uma das pessoas mais engraçadas que já vi no twitter - e assim que consegui comprar o meu exemplar, descobri que esse livro me abrangia também. E, na verdade, abrange a todos.

Camilla Pinheiro é uma adolescente de 17 anos que não é nada dramática. No terceiro ano do Ensino Médio, a garota se orgulha em dizer que nunca viveu nenhum drama adolescente durante todo o tempo em que esteve nele, e acha tudo isso uma grande bobagem. Nenhuma paixão arrebatadora, nenhuma intriguinha, nenhuma desavença. É claro que tudo isso existia, mas nada era motivo de tanto drama.

O problema se dá quando é envolvida em um drama do qual não faz parte, e acaba passando a imagem para toda a sua sala de que é apaixonada pelo seu melhor amigo, Thiago. E como se isso já não bastasse, acaba entrando em mais e mais dramas e conflitos, percebendo tardiamente que sua vida virou um grande drama. Encaixando tempo entre postar no seu blog as aventuras de sua personagem fictícia, Agente C, estudar para todos os vestibulares que vai prestar e ainda por cima administrar sua vida familiar, Camilla ainda precisa achar uma brecha para encaixar também o amor, que percebe que infelizmente não conseguiu evitar.

Eu acho que esse livro é muito bom para todas as idades (e não só para aqueles que estão no Ensino Médio) porque eu vivi muito do que Camilla vive nesse livro, e me senti muito próximo da protagonista. Quem nunca se sentiu pressionado no terceiro ano, ao ver que estava no fim da escola e PRECISAVA estar na faculdade? (Mesmo que, depois que tudo isso passe, a gente perceba que não é bem assim.) Quem nunca se meteu em encrencas relacionadas à romance? (E nem precisa ser o seu, mas sempre tem o daquele amigo ou amiga, que você acaba entrando por acaso no meio!) Quem nunca teve que estudar até sentir o cérebro cansado para aquela prova ou para aquele vestibular? Quem nunca teve problemas familiares? Camilla tem tudo isso e mais um pouco. A gente vai vendo, com o passar do livro, que aqueles problemas são reais e palpáveis, e que podem acontecer com qualquer um.

O que mais me deixou feliz foi ver que são coisas que acontecem com a gente NO BRASIL. Existem vários romances nesse estilo de adolescentes que tem armários, (gente, sério, existe alguma escola no Brasil que use armários?) líderes de torcida, banda da escola e uma porrada de coisas que muitas vezes são interessantes de se ver em um livro, mas que não representam aquilo que nós, brasileiros, passamos nos anos escolares, e sim estadunidenses. Mas em Nada Dramática, as coisas pelas quais Camilla passa são as que eu passei também no Ensino Médio, e cheguei até a rir de algumas situações que são MUITO verdadeiras, e que aconteceram bastante comigo. Eles não tem armários, não tem líderes de torcida, não tem aquelas festas em casas tipicamente americanas e nem nada disso. Achei esse ponto bem legal, e uma coisa bastante em falta na nossa literatura juvenil. Além disso, todos os amigos da Camilla são pessoas bem divertidas e "encontráveis", aqueles amigos que todos nós, espero, temos (ou tivemos) no dia-a-dia escolar. E claro, torci DEMAIS pelo meu ship nesse livro, que felizmente se concretizou nas últimas páginas (e COMO SOFRI esperando e vendo que nenhuma das partes ia tomar a iniciativa.)

Enfim, esse foi um livro muito especial pra mim, porque trouxe de volta toda a minha nostalgia de Ensino Médio num momento bem dramático da minha vida familiar, e Camilla meio que me ajudou a passar por tudo isso. Foi bem bacana, mesmo eu tendo 19 anos e sendo um menino.

Acho que esse livro é feito para todos, e todos deveriam lê-lo. Dayse escreve maravilhosamente bem, num misto de Lemony Snicket com Meg Cabot e mais alguns outros autores que, ao meu ver, são legais demais. E não se engane: ela tem uma forma toda autêntica de narrar as coisas também. E, por mais que a capa não seja das mais convidativas para um menino, recomendo! O livro é bem divertido e bem gostoso de se ler.

Os 10 posts mais acessados em 2013

Eu ainda quero fazer um post com os melhores livros que li esse ano, mas como não estou em casa (e quero escrever olhando para cada um deles), resolvi fazer este post - e, sempre que olho para os posts mais acessados em um certo período no Analytics, acho o resultado um tanto quanto curioso.


E quem diria que um simples tweet após uma postagem no instagram alteraria tanto os resultados do blog. Levei a ideia para a equipe do blog e todos ficaram muito empolgados e, assim, o Renato trouxe este primeiro post que se tornou o post mais visto da história do blog. Algumas pessoas já conheciam a história "original", mas muitas outras ficaram horrorizadas com as coisas que contamos (inclusive eu). Ainda fico agoniada ao lembrar que a Branca de Neve castigou a Madrasta e a fez dançar com sapatos em brasa (até a morte!). Vale a pena ler (e acompanhar os demais posts da série neste link).


Olha só, não sou de toda falidora. Também dei dicas para economizar na hora de comprar. Eu não consigo mais comprar um livro sem comparar trilhões de preços, lojas e esperar promoções realmente boas. Imagino que vocês também não, certo?



Tá aí um post que muitos brigaram comigo porque estava levando as pessoas a falirem. É, são tantas coisas legais que dá vontade de ter tudo (fora que tem muitas coisas nas lojas que eu nem coloquei neste post). Farei mais vezes, com certeza! Se é pra falir, que sejamos unidos!



Um dos meus livros favoritos do ano (e da vida). Foi bem difícil escrever essa resenha, porque simplesmente não consegui colocar em palavras a grandeza dessa história. A Chris é uma das minhas autoras preferidas e arrebatou meu coração com esta distopia. Claro, nem sei o que dizer, mas vocês podem ter uma ideia lendo a resenha (e o livro, claro).


Bem, eu não li - ainda - o livro de Stephen Chboskyf, mas a Duda leu e postou algumas músicas que são citadas no livro por Charlie (o protagonista). Muitas pessoas buscam no google por "músicas as vantagens de ser invisível" e graças à paciência da Duda em procurá-las, temos a resposta. HÁ.


Isso mesmo, aquela série de posts destinada a cortar corações e destruir infâncias. Aqui descobrimos (ou em alguns casos) relembramos que Ariel nem mesmo era Ariel (ela não tinha nome). O Renato contou também que o final não foi nada feliz. Agora o que não sai da minha mente é: a sensação de ter facas enfiadas na perna enquanto dança para o príncipe. É.


Fiz este post para a semana #TeoremaJohnGreen onde, juntamente da Intrínseca, fizemos a divulgação do então lançamento O Teorema Katherine. Se tem um termo que rende bastante visitas para o blog é John Green (e variações) e acredito que muitas pessoas ouvem falar dele e querem saber quem é esse cara que todo mundo fala. O mais legal é ver que o post foi ao ar em março e estávamos no lançamento do 3º livro dele aqui. Hoje temos todos os 6. E que ele escreva mais, por favor.


Começar a coluna "Precisamos falar sobre" foi muito especial pra mim. Eu me sentia num verdadeiro divã falando das minhas alegrias (como descobri mais tarde) e desgostos literários. Neste post falei daqueles livros que tinha altas expectativas, consegui ler até o final e simplesmente não funcionou. Foi decepção das grandes.


Este foi o primeiro post que assumi abandonar de vez alguns livros. Eu tinha uma coisa de que era inadmissível abandonar o pobre coitado, mas percebi que sou mais feliz quando simplesmente os deixo de lado. Parei de me frustar por não conseguir concluir uma leitura e parti para leituras que me prendiam e me agradavam (mesmo que eu não goste de um livro ou outro). Abandonar é deixar viver \o/ HAHAHA. É um dos posts que - particularmente - mais gosto e foi mais legal escrever. Este também é um post que tem os comentários mais legais de se ler. 


