O Diário Secreto de Lizzie Bennet - Bernie Su e Kate Rorick

Pra quem acompanhou a webserie The Lizzie Bennet Diaries, esse livro estava sendo MUITO aguardado. Eu nem sabia que a Verus ia lançar aqui, mas quando ela lançou, queria muito ler! Não fui decepcionado.

"Jane Austen certamente teria aprovado." - People Magazine.

Lizzie Bennet é uma estudante da pós-graduação em Comunicação que faz vídeos para o Youtube como projeto de pesquisa, narrando sua vida e a de suas duas irmãs, além de narrar os problemas com a mãe, que as pressiona para arranjar um casamento de uma forma fora do normal.

Entretanto, quando Bing Lee chega à pequena cidade no interior da Califórnia com seu amigo William Darcy e sua irmã Caroline, a vida das irmãs Bennet vira de cabeça para baixo. A mãe de Lizzie, sentindo de longe o cheiro da carne solteira e descompromissada da rica família Lee, logo propõe um encontro entre Jane, Lizzie e Lydia com os novatos da cidade. É assim que a vida de Lizzie, que já tinha problemas de sobra, se transforma em um verdadeiro enredo de novela.

O livro é uma adaptação moderna do clássico Orgulho e Preconceito, e além de livro é também uma webserie ganhadora de um Emmy®.

Não tenho como resenhar esse livro sem ser completamente honesto: não foi a coisa mais bem escrita que eu já li e - meu Deus - como está mal traduzido e revisado. Eu não sei qual foi a do tradutor, mas ele teve sérios problemas com esse livro (o auge da tristeza foi traduzir "energetic" para "energética", e não "enérgica", que é obviamente o adjetivo cabível, e isso me irritou profundamente). A tradução da Verus dá tristeza de ler. Em algumas passagens eu sabia exatamente qual era a palavra em inglês utilizada, mesmo lendo em português - e também sabia que a palavra traduzida estava errada ali, ou fora de contexto.

Entretanto, mesmo tendo os problemas de diálogos plásticos e uma tradução e revisão deploráveis, o livro é MUITO bom! Eu adorei, sinceramente, e me senti assistindo novamente a webserie, que por si só já é incrível. O que eu amo disso tudo é que quando eu leio "adaptação moderna" eu já torço o nariz, porque normalmente para mim é sempre forçado. O Diário Secreto de Lizzie Bennet, assim como a webserie, nunca foi forçado! Sempre criou coisas plausíveis e adaptações muito bem feitas para todo o enredo do clássico de Jane Austen. O livro é envolvente, completo e, claro, instiga a ler a obra clássica.

O carisma dos atores na série que fez com que todo mundo tenha se apaixonado por ela é perdido no livro, que possui apenas o plano escrito. Entretanto, ainda assim, o livro consegue conquistar nossos corações e resume muito bem o sentimento da webserie. E, é claro, você não precisa ter visto a série para ler o livro (inclusive existem muito mais coisas narradas no livro do que na webserie). Acho apenas que o encontro final e a conversa entre Lizzie e Darcy acabou sendo contada de forma muito rápida, sendo que merecia muito mais parágrafos e diálogos. Mas não tem como ser perfeito, certo?

Portanto, tirando os sérios problemas da edição brasileira, o livro é sensacional! Vale muito a pena e é um item obrigatório pra quem gostou da webserie, assim como eu. (Deixo aqui embaixo pra vocês - BAM! DE FORMA INESPERADA - o primeiro episódio da webserie! ASSISTA! Tem legenda em português, é só habilitar.)


Infinity Ring: A Maldição dos Ancestrais - Matt de La Peña

Resenhas anteriores: Um motim no tempo I / Um motim no tempo II | Dividir e Conquistar | O Alçapão

E a aventura continua...

Dak, Sera e Riq estão no antigo Império Maia, porém sem fazer a mínima ideia em qual época se encontram. O Anel devia levá-los ao ano 1562, quando os Espanhóis já estavam por lá. Porém se descobriram no século VII, ou seja, estavam adiantados um milénio. Sera não fazia ideia em que tinha errado, porém Riq acreditava que estavam lá para um propósito: afinal algo muito importante estava acontecendo naquela época também.

"— Amigos, por favor, juntem-se à nossa pequena cerimônia. Estamos pedindo aos deuses para não destruírem nossas plantações. E pedimos também uma viagem tranquila para nossos vizinhos Calakmul, que estão vindo estudar nossas descobertas."