Cinder foi uma grande surpresa para mim este ano - uma releitura futurística do clássico Cinderela que trouxe tantas coisas interessantes (e clichês, claro) e me deixou louca pela continuação. Todo o mundo pós-guerra que a autora criou e a dinâmica dos governos (e ainda o poder dos Lunares) me deixaram fascinada. 

Engraçado que alguns posts são de 2012, mas a verdade é que gosto de todos eles. Aguardem, então, (quando eu voltar para casa) um post com os livros que mais gostei e mais algum post especial. Espero que janeiro seja um mês bem saudoso com relação às leituras de 2013.

Quem fez (que eu vi) este post com os mais acessados foram os blogs Babi Lorentz e Who's Thanny?

Cósmico - Frank Cottrell Boyce

Uma releitura da Fantástica Fábrica de Chocolate só que mais moderna.

Apesar de a leitura ser rápida e leve, Cósmico não foi um livro que me agradou. Talvez não estivesse no clima de aventuras pelo espaço ou perdi a paciência pelo protagonista em várias situações, não sei. A maioria dos acontecimentos era bastante surreal e não consegui deixar a mente aberta.

Liam vive em Liverpool e tem 12 anos. Ele é um garoto alto, muito alto para sua idade. Ele tem barba e é muitas vezes confundido por um adulto. O que é um problema, mas para Liam é pura diversão. Sendo um apaixonado por parques de diversões, ele vai entrar em vários problemas, incluindo visitar acidentalmente o espaço.

“Mãe, pai... Se vocês estão ouvindo... Lembram que eu disse que ia ao Centro de Atividades da Região dos Lagos com o colégio? Para ser completamente sincero, não estou exatamente na região dos lagos. Para ser completamente sincero, estou mais, tipo, no espaço.”

O autor aborda várias questões nesse livro não só para as crianças, mas também para os adultos. Por exemplo: Os pais das outras crianças são duros com elas, eles querem que seus filhos sejam os melhores dos melhores, e fica na cara que todas as crianças são mesquinhas e bastante competitivas. É claro que competição é legal se for saudável e não passar por cima dos outros. Então, o autor Frank Boyce aborda muito bem o lado dos pais. Não profundamente, já que é um livro infanto-juvenil, mas é bem delicado.

Também tem o lado de Liam, uma criança de 12 anos que mentiu para seus pais e foi com sua melhor amiga para um Parque de diversão sem autorização de um adulto, já que para os outros pais, Liam é o responsável.

Os personagens são bem trabalhados. No entanto, Liam é muitas vezes um garoto chato, muito forçado. Flórida, a sua melhor amiga, é muito mais divertida, e se impõe muito mais que ele.

"Você não seria uma figura solitária se as pessoas te seguissem gritando "Senhor, senhor!", "Wolverine!", ou "Ei, você aí em cima!" um milhão de vezes por dia? O que esperavam de mim? Que encolhesse?"

Mesmo não curtindo a história, é um livro bom e divertido para todas as idades.

Pausa - Colleen Hoover

O lançamento de Pausa aconteceu até que bem próximo de Métrica, se considerarmos a velocidade de lançamentos de continuações aqui no Brasil. Entendo que se trata de um New Adult e é preciso aproveitar a alta do gênero. Por conta dessa "rapidez", consegui ler Pausa imediatamente, mas sinto que, se adiasse mais, minha vontade se anularia, pois, apesar de ter favoritado o primeiro livro, sei de inúmeros defeitos que me afastariam dele.

Enquanto a rotina torna-se cansativa, minando o tempo para namorar do casal, eles procuram uma oportunidade para terem sua primeira noite juntos. Tudo parece conspirar contra, mas eles seguem esperançosos pelo grande momento. Enquanto isso, continuam cuidando um do outro, dividindo os cuidados com os irmãos e os estudos.

Will e Lake têm histórias em comum, passaram por traumas semelhantes e têm uma vida cheia de responsabilidades de adultos. Tudo isso pode tê-los aproximado, mas e se essa identificação não existisse? O que restaria de toda essa história? É a pergunta que a ex-namorada de Will faz e coloca em dúvida todos os sentimentos que um nutre pelo outro.

“Às vezes duas pessoas precisam se distanciar para perceber o quanto precisam ficar perto uma da outra.”

Pausa começa de forma um tanto quanto monótona, mas sei reconhecer que isso é reflexo da rotina - precocemente - adulta do casal. Eles estão tendo que lidar com várias coisas que jamais imaginariam ou sequer planejaram. É nítido um amadurecimento ao mesmo tempo em que a insegurança ganha voz, mas é altamente justificável. Os protagonistas estão em uma verdadeira corda-bamba e parece que a qualquer momento alguém vai perder o equilíbrio.

Eu estava estranhando que o conflito fosse se concentrar na rotina, mas a autora gerou outro - aparentemente banal - entre o casal que me fez devorar o livro (apesar de parecer bobo perante as circunstâncias). Dali pra frente, não parei mais. Quer dizer, quase. Um fato sobre mim: adoro brigas de casais literários! Claro que quando há possibilidade de reconciliação, o que, nitidamente, era o caso desses dois. Pra mim, foi o ponto alto do livro, mesmo que depois tenha acontecido algo mais grave. Esta outra coisa que aconteceu foi bem previsível e não senti a menor emoção, apesar da carga emocional das cenas (ok, confesso: só fui olhar umas páginas à frente para pegar spoiler #shame). Já tive Métrica inteiro para me acostumar com o azar desses dois (tudo de ruim vai acontecer com eles, pode acreditar), então não me surpreendeu quando a autora resolveu dar mais um trauma para eles carregarem.

Outros personagens estão bem presentes no dia-a-dia de Will e Lake e dão uma refrescada no ambiente, trazendo bons conselhos e os fazendo enxergar que todos enfrentam problemas. O slam, fortemente presente no primeiro livro, aparece pouquíssimo aqui, mas tem uma função determinante.

Para mim, Métrica e Pausa estão no mesmo nível - se você gostou do primeiro, vai (provavelmente) sentir o mesmo com esse aqui; se não gostou, sinto muito, não há muita diferença. O que esse tem de melhor - um drama/afastamento bem fundamentado, mesmo que o "fator desencadeador" seja mesquinho -, o outro tem de pior - achei tempestade num copo d'água e era algo muito fácil de reverter/descumprir. O que esse tem de ruim - uma tragédia desnecessária/apática - , Métrica tem de melhor - algo realmente relevante/determinante. Adorei o fato desse livro ser narrado pelo Will. Achei que isso só aconteceria no terceiro livro. Ele é romântico, sensível e mais maduro (I mean: menos mimimi).

Então foi assim: gostei sem nem saber o por quê exatamente, quando tinha tudo para odiar. É clichê, meloso e altamente azarento, mas algumas coisas simplesmente não têm explicação: a gente gosta e pronto.

Maratona literária e Desafio de Férias!


Nunca fui de criar metas de leitura porque simplesmente não funciona comigo. Porém, participei de uma maratona literária e, apesar de não ter me saído extraordinariamente bem, consegui cumprir minha meta (que era baixa, mas alta para o momento) e fiquei motivada a fazer outras. Tentei participar do Read-a-Thon BR de distopias (gênero que amo e tenho bastante livros ainda sem ler), mas não consegui terminar um livro sequer. Relevei porque coincidiu com a Bienal do Rio e eu, felizmente, fui viajar pra lá. Mas fato é que com uma experiência positiva, eu já queria viver numa eterna maratona. Seria essa a solução para ler todos os livros que quero? Não, óbvio que não, porque sofro de ressaca literária crônica. Quando acho que está tudo bem e rendendo, eis que a bendita surge. Mas, bem, custa nada tentar, né?

Aqui estou eu, a convite do Matheus (Carneirismo), participando de mais uma Maratona Literária plus Desafio de Férias. A maratona consiste em ler 5 livros (à escolha) em 15 dias (de 02/01/2014 a 16/01/2014). No momento tenho 20 livros que quero ler urgentemente e, com isso, seria difícil escolher, mas aí entra o desafio:
1: ler algum livro de distopia
2: ler algum livro de fantasia
3: ler algum livro infantil
4: ler algum livro com a inicial do próprio nome
5: ler algum livro com até 240 páginas

Separei meus 5 livros para o desafio, mas vou deixar outros como opções para substituição (olha, estou criando facilidades para que eu não fiquei frustrada caso abandone algum livro no meio do caminho. Espero que seja válido). O período não vai ser muito conveniente, já que vou ter que trabalhar nesses dias (justamente neles), mas vou fazer o possível para tentar.

Primeira fileira são as minhas escolhas para o desafio e a segunda são as opções de substituição
Desafios
Desafio 1: escolhi Fragmentada (Teri Terry), pois já tinha planejado a leitura para o início de dezembro, mas não rolou. É a única distopia que quero ler no momento, então ela é a escolhida. Opção: A Última Princesa (Galaxy Craze).
Desafio 2: vou de Morda-me (Sabrina Castro), porque o prólogo me deixou convencida que será uma leitura viciante. Opção: Harry Potter e a Pedra Filosofal (J.K. Rowlling).
Desafio 3: não tenho muitas opções para este desafio, então coloquei Os Gêmeos Templeton #1 (Ellis Weiner). Opção: não tem.
Desafio 4: Já tinha começado Chá de Sumiço (Marian Keys) e foi o primeiro livro que pensei que começasse com a letra C. Ele é bem grande e tinha programado lê-lo em 5 dias. Agora não sei mais. Opção: Codinome Verity (Elizabeth Wein) ou Círculo (Mats Stranderberg e Sara Bergmark Elfgren).
Desafio 5: o livro que tinha escolhido para este item acabei lendo hoje, então optei por Veneno (Sarah Pinborough). Opção: As Vantagens de Ser Invisível (Stephen Chbosky)


Como participar também:
Se você quiser participar da Maratona e/ou do Desafio, se inscreva aqui. Tem também um grupo no Facebook com informações e outros membros que participarão da Maratona, então, join us. Se você também for participar, faça o post no seu blog (ou - para quem não tem blog - no facebook) e me avisem para que eu possa linká-los aqui. Os blogs participantes (até o momento) são:

Carneirismo | Lendo ao Luar | De Cabeça para Baixo | Jantando Livros | Escondidos no Livro | Teoremas de Ana | Chá de Prosa | Lyrismo | Livros e Meninas | Clicando Livros | Até a Última Página

Essas, então, serão minhas leituras da primeira quinzena de janeiro. Vocês estão programando alguma leitura ou tirarão férias de metas também? Adoraria que participassem da Maratona comigo ;)

Bling Ring - Nancy Jo Sales

Se eu tivesse que definir esse livro em apenas uma palavra, resumindo bastante de todo o sentimento que tive enquanto lia, a palavra seria: assustador.

Nos anos de 2008 e 2009, uma coisa bastante interessante começou a acontecer nas casas dos figurões da indústria do cinema: vários roubos. Ninguém sabia direito quem eram os adolescentes vistos nas câmeras de segurança das casas, apenas sabiam que um grupo de ladrões jovens estava entrando na casa deles e roubando roupas, sapatos, jóias, drogas e dinheiro. Inicialmente, não se sabia direito onde tudo aquilo iria dar, com a ausência de culpados.

Foi só em meados de setembro de 2009 que Nick Prugo, um dos ladrões da Bling Ring (a gangue de Hollywood), botou a boca no mundo e denunciou todas as pessoas ligadas aos inúmeros roubos nas casas das mais diversas pessoas (Lindsay Lohan, Paris Hilton e Orlando Bloom são apenas alguns dos famosos roubados). O fato ficou ainda mais preocupante quando se descobriu que os ladrões não estavam indo em busca de tudo aquilo para vender e conseguir dinheiro: eles usavam muitas roupas e sapatos que roubavam, e se orgulhavam em dizer a quem pertencia suas peças de vestuário antes do roubo para os amigos. O livro se dá em um formato de reportagem jornalística, da autora Nancy Jo Sales, da Vanity Fair.

Acho que o que mais me deu medo nisso tudo foi me perguntar para onde caminhamos quando vemos coisas desse tipo acontecendo no mundo. Em 2012, quando o canal "E!" entrou para a grade de programação aqui de casa, minhas irmãs ficaram muito felizes, e assistiam incansavelmente tudo o que passava (só não aqueles reality shows ruins). Passando pela sala em um dos dias, vi sobre algumas meninas, irmãs, chamadas Kardashians, e perguntei a elas quem eram e porque eram famosas. "Elas são famosas porque são, ué..." falou minha irmã. "Mas por qual motivo?" eu perguntei, e recebi como resposta um "Por serem famosas... não tem motivo."

Já vinha achando tudo muito estranho a partir daí. Quando, enfim, comecei a ler Bling Ring, vi ali um retrato cruel do quanto principalmente as meninas tem sido bombardeadas com um mundo de glamour que, na maior parte das vezes, se mostra falso e bastante ridículo. Nancy Jo Sales rasga o verbo e não economiza ao se referir ao quanto a sociedade atual se baseia no sucesso - o sucesso apenas como sucesso, e não motivado por alguma coisa. Fiquei bastante perturbado ao ler os dados que Sales traz para o público, dados MUITO preocupantes, que mostram o quanto nós estamos sendo manipulados pela mídia para aspirarmos por uma vida de sucesso, riquezas, ostentação e um glamour desenfreado.

O primeiro capítulo do livro, que para mim poderia muito bem ser o nome do livro, é intitulado "O Monstro da Fama", e ali é retratado o porque jovens como os integrantes da Bling Ring são levados a pensar que o mundo visto na televisão e nos reality shows do E! são legais. Além disso, vemos que o quadro da nossa sociedade está muitíssimo mudado:
"Uma pesquisa feita em 2007 pelo Pew Research Center revelou que 51% dos jovens entre 18 e 25 anos afirmaram que seu mais importante objetivo na vida, ou o segundo mais importante - depois de se tornarem ricos -, era se tornarem famosos. Numa pesquisa realizada em 2005 entre estudantes americanos do ensino médio, 31% dos entrevistados afirmaram que "esperavam" se tornar famosos algum dia."

"Cerca de 43% das jovens disseram que prefeririam, quando adultas, ser "uma assistente pessoal de uma cantora ou atriz muito famosa" - numero três vezes maior do que a quantidade de gente que escolheria ser "uma senadora dos Estados Unidos" e quatro vezes maior do que as que optariam por ser "executiva de uma grande empresa, como a General Motors".
Ao ler isso, me senti muito mal. Não sei até que ponto a mídia influencia na cabeça da sociedade, mas com esses dados, uma pequena ponta do provável iceberg ficou a vista. Achei que as coisas melhorassem, mas quando vi que começaram a fazer um reality show com a vida de uma das integrantes da gangue, fiquei ainda mais chocado.

Resumindo tudo, o livro é MAGISTRAL, e realmente muito bom. Algumas pessoas podem não gostar porque ele parece uma reportagem de jornal estendida, com fotos e uma linguagem puramente jornalística boa parte do tempo. Entretanto, vale total a pena e não cansa assim tão fácil. O tema é muitíssimo interessante, e Nancy consegue captar muito bem nossa atenção. A Intrínseca também fez um trabalho muito bom na diagramação, para tudo ser mais confortável. Adorei tudo nesse livro.

O livro é legal para todo mundo, principalmente para as meninas que assistem muito E! (hahahaha). Depois desse livro, tenho certeza que muitas das suas percepções mudarão. BASTANTE!

A Infância de Jesus - J. M. Coetzee

Esse é um daqueles livros que você não sabe o que esperar dele, e acaba se surpreendendo com tudo o que ele te apresenta.