Porém ficava muito difícil para Sera se concentrar em qualquer coisa com a imagem do Cataclismo em sua mente. Afinal, imagens antes bloqueadas estavam vindo em forma de lembranças, e elas não eram nada bonitas. O quanto Sera podia suportar daquela missão? Não passava apenas de uma criança. E Dak morre de saudades dos pais, e pergunta a si mesmo se aquela missão toda vale mesmo a pena. Principalmente porque não tem ideia de como os seus pais estão. Já Riq conheceu uma jovem maia que está mudando completamente o rumo daquela viagem.

“Enquanto esperavam, Riq começou a pensar em sua nova vida, no quanto ela seria diferente. Poucos dias antes, ele estava cem por cento comprometido com sua missão como Guardião da História. Estava no seu sangue... e sempre estaria. Naquele momento, porém, ele estava deixando de lado a luta dos Guardiões da História. Sua lealdade seria apenas ao povo de Izamal. E a Kisa. Seu coração palpitava dentro do peito só de pensar em acordar naquela selva todos os dias pelo resto da vida."

É a primeira vez que vejo os personagens chegando a algum lugar cheio de preconceitos, o que apenas mostra o quanto a SQ interferiu na história. Pois tudo o que eles acreditavam sobre os maias era que eram violentos, brutos e supersticiosos. Não foi com pouca surpresa que descobriram a gentileza, inteligência e sabedoria maia. Agora os três estão se perguntando, chocados, se não poderiam apenas consertar a história, mas sim melhorá-la. Afinal o povo maia merece muito mais do que a extinção quase completa de sua cultura.

Muitas novas questões também entraram nesse livro, e uma continuidade que eu não esperava muito que acontecesse com uma história contada por autores diferentes. Eu realmente não esperava que alguns detalhes permanecessem, como o gosto de Dak por queijos, ou o lado taciturno de Riq. Além disso, as crianças estão se mostrando cada vez mais maduras, o que seria impossível não acontecer depois de tudo o que passaram.

Por fim, a história tem desenrolado muito bem, com pontos de continuidade importantes. Conseguimos seguir os passos dos nossos amigos, acompanhando tudo o que tem acontecido ao longo da história, fora que a linguagem descontraída pode conquistar leitores de qualquer idade. É uma série de livros gostosa de se ler.

Infinity ring: O Alçapão - Lisa McMann


Resenhas anteriores: Um motim no tempo I / Um motim no tempo II | Dividir e Conquistar

Mais um motivo para querer saber o final da estória... A História está sendo consertada aos poucos, porém isso pode trazer consequências desagradáveis para um dos três jovens.

Sera, Dak e Riq estão no ano de 1860, nos Estados Unidos. Talvez tenha sido agradável para eles estar novamente em seu país de origem, mas a situação não era exatamente a das melhores. Acontece que nessa época o Sul do país ainda é muito à favor da escravidão, e uma lei faz com que qualquer negro possa ser capturado, em qualquer parte do país, e levado ao Sul para ser vendido. Riq, por conta de sua cor, acaba sendo capturado, e Dak e Sera precisam encontrar não apenas Guardiões da História como também abolicionistas, para que assim pudessem libertar Riq e corrigir a Fratura. O problema é que Riq se encontra com uma antepassada sua e quer fazer de tudo para ajudá-la. Não importasse se isso pudesse mudar sua missão ou... sua própria existência.

“Depois de anos sofrendo com aquele fenômeno [Reminiscências], Riq chegou à conclusão de que só podia significar uma coisa: não era para ele estar vivendo tudo aquilo. Riq não deveria existir.”

A escravidão, mais do que qualquer outra coisa, é bem focada nesse livro. Principalmente porque Riq, por ser negro, é capturado. Ele, principalmente, sentiu na pele como foi esse passado obscuro na história da humanidade. E como era também cruel e injusto. Gostei do assunto ter sido abordado nessa série. Se teve um ponto negativo foi o estilo linguístico da fala dos personagens do passado. Eles usam o “vossa mercê” ao invés de você, mas o resto de suas palavras e expressões não acompanharam o termo. Ficou parecendo uma mistura bizarra ao invés de mostrar as diferenças vocabulares dos personagens do presente e dos personagens do passado. Achei desnecessário. Fora que algumas vezes é usado o “você”...