Em A Infância de Jesus, nos deparamos com a historia de Simón, um homem de meia idade que durante a travessia de navio para um novo país, para uma nova vida; que encontra David, um menino que se perdeu da mãe durante a viagem, e assim, se tornando responsável pelo garoto. Acompanhamos a busca pela mãe perdida de David, uma mulher que Simón nunca viu, e que o menino não se lembra como era. Sem conhecer ninguém, e muito menos sem saber hablar español, os dois tentam se virar como podem.


Novilla, a cidade para qual se mudam, é um lugar com pessoas dispostas a ajudar os outros e de fácil sobrevivência. Seguindo apenas sua intuição, Simón "encontra" a mãe do garoto, Inês, uma virgem de 30 anos que está disposta a reassumir o seu papel como mãe de David. E quando o faz, começa a tratar o menino como um bebe, e ele muda muito a sua personalidade; sendo assim, considerado um garoto especial, superdotado, extraordinário. 

Mas será que essa foi a melhor atitude a ser tomada? Será que o garoto é tão especial assim como eles pensam? Se sim, por que?

"Eu posso convidar você para ser meu padriño."
"Isso não é você que faz, meu menino. Não pode escolher um padrinho para você mesmo, do mesmo jeito que não pode escolher seu pai. Não tem uma palavra certa para o que sou para você, assim como não tem uma palavra certa para o que você e para mim. Mas se você quiser, pode me chamar de Tio. Quando perguntarem: Quem ele é para você?, você pode responder: Ele e meu tio. Ele e meu tio e gosta de mim. E eu vou dizer: Ele é o meu menino.           
Gente, sério, confesso que ainda estou tentando digerir esse livro. Está tudo embaralhado na minha cabeça, não sei o que falar dele. Na verdade, acho que A Infância de Jesus é um livro que ninguém consegue dar respostas prontas sobre ele. Com personagens cativantes e alguns repugnantes; sobre os principais: Simón é daqueles senhorezinhos que você tem vontade de ter como avô, que fez de tudo pelo menino e, mesmo sem querer, começou e amar o garoto. Já David é um garoto esperto, educado e querido por quase todos que o conhecem, mas que em alguns momentos fica chatinho, afinal, é uma criança (e a maioria das crianças ficam chatinhas na idade de David #sorry). E a Inés, em alguns momentos eu queria dar um tapa na cara dele e dizer "Queridinha, se toca, ta achando que é quem? A mãe de Jesus?".

Esse é um livro misterioso e intrigante. O titulo chama muita atenção, e alguns trechos também; é daqueles livros que você fica meio: SERÁ? O titulo e o trecho a seguir me deixaram pensando "será que David é uma 'encarnação' de Jesus?"

"... Agora mostre como você escreve. Escreva: Convienene que yo diga la verdad, Devo dizer a verdade. Escreva. Com-viene.” Escrevendo da esquerda para direita, traçando as letras com clareza, mesmo que devagar, o menino escreve: Yo soy la verdad, Eu sou a verdade.”           
Eu ainda não sei o que responder, mas acho que ficarei muito tempo com isso matutando na minha cabeça. O trabalho da capa ficou muito legal, adorei a foto do menininho nela (o que só entendemos no final); encontrei poucos erros de digitação, mas nada muito drástico; a unica coisa que me incomodou um pouco foi a forma das falas, são entre aspas, e não "–", eu, particularmente, acho que isso fica meio confuso . Enfim, eu gostei muito do livro, mesmo ainda confusa. Então se você gosta de filosofia, gosta de pensar, gosta de crianças, de Jesus e afins; leia o livro (e me diga se o menino é Jesus antes que eu morra com isso na cabeça, haha). Beijos, e até a próxima!

[Promoção] 1 ano do blog Leitores Possessivos


O blog Leitores Possessivos está completando um ano e chamou alguns blogs para participar da festa. Claro que o Este Já Li não ficaria de fora, né? Neste kit, serão sorteados 3 livros, mas tem outros kits sendo sorteados aqui.

Para participar, basta preencher o Rafflecopter* e boa sorte!
  a Rafflecopter giveaway
*caso tenha dúvidas sobre o Raffle, veja este tutorial.

Espero que gostem de mais esta promoção (tem várias outras rolando, veja aqui)

A verdade sobre os contos - Chapeuzinho Vermelho

Chapeuzinho Vermelho é uma garotinha que usa uma capa vermelha, que lhe rendeu o apelido. Está indo levar doces para avó doente, e indo contra o que a mãe pede, a menina pega um perigoso atalho. No caminho é interceptada pelo Lobo Mau e, diante de sua fala mansa, acaba dizendo onde vai e o que vai fazer. O Lobo a engana, chega na casa da avó de Chapeuzinho primeiro, devora a senhora e ainda veste suas roupas para esperar pela garotinha.
Quando Chapeuzinho chega na casa da avó, desconfia um pouco, mas mesmo assim conversa com ela normalmente, naquele famoso diálogo (“vovó, que dentes grandes você tem!”). O Lobo então se revela. Chapeuzinho, ágil que só, consegue fugir. Um caçador ouve os gritos, mata o Lobo, tira a velha da barriga dele e salva todo mundo. ÊÊÊ!!! Final feliz! Os humanos estão vivos, o bem venceu, o mal perdeu, todo mundo tá feliz, faz uma dancinha, canta uma musiquinha, festeja e tudo acaba no felizes para sempre. Oooobaaaa!!!!
SÓ QUE NÃO!

Como sugere a matéria, esses são os contos de fadas originais. Começamos com a Branca de Neve, depois A Pequena Sereia e também a Rapunzel. Agora é a vez da Chapeuzinho Vermelho. História meio triste né, já que o lobo jantou a vovó dela e tal... O problema é que ele não foi o único.
Vamos começar.

1. Até parece que essa história de ser pega pelo lobo é real... lobo é coisa de zoológico!
Entretanto, estamos falando de outro tempo! Naquela época existiam mesmo ataques de lobos, e ninguém quer que pessoas sejam devoradas por lobos por não saberem daquele pequeno detalhe. Essa é uma das explicações para a origem do conto da Chapeuzinho. A outra explicação está no fato dos camponeses deixarem seus filhos sozinhos em casa, então eles precisavam alertar seus filhos para que não fossem para as florestas perigosas e bosques na ausência dos pais. Bem, se eram esses os motivos, a história não poderia ter o típico final feliz. Afinal, o objetivo era apavorar as criancinhas para que elas respeitassem os pais e ficassem em casa, sem se aventurar sozinhas pela floresta.
opa, péra, é OTO lobo
2. Mas até aí não tivemos nada macabro... certo?
Mais ou menos! É de Charles Perrault a versão impressa mais antiga, então vamos considerar a sua versão como a “original”. Nela, Chapeuzinho é uma jovem bonita e educada, que está levando os doces para a avó doente. Porém, no caminho, ela é enganada pelo lobo, que a recomenda o caminho mais longo como atalho. Assim, ele chega antes na casa da avó de Chapeuzinho, fatia a velha (IRC!) e coloca seu sangue em uma garrafa. Quando Chapeuzinho chega o lobo, disfarçado, oferece a carne e o sangue (como se fosse vinho) para a garota, que come e bebe sem de nada desconfiar (!!!!!!!!!!!!!). Sim, vocês leram direito. Ela come a carne da avó e bebe seu sangue como se fosse vinho!
Pra quem conhece os mitos gregos (e pra quem não conhece, dá pra conhecer aqui!), essa ideia de comer um ser humano é muito presente no ciclo de tragédias da Orestéia, quando o Atreu, o cara que foi chifrado pelo Tiestes, mata o filho de Tiestes e o serve no jantar para o qual ele foi convidado. Tiestes come o próprio filho e só depois é que Atreu confessa tudo para ele. É assim que Atreu faz com que sua família (e sua linhagem) sejam amaldiçoadas.
Pela estrada afora eu vou bOH WAIT!
3. Eca! Que bom que acabou...
Ainda não! Depois disso, o lobo pede para que ela tire suas roupas, as jogue na lareira, e se deite nua com ele. Ao fazer isso, Chapeuzinho comenta sobre o tamanho da “vovó”, sobre como é peluda (é para te esquentar, minha neta), como tem os ombros largos (são para te carregar nas costas, minha neta) e como é duro e longo o que a “vovó” tem entre as pernas (é para saber quando estou feliz), finalizando com “Como você tem os dentes grandes, vovó!”. Então o lobo a devora. Fim. Sem final feliz. Em outra versão, depois que Chapeuzinho tira suas roupas e vai se deitar com o Lobo, ela, desconfiada, diz que quer fazer xixi (os banheiros, naquela época, eram do lado de fora). Ele pede para que ela faça ali mesmo, na cama, porém a garota insiste e, quando ele cede, ela consegue fugir. Esse é o final feliz.
Muito se comenta sobre essa parte do conto. Isso porque o conto servia para que as meninas prestassem a atenção nos homens com quem estavam flertando, já que muitos deles tinham a fala mansa, mas eram, na verdade, um verdadeiro Lobo Mau.  Era um tipo de "prevenção de estupro", pra que as meninas nunca ficassem sozinhas com homens e nem confiassem neles plenamente. Discussões sobre machismo à parte, esse era o modo mais "eficiente" de prevenir os tais crimes na época.
Chapeuzinho original não curtiu essa safadeza
4. Mas e o caçador?
Ah sim! O caçador ultimamente tem ganhado um bom papel na história da Chapeuzinho, né? Apenas com os irmãos Grimm (alguém já ouviu falar deles? rsrsrsrs) é que a história ganha a figura do caçador, com a morte do lobo e o resgate da vovó e da Chapeuzinho. Pelo menos nisso eles economizaram o drama!


5. Adoro essa histórinha da Chapeuzinho!
Pra nós Chapeuzinho Vermelho pode sim ser só uma histórinha, mas como vocês devem ter percebido, as diferentes versões servem para alertar sobre várias coisas. Ora o ataque dos lobos, ora para apavorar as crianças para que não se aventurassem pelas florestas sozinhas, ora para que não ouvissem conselhos de estranhos, ora o caráter sexual para as jovens. De qualquer forma, não eram contos apenas para entretenimento. Eram o jeito dos adultos daquela época a alertarem seus filhos e filhas. Não muito diferente das histórias do homem do saco preto ou da Cuca que contamos às crianças de hoje em dia (ainda contam, né? Tô meio desatualizada...).



Livros:
- Contos da Infância e do Lar - Jacob e Willhelm Grimm. Editora Temas e Debates.
- A Garota da Capa Vermelha - Sarah Blakley-Cartwright. Editora iD.

Filmes:
- Deu a louca na Chapeuzinho - Cory Edwards. (2004)
- Deu a louca na Chapeuzinho 2 - Mike Disa. (2011)
- A Garota da Capa Vermelha - Catherine Hardwicke. (2011)

[Promoção] Concorra aos livros do John Green


Olá, leitores! John Green é um dos autores queridinhos da atualidade e agora, no Brasil, temos todos os livros dele publicados! Então imagine você ganhar todos eles de uma vez? Os blogs Carneirismo, Drafts da Nica, Este Já Li , Escondidos no Livro, Estante Vertical e Livros e Citações se uniram para dar este mega presente para um único sortudo. 

Para concorrer, preencha o Rafflecopter* abaixo e boa sorte! 

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*caso tenha alguma dúvida de como utilizar o formulário, veja este tutorial.

Informações: 
- A promoção termina em 20/01/2014 e, após o resultado, entraremos em contato com o ganhador. Este terá o prazo de 72 horas para responder o email, caso contrário, um novo sorteio será feito; 
- É necessário ter endereço de entrega no Brasil; 
- O prazo de envio dos prêmios é de 30 dias; 
- Os blogs não se responsabilizam por danos ou extravios dos Correios; 
- Os livros chegarão em datas diferentes, pois cada blog enviará um exemplar; 
- Perfis exclusivos de promoção, se sorteados, serão desclassificados.

[Promoção] Não Pare! Concorra a um Kindle

Promoção: Não Pare! É a sua chance de ganhar um Kindle! 

Olá leitores! Vocês conhecem o livro Não Pare! e Não Olhe! da autora nacional FML Pepper? Para encerrar 2013 com chave de ouro e iniciar 2014 com muitas leituras, 30 blogs se reuniram para presentear um leitor com os prêmios:

• 1 leitor digital KINDLE*,
• 1 e-book de NÃO PARE!,
•1 e-book de NÃO OLHE!,
• 1 camisa de NÃO PARE!,
• Bottons e marcadores de NÃO PARE!

Para concorrer preencha o Formulário do Rafflecopter:

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Regulamento Geral: Será aceito apenas uma participação por pessoa. Atente para os requisitos obrigatórios. Você só pode participar por um blog, escolha um dos 30 e coloque o nome do blog/site por onde está participando da promoção no campo onde exige. Os prêmios serão enviados em até tinta dias após o término da promoção. Promoção válida de 22/12/2013 à 22/01/2014. Reservamos os direitos de qualquer alteração sem aviso prévio.

* Kindle com Wi-Fi, tela de alto contraste de 6”

Boa sorte ;)

Sombras Vivas - Cornellia Funke

CUIDADO: Spoiler do primeiro livro.


Nesse segundo livro a magia e a tecnologia estão entrelaçadas de uma maneira raramente vista.

Jacob conseguiu, através de um acordo com a Fada Vermelha, salvar a vida de seu irmão. Infelizmente esse acordo exige um preço muito caro: a sua vida. Porém como no Mundo do Espelho para tudo há a POSSIBILIDADE de uma cura, Jacob vai através dela junto com Fux. Meses se passam e ele já tentou inúmeros artefatos mágicos, e a mariposa que em breve lhe devorará o coração continua em seu peito.

“— A Escura vai usar a marca da irmã para conseguir o nome de volta. Essa mariposa no seu coração vai despertar para a vida. Não será agradável. Quando ela se soltar da sua carne e sair voando, você estará morto. Talvez restem alguns minutos, talvez uma hora... Mas não haverá salvação. — Ela se virou bruscamente. Alma detestava quando alguém a via chorar. — Eu gostaria de poder fazer alguma coisa — ela disse baixinho —, mas as fadas são mais poderosas do que eu. Por serem imortais.”

Graças a um comentário do anão Valiant (que eu ainda não sei se desprezo completamente ou fico grata por suas “participações amigas”) Jacob lembra que ainda há mais algo para se buscar: uma balestra que, com um disparo de ódio é capaz de dizimar um exército inteiro; porém, quando usada com amor pode tirar alguém dos braços da morte. É claro que o caçador de tesouros é constantemente lembrado que isso não se passa de uma lenda e de uma teoria tão boa quanto todas as outras que já falharam com ele.

O pior de tudo? Um goyl caçador de tesouros também está atrás da balestra, e agora Jacob não vai disputar apenas contra a morte.

Jacob se mostrou muito mais aqui, principalmente por estar à beira da morte. Aliás salvar a vida do irmão, estar perdendo a sua e quase perder um tesouro inestimável (ah, vocês vão adorar essa!), aprendeu melhor a dar valor à coisas mais importantes, além de mudar, para melhor, alguns valores. Vimos mais da sua inteligência e conhecemos também seus momentos mais burros da história. Sério, ele cometeu erros imperdoáveis ao longo da narrativa. Felizmente foram esses erros que trouxeram os melhores momentos do livro, ou seja, aqueles que nos deixaram mais apreensivos, rsrsrsr. Acho que essa é uma das primeiras vezes em que a tolice foi bem repassada, por nos trazerem tão fortes emoções.

Fux também se mostrou mais aqui, principalmente como humana. Gostei bastante, especialmente por causa do pequeno clima que se formou aos poucos. Bem pouquinho mesmo, mas o suficiente para me deixar feliz. Essa aventura uniu mais ainda os dois, o que tanto permitiu que se reservassem mais quanto aos seus sentimentos, quando também para que ambos soubessem que estavam juntos para o que quer que acontecesse.