Acredito que esse terceiro livro tenha dado uma guinada por conta de Riq. Como falado no primeiro livro, nada mudaria para os três enquanto eles estivessem viajando no tempo. Então é mais uma questão para ser colocada no final, mais um motivo para terminar de ler a série, rsrsrs. Não que ela precise de mais, a narrativa é leve, o enredo interessante (principalmente para o público infantil) e a ideia da série ainda está valendo.

Não posso deixar de recomendar, novamente, para aqueles que apreciam, nem que seja um pouco, de História. E se não, irão gostar de vê-la contada de uma maneira diferente. Mesmo sendo um livro mais infantil do que juvenil, a inocência do enredo (por se passar com crianças) é uma boa chamada para se aventurar na estória.

Mini-Opiniões: Put Some Farofa - Gregorio Duvivier

Com alguns textos inéditos e a maioria já publicado entre a Folha de S. Paulo, blogs independentes e os vídeos do Porta dos Fundos, "Put Some Farofa" reúne crônicas, roteiros, narrações, contos, etc. O livro é muito bem escrito, tem uma genialidade própria do autor e consegue arrancar boas risadas aqui e ali.

O texto que dá nome ao livro, publicado previamente na Folha de S. Paulo, é sensacional e resume muito bem tudo o que o livro comporta. De críticas sociais à textos promocionais, "Put Some Farofa" passa bem o que o autor pretende passar, embora faltem textos novos e, se você acompanha a coluna do autor na Folha e é um fã de Porta dos Fundos, você terá apenas mais do mesmo.

Outro ponto bastante característico é a visão política do autor, que pode não agradar a todos os gostos. Eu, sinceramente, não me incomodo, mesmo não tendo a mesma visão política dele. Mas, se baseando na coluna dele no caderno Ilustrada da Folha, você pode saber se gostaria ou não de ler um livro inteiro.

Gregorio Duvivier, em um dos contos mais geniais, remonta a escrita de vários escritores brasileiros do cânone, como Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Rubem Fonseca, etc. Vale a pena ler algo de um autor que, para mim, é um dos mais importantes escritores brasileiros da atualidade e em breve juntará seu nome ao cânone.

Separados - Pauline Alphen



Resenha anterior: Os gêmeos

Cuidado! Spoiler do último livro.

No segundo livro da série “Crônicas de Salicanda”, Claris está em um momento delicado, aparentemente em estado de choque. Ficava repetindo para si mesma as coisas que não conseguiu dizer, sua mente se focando nos últimos terríveis acontecimentos. Acreditava que tanto o seu irmão quanto o seu pai estavam mortos, e o seu estado movimentaram os Elementais a tentar cuidar dela como podiam. Infelizmente, ela precisava perder a memória.

Mas, ali onde deveria achar o seu nome, a menina só encontrava o vazio. Dentro dela só havia sensações. Sensações primitivas, brutais. Fome, calor, sono. Ela as vivenciava como a necessidades, mas não as pensava, não lhes juntava palavra alguma. Cheiros, sim, e sons. Nenhuma palavra. Seu nome, seu passado? Não se lembrava de nada. Nem de quem era nem de onde vinha.

Enquanto Claris está em outra dimensão (como eu acredito que ela esteja), Jad está em outro plano. Seu espirito se desprendeu do corpo, assim como Ugh, porém não estão realmente mortos. Ugh está todo confuso com sua situação, enquanto que Jad tenta entender tudo o que aconteceu no Jogo dos Mil Caminhos e onde estaria a sua irmã. Enquanto isso, através de enigmas, um anjo quer conversar com eles.

Esse, por assim dizer, é o início da estória, mas não sei bem se posso afirmar isso. Por exemplo, o livro tem quase 300 páginas, mas a amnésia de Claris acontece quase na metade. O mesmo se dá com a conversa de Jad e Ugh com o anjo. Com isso eu quero mostrar o quanto o livro foi lento, pelo menos para mim, e o quanto foi decepcionante. Se o primeiro livro foi cativante, esse segundo foi maçante. Até demais, tirando toda a minha curiosidade e expectativa com os próximos livros.

Em primeiro lugar, quanto tempo havia se passado, afinal? A narrativa deixou essa questão um pouco confusa, principalmente com a sinopse dizendo que se passaram dez anos (???). Em segundo, muitas descrições, suposições, conversas, achei extremamente desnecessárias. Eu não entendi o que a autora queria com aquilo, ou se tinha mesmo um bom objetivo em mente. Enfim, é uma pena que eu tenha me decepcionado tanto com o enredo (ou a falta dele). Parecia mesmo ser uma estória interessante, porém não tenho a mínima vontade em continuar com a série.