Acho que o livro foi, num todo, bastante impressionante. A magia se misturando com a tecnologia é uma ideia nova o suficiente (é nova, né?) para ser bem interessante nessa história e, como eu já disse antes, CorneliaFunke tem aquela narrativa comum, mas um enredo que nos prende. O final deixou novamente aquele choque, embora não saibamos muito bem o que esperar do final da trilogia. Exceto que, bem, uma certa personagem não ficou nada satisfeita com o desenrolar da história...
“Não havia nada capaz de quebrar a pior maldição de uma fada. Era sempre o fim para qualquer mortal — eles desapareciam como se nunca tivessem existido. Nada mais lhe traria paz. Ela queria que a única lembrança que lhe restasse dele fosse a da sua morte.”

Paixão sem Limites - Abbi Glines

Blaire acabou de sair do Alabama e carrega na mala mais que seus poucos pertences: acabou de perder a mãe para o câncer, de quem cuidou por três anos; seu pai fora embora há cinco anos, depois da morte da sua irmã gêmea - Valery - em um acidente de carro. Não bastasse essa bagagem, ela está se mudando para a Flórida - onde seu pai mora com outra mulher -, pois lá é o único lugar que restou para morar, já que teve que vender a casa onde vivia para pagar as despesas médicas. O problema (mais um) é que chegando lá, ela descobre que seu pai foi para Paris e quem está em casa é Rush, enteado do seu pai. Ele não a quer ali, mas acaba cedendo um quartinho na despensa até que ela tenha dinheiro para alugar seu próprio apartamento.

Rush é filho de um astro de rock e descarta as garotas após a transa. É muito rico e vive dando festas na sua casa. Ele não faz a mínima questão de ser simpático ou um pouquinho hospitaleiro. Ele é desprezível. Óbvio que tantas diferenças tendem a virar uma atração sem limites, certo? Mas ele guarda um segredo que pode colocar qualquer avanço com Blaire a perder.

Basta um livro ser classificado como New Adult para entrar na minha wishlist. Sério, eu não resisto e adoro! Antes deste chegar aqui no Brasil, já tinha lido muitos comentários surtados e não via a hora de ser publicado para poder ler... e... é... mais ou menos, mais ou menos.

O livro tem um enredo comum para o gênero e como gosto de NA, era justamente o que queria. O problema do livro está no desenvolvimento. A autora apresenta várias coisas a serem trabalhadas, mas simplesmente não as desenvolve. A garota tem uma pistola (aparece na primeira página), pra quê? Grant (irmão de Rush) faz o papel de anfitrião simpático e solidário (na segunda página), e aí? Rush é filho de um astro de rock, o que mais? Woods (filho do patrão de Blaire) dá em cima dela e? Abbi foi jogando as informações que pareciam relevantes e eu ia guardando para usar futuramente (tipo fazendo uma receita, sabe? Pegue tudo que misturou e reserve. Prepare o creme assim e agora junte com a primeira parte). Acontece que tudo isso não serviu para nada depois, porque foi ignorado, não sei, mas são coisas soltas e inúteis - que eu achei que teriam uma explicação, uma utilidade, talvez algo crucial. Sabe o que é você ter uma protagonista decidida, madura (até por conta do que sofreu) e passar algumas páginas e simplesmente não encontrá-la mais? Sabe o que é o cara ser absurdamente desprezível e do nada perder as características? Isso, aparentemente, é comum nos livros (mudar por amor), mas não foi algo gradual e natural, foi de uma página para outra, sem nada trabalhando sua mudança. Ainda tem algumas situações extremamente convenientes (tipo ela arrumar um emprego em questão de segundos, que - aparentemente - seria mega disputado) que eu só pensava "Aham, Cláudia, senta lá". Nossa, até agora não me conformei com uma situação específica: a Blaire concorda conversar com o Rush sobre determinado assunto no dia seguinte e no tal dia seguinte fica brava por ele não ter contado pra ela. Oi? E o combinado, fia?

Ok, falando assim, até parece que eu não gostei do livro, né? Bem, não é exatamente assim. Para o gênero, achei fraquinho, ele peca no desenvolvimento, mas tem as outras caraterísticas de um bom NA: uma narrativa viciante (daquelas de pegar para ler e não conseguir parar), um badboy nem tão bad nem tão boy assim (pfvr, tô falando de um cara, tipo, CARA mesmo), um final de querer chorar, além de uma vontade louca de ler a continuação. Eu sei que muitas pessoas vão gostar e eu também gostei. Ah, um bom livro. Nem muito bom, nem regular. Bom. Fico triste, pra falar a verdade, pois a autora tinha tantas coisas na mão para fazer e preferiu trabalhar só o principal (ufa, o segredo tem importância!). 

Minha dica é: leiam. Ainda acho válido. Tem muita coisa solta, mas acho uma história legal, apaixonante e (o mais importante pra mim nos NAs) viciante. Aguardo, ansiosamente (SOCORRO, É SÉRIO! PRECISO!), a continuação, porque o final deste livro foi de cortar o coração. E não só isso: o primeiro capítulo do segundo volume também me deixou ainda mais ansiosa. Muita maldade fazerem isso. Eu acho. HAHAHAHA.

Especial de Natal: Os Natais de Harry Potter

E finalmente, essa época do ano chegou! Eu não sei vocês, mas alguma coisa sempre me contagia no fim do ano, e é a época que eu mais gosto e espero ansiosamente. Mesmo que aqui no Brasil faça um calor do cão, a gente continua amando, certo?


E pra quem leu Harry Potter, o Natal tem um sentimento ainda mais gostoso! Essa data é tão marcante para os fãs que até existe um jeito especial de se desejar Feliz Natal no fandom: "Harry Christmas!". Os livros sempre nos trazem aquele aconchego e um sentimento delicioso de espírito de Natal naqueles capítulos cheios de neve e com Hogwarts toda decorada e bonita, escritos magistralmente pela J. K. Normalmente, coisas muitíssimo importantes para todo o desenrolar da história do livro aconteciam no Natal.


É claro que, por causa disso, nem todos os Natais em Harry Potter foram prazerosos (Relíquias da Morte, sim, eu estou falando de você. Nada legal aquela Nagini aparecendo na casa da Batilda e o Harry vendo o túmulo dos pais EM PLENO NATAL. E o de Ordem da Fênix então? Com o Sr. Weasley todo machucado por causa da Nagini? Enfim!), mas a gente releva, porque os dos outros livros são muito bons.

Esse post é pra arrebanhar todos os fãs de HP e fazer com que eles também se sintam em casa aqui no blog, principalmente nessa época do ano gostosa. Mas porque os Natais de Harry Potter são tão especiais?

1. A Ceia.
Eu não sou muito fã de comidas estranhas, mas devo dizer que até mesmo "empadão de fígado e rins" me dava vontade quando lia sobre a ceia de Natal em Hogwarts! A ceia preparada para o Natal em Hogwarts era sempre daquelas que dá vontade de comer até se empanturrar, bem no espírito de Ceia de Natal mesmo (quando sua tia chega com AQUELE prato que só tem no Natal e você se mata de comer... ah, o Natal...).
Os elfos de mão cheia da cozinha sempre preparam aquelas receitas maravilhosas.


A Ceia de Natal sempre marcou tanto os fãs de Harry Potter que há algum tempo, numa campanha de divulgação de Harry Potter e o Enigma do Príncipe, encomendaram artes dos rostos do trio principal todo feito de doces e decorações natalinas, da artista Prudence Emma Staite! Confere aí:



2. Os presentes.
Os presentes sempre são uma parte muito importante do Natal, né? E quem nunca ficou esperando a manhã de Natal pra achar um suéter da Sra. Weasley com a inicial do próprio nome embaixo da árvore, hein?



Os presentes que o Harry ganhava eram sempre muito significativos para a gente, mas acho que o que mais me marcou, de todos, foi a Capa da Invisibilidade e, claro, a Firebolt. São as coisas que provavelmente eu mais iria gostar de ganhar!
Por falar nisso, a Capa da Invisibilidade é sempre bem importante em todos os Natais da série Harry Potter, se você for pensar... curioso. Alguém, por favor, crie uma teoria sobre isso!

Sure!
3. Os acontecimentos.
Boa parte de toda a ambientação natalina de Harry Potter tem a ver com os acontecimentos dos livros! É sempre bom relembrar.


Em Pedra Filosofal, Harry passa um Natal delicioso com Rony em Hogwarts, aprendendo a jogar xadrez de bruxo, comendo doces, abrindo presentes e visitando o espelho de Ojesed. Já em Câmara Secreta, o Natal é um pouco mais atribulado: é bem nessa data que a Poção Polissuco fica pronta, e eles enfeitiçam Crabbe e Goyle e interrogam Draco Malfoy na sala comunal da Sonserina.
Em Prisioneiro de Azkaban, o Natal vem com um presentão: a Firebolt, que só depois descobrimos ter sido enviada pelo Sirius. Em Cálice de Fogo, é o dia do Baile de Inverno, o FATÍDICO Baile de Inverno. Muito legal o Natal de Cálice de Fogo, sério! Um dos meus preferidos.
Em Ordem da Fênix, começa a depressão: o Natal acontece quando o Sr. Weasley é atacado no Ministério da Magia, e Harry passa um dos Natais mais tristes de todos os livros na companhia da família Weasley, alternando entre o Hospital St. Mungus e a Casa dos Black. É nesse mesmo Natal que conhecemos a história triste de Neville.
Em Enigma do Príncipe, o Natal é passado em grande estilo na festa de Natal do Slughorn, que por sinal é bem engraçada. Entretanto, o dia de Natal mesmo é marcado por um fato nada legal: Percy e Scrimgeour aparecem e pedem para que Harry apoie o Ministério.
Já em Relíquias da Morte está o Natal mais traumático de todas as nossas vidas! Harry decide ir visitar o vilarejo de Godric's Hollow com Hermione, disfarçados, e eles vão até a antiga casa de Harry. Batilda Bagshot, uma das moradoras de Godric's Hollow, encontra com eles no portão da casa de Harry, e eles a seguem até sua casa. O problema é que Batilda já morreu há algum tempo, e o que está dentro dela é Nagini, a cobra de Voldemort. Nesse momento, Harry quase é pego por seu arqui-inimigo, mas eles acabam escapando de lá. Hermione e Harry vão então até o cemitério de Godric's Hollow e acham o túmulo dos pais de Harry. Por mais que esse seja um Natal muito triste, a forma como é narrada a cena no cemitério não sai da minha cabeça até hoje. É maravilhosa, de fazer chorar!


É isso! Não tem muito o que falar sobre o Natal em Harry Potter, apenas que é uma magia que acontece... com o perdão da piadinha infame. E se você ainda tem dúvidas sobre como Natal é importante em Harry Potter, achei um gif bem legal:

Tá faltando bastante coisa (só vai até Ordem da Fênix) mas resume bem!

Se você ainda não leu a série, é uma ÓTIMA oportunidade pra ler! As férias estão aí pra isso. E se você já leu, prepare sua árvore, monte sua decoração, faça aquelas comidas deliciosas, compre os presentes e Harry Christmas!


Desastre Iminente - Jamie McGuire

Quando li Belo Desastre, ainda estava naquela explosão de amores, garotas apaixonadas pelo Travis e querendo um igual. Comigo não foi diferente: mesmo com expectativas altíssimas, essa história ganhou meu coração. Logo começaram a aparecer as pessoas que não gostaram e as justificativas eram (nas que vi) sobre a personalidade do Travis e até da Abby. Consigo entender, apesar de ter uma ideia diferente e numa coisa concordo: nunca iria querer um Maddox na minha vida real. Porém, na ficção, meu coração é TODO dele!

Tive certo receio que Desastre Iminente não me fizesse virar a madrugada e não me surpreendesse por eu já saber dos acontecimentos, mas estamos falando de Jamie McGuire e se tem uma coisa que ela sabe fazer é uma narrativa viciante. Travis está extremamente machista no início do livro, mas, ainda assim, DI só serviu para aumentar ainda mais meu amor por ele. É impossível não se emocionar com o prólogo (que eu já havia lido e inglês e, após me acabar em lágrimas, decidi não ler de novo). Uma pessoa que está bem presente aqui é Trenton, um dos irmãos do Travis. Imagine toda aquela história maravilhosa de BD, mas sem o drama da Abby! Não sei dizer qual livro amei mais, fato, mas que me apaixonei ainda mais por estes malucos é inegável!

Algo que me surpreendeu foi o capítulo extra no final do livro e preciso confessar que leria mais dez livros com a história deles (ok, exagero!). Sério, essa Jamie tem o dom! Pode não agradar um ou outro, mas comigo sua fórmula funciona e muito! Minha admiração cresceu ainda mais depois que ela falou (no bate-papo que tivemos aqui em SP) que boa parte da história é real (digamos que os personagens e algumas situações) e ela escreveu BD para ser "o final feliz" que ela não teve com uma paixão do colégio. Achei uma boa saída e já estou pensando seguir seu exemplo risos

Se você gostou/amou Belo Desastre, não hesite em ler Desastre Iminente - juro que não vai rolar tédio! E melhor: não rola aquela cena à la High School Musical no refeitório. Se você ainda não leu o primeiro livro e curte essas histórias viscerais, amores loucos e caras politicamente incorretos, só digo: LEIA! Estou ansiosa pela chegada de A Beautiful Wedding (provavelmente em março) e os livros com as histórias dos irmãos Maddox ♥

Escreveu? É hora da revisão!


A jornada para a publicação de um livro é longa. A grande maioria pode até pensar que se trata exclusivamente de receber uma inspiração divina e se tornar uma espécie de entidade, escrevendo loucamente. Aqueles que já tentaram trilhar esse caminho, porém, sabem que o buraco é mais embaixo, bem mais embaixo. Escrever um livro requer inspiração sim, mas também disciplina e trabalho duro. 

Claro que o ato de escrever tem as suas particularidades e funciona para cada um de uma maneira diferente. Em uma questão, entretanto, todos concordam: ao digitar as palavras FIM de um manuscrito, a trajetória ainda está no início e uma das etapas mais importantes, a revisão, está prestes a começar. 

Não se iluda pensando que uma, duas, três revisões bastam. Não, o trabalho deve ser minucioso e cuidadoso. O autor quer (e deve) entregar um manuscrito de qualidade para uma editora. Imagine só, se depois de meses se doando sem reservas para uma história, trocando o dia pela noite, e até papeando com personagens, escorregar logo no português? Feio, muito feio. 

É para isso que serve o revisor de texto. Ele verifica os desvios da norma culta, corrigindo erros gramaticais e ortográficos. Não pense, todavia, que o revisor fica limitado a isso. Por vezes, é preciso entrar no campo da linguística, analisando a coesão e coerência do discurso, sugerindo modificações quando necessárias. Dessa forma, o profissional deve ter sensibilidade e conhecer o tipo de conteúdo no qual está trabalhando. A linguagem de um texto infantil/jovem permite certas "liberdades" que um acadêmico, por exemplo, não permite. Aqui, todavia, deve-se ter muito cuidado. Sempre é importante analisar a intenção do texto, o público que o autor quer atingir, a história que ele quer contar. 

Acho que já deu para perceber que é um trabalho a ser realizado em parceria com o autor. A relação entre eles deve ser de confiança. O revisor tem que acreditar no texto, na viabilidade de melhoria; enquanto que o autor precisa acreditar no profissional que escolheu para ajudá-lo. Todas as sugestões e correções que o revisor indica têm sempre em mente potencializar o texto que possui em mãos. O revisor é um aliado do autor na busca pelo sonho de publicação. 