[Resenha+Promo] After - Anna Todd

Este é o segundo livro original de uma fanfic do One Direction que eu leio (veja Loving the band) e: 1. Só conheço 4 músicas deles; 2. Só sabia quem era Harry e Zyan (sabia assim mesmo, no passado, porque fui stalkear as coisas da fic atrás de spoilers e vi quem era quem - olha o absurdo que esse livro fez!)

Tessa, de 18 anos, sai de casa, onde mora com a mãe, para ir para a faculdade. Até então sua vida se resumia a estudar e ir ao cinema com o namorado doce que conheceu ainda criança. No primeiro dia na faculdade, onde ela passa a dividir um quarto com uma amiga que adora festas, Tessa conhece Hardin, um jovem rude, tatuado e com piercings que implica com seu jeito de garota certinha. Logo, no entanto, os dois se envolvem e Tessa, que era virgem, vê sua sexualidade aflorar. Hardin é inspirado em Harry Styles, um dos membros do One Direction. Os outros quatro músicos da banda Zayn, Niall, Louis e Liam também viraram personagens na trama. Tessa logo descobre que Hardin possui um passado cheio de fantasmas e os dois começam um relacionamento intenso e turbulento. Depois dele, ela nunca mais será a mesma.

A única coisa que eu sabia do livro era justamente que ele era uma fanfic da banda, então não sei dizer muito o que eu esperava (definitivamente, não era nada muito positivo), mas aí que eu começo a ler e me dou conta que se trata de um New Adult, ou seja: carrega tudo que mais amo/odeio na literatura. Esse amo/odeio é porque esses livros me deixam de um jeito meio surtada, despertam o que há de pior em mim e, quando me dou conta, tô apaixonada por um cara MUITO escroto e babaca. E, ainda pior: tô torcendo para o casal dar certo. Não é algo digno de orgulho, mas é a verdade. Em minha defesa, digo que isso só acontece na literatura, porque na vida real tenho pavor (sério) dessas relações nada saudáveis. Se você é assim também, vem cá, me abraça!

"Ele me faz rir e chorar, gritar e gritar, mas acima de tudo ele me faz sentir viva."

O que mais me incomodou não foram as possíveis falhas no enredo, os clichês que sambam do início ao fim ou a tolerância infinita da protagonista. Dessas coisas, consegui ver um lado positivo; em compensação, a babaquice do Hardin me irritou tanto, mas tanto. E se você acha que a autora teve limites em explorar as idiotices dele, desiluda-se: ele pisa, arrasta e nem olha pra trás para ver o estrago. Não é como nos outros livros que o cara fala besteira e logo volta atrás. Ele fala e reafirma! Poderia dizer que ele é muito orgulhoso (e é), mas ele é muito ordinário (AI QUE ÓDIO). De fato, ele não sabe lidar com as coisas novas que estão acontecendo na vida dele, mas ele age da pior forma possível. Tem seu momento fofos? Tem, mas, definitivamente, não equilibra.



Agora as partes positivas de tudo aquilo que poderia ser ruim: eu clamo por um clichezão aqui, se não for, vai doer, viu? Como eu disse, não é nada saudável, mas é só ficção, então (acho que) não tem problema. A tolerância da Tessa é algo que eu preciso citar, porque, muito provavelmente, alguém vai reclamar de todas as "voltas" e perdões dela (inclusive vão chamá-la de idiota, aguardem), mas, por outro lado, ela explode e não é tão passiva quanto parece. Ele é babaca, mas ela vomita muitas verdades nele. Isso deixou tudo mais real pra mim, porque é mais ou menos assim que a gente age quando tá apaixonada, né? Acredita, volta, se magoa, grita, odeia, mas dá outra chance (aquela coisa de "estamos sofrendo separados, vamos sofrer juntos"). É um ciclo e só muda quando alguém deixa de gostar ou se arrumam de vez (não dá pra viver assim pra sempre, apesar de eu adorar as tretas).

É notável (e louvável) a mudança dos personagens no decorrer do livro, mesmo que eles mantenham certos traços, mas é a vida, ninguém muda sua personalidade de uma página para outra (e eu odiaria se isso acontecesse) - eles amadurecem. Tessa ganha mais espaço na própria vida e se torna mais independente. O final me arrancaria lágrimas se eu não estivesse tão chocada