Agora você deve estar se perguntando: onde encontro um revisor? Ou até: como faço para me tornar um? Qual o valor do serviço

No mercado há diversos profissionais exercendo essa profissão (a maioria freelancer), até porque está em franca expansão. Não só a literatura tem absorvido essa demanda, como empresas que, de alguma forma, trabalham com conteúdo. Não há formação no ensino superior específica para a área, mas a grande maioria vem de Letras e Jornalismo. O que encontramos são cursos de especialização, mas que devem ser analisados com cuidado, para não embarcar em uma "furada". 

Sobre o valor do serviço, pode variar de R$3,00 a R$10,00 por lauda de 1.400 caracteres (com espaço). Depende do profissional, depende do texto, depende do prazo, depende de "n" fatores. Não é baratinho, mas também não é absurdo. É bom lembrar que é um serviço muito detalhista, específico e exclusivo, e, além disso, imprescindível para que a publicação de um livro deixe de ser um sonho e se torne uma realidade.
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Gleice Couto é jornalista e revisora de texto, pós-graduanda em Língua Portuguesa e especializada em Revisão de Texto. Presta serviços para autores e editoras. Contato: gleicepcouto@gmail.com

[Promoção] 3 anos do blog O Capítulo



Dia 12 de dezembro, o blog O Capítulo do Livro fez três anos de vida. Para a data não passar em branco, o blog se juntou a vários blogs amigos para sortear dois kits com oito livros cada. Fiquem atentos às informações e participem muito do sorteio!
- Kit Um -

- Kit Dois - 

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Informações:
1 - O sorteio tem início em 16/12/2013 e término em 04/01/2014.
2 - O primeiro sorteado ganhará o primeiro kit e o segundo sorteado, o segundo kit. Não poderá haver troca dos livros dos kits. 
3 - Leave a blog post comment: deixar um comentário na postagem. Com um simples "Participando" você já está concorrendo a um dos dois kits.
4 - As outras opções são extras, mas caso a entrada não seja validade uma nova pessoa será sorteada. Só se inscreva se realmente for curtir a página ou seguir o blog. Seu perfil deve ser público.
5 - O seguintes livros A Casa de Hades, O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks e Escola 2 - O rebelde está de volta serão enviados pelas editoras parceiras.
6 - Os demais livros serão enviados pelos blogs participantes em até 30 dias a partir do resultado do sorteio.
7 - Válido somente para endereço em território nacional brasileiro.

Boa sorte ;)

Dois Rios - T. Greenwood


"Um dia, há muito tempo, tomei uma decisão em uma fração de segundo que, a partir de então, todos os dias, me fez questionar a mim mesmo quem eu sou e do que sou capaz."

Dois Rios conta a história de Harper Montgomery, um viúvo que jamais superou a perda da esposa, Betsy Parker, e que vive numa cidadezinha – cujo nome é o título do livro – com sua única filha, Shelly. Além da morte de Betsy, algo em seu passado ainda o atormenta. Harper foi cúmplice de um assassinato brutal e jamais foi capaz de livrar-se do remorso por participar daquele crime sem sentido. Então, após 12 anos de martírio, um acidente de trem oferece a ele uma chance de se redimir. Uma adolescente de 15 anos, grávida e que acabara de perder a mãe na mesma tragédia precisa de ajuda e Montgomery vê uma oportunidade de redenção. Todavia, este encontro está longe de ser um mero acaso.

O livro é narrado em primeira pessoa por Harper e em terceira pessoa quando o narrador volta para 1968, ano em que ocorreu o crime do qual ele participou e dos acontecimentos anteriores àquela noite. A alternação de tempo é constante no decorrer do livro, seja na mudança de ano, ou nas recordações de Harper – as que lembra de sua esposa. Entretanto, apesar de Greenwood ter uma escrita coesa, rica e de muita qualidade, ela foi perdendo pontos comigo logo no início.

"Ele verá essa cor quando fechar os olhos esta noite e em todas as noites depois desta, imaginando que, na verdade, isso se deve à coisa mais desprezível que ele já fizera."

Não me identifiquei com a organização e, como citei acima, há alternações entre passado e presente everywhere.  Agora, imaginem um livro desse tamanho (uma bíblia) com apenas seis capítulos... É bárbaro. E não no sentido positivo. Dentro de cada capítulo há subcapítulos (?) intermináveis e que não dão nenhuma dica se você está no início, meio ou fim da história. Exceto pelo fato de você ver as páginas passando e passando e passando. Tem fim? Pois é, ainda bem que sim!

As personagens são bem construídas, mas sem muito destaque e pouco carisma. Como a filha, por exemplo. Mesmo a esposa falecida de Montgomery ganha mais espaço que certas personagens vivas. Salvo o próprio Harper. Seus inúmeros devaneios com Betsy é que nos conta como foi seu casamento e seu relacionamento com ela. Eu também esperava mais de Maggie, a garota do trem. Sobre a divisão, alguns títulos desses “subcapítulos” achei um tanto engraçados e, muitas vezes, sem muita ligação com o que nos está sendo contado. Seria mais válido terem sido apenas enumerados (só acho).

O mistério quanto à garota grávida é até aceitável e temos uma singela surpresa ao descobrir qual sua verdadeira ligação com Harper. Confesso que esperava uma história mais pesadinha e dramática, levando em conta o crime que o cara assistiu e a sinopse carregada de tensão. No mais, não posso tecer grandiosos elogios porque, no geral, ficou bem abaixo das minhas expectativas. Acredito que a maior façanha da história está em agregar valores/lições, tais como perdão, arrependimento, amor e etc.

"Na segunda-feira, minha nova vida teria início. (...) E aprendi então o que era perdão. Bem ali."

Dois Rios não é um livro impressionante, mas a leitura é válida – caso não esteja com uma fila quilométrica, pois o livro é enorme (mais de 400 páginas).

Cartas para um pai - Janaina Rico

Depois da leitura muito bem sucedida de Apimentando, era normal que eu tivesse bastante expectativas para este livro, né?

Depois de passar as férias em João Pessoa, Juliana retorna para sua casa em Brasília com muito mais do que lembranças de "um amor de verão": ela descobre estar grávida de Anderson, o cara que conheceu na praia e com quem passou 30 dias intensos de paixão. Além de morarem longe, eles estão em momentos completamente distintos e Juliana não queria mesmo ser mãe neste momento, mas a vida tinha outros planos pra ela. Decidida a ser mãe solteira, ela passa a enviar cartas para o pai da criança que espera e, assim, o mantém informado do desenvolvimento e crescimento do bebê, além de uma decisão da própria Juliana.

Como eu posso dizer? O livro é legal, mas... mas muitas coisas! Foi um pouco difícil ler Cartas para um pai e manter meus sentimentos - vindos da minha própria experiência - alheios à história da Juliana. Eu fui mãe aos 19 anos, depois de abandonar (após um ano) o curso de psicologia e estar cursando o primeiro semestre de administração. Sei bem como é uma gravidez inesperada, mas não consegui lidar com a forma que a Juliana expôs. Eu esperava ler e ficar com os olhos cheios de lágrimas, me identificando com suas sensações e situações, mas simplesmente não rolou. Talvez se eu tivesse livro antes de ser mãe, antes de passar por tantas coisas... admiro a independência dela, mas não acho justo a decisão que ela tomou. Mães são egoístas mesmo, mas sempre cedem pelos filhos e sei, mais uma vez pela minha experiência, que é cruel tirar da criança algo que pertence somente a ela mesma.

Eu adoraria ler sobre as férias, conhecer mais o Anderson e a rotina dos dois nesses 30 dias, mas sei que "não cabe" no livro, pois ele tem uma estrutura diferente - e, por mais que eu quisesse mais narração, entendo que não é o tipo do livro e ele nem foi escrito pra isso. Seus capítulos tem alguns poucos parágrafos e, em seguida, uma carta. Achei interessante e gostei do humor e objetividade da protagonista.

Por mais que eu tenha ficado incomodada com a leitura, eu indico o livro, pois o que me impede de favoritá-lo é extremamente pessoal e não posso ignorar o fato dele ser bem escrito e fundamentado. Além disso, o livro é um mimo para se ter na estante: todo bem trabalhado graficamente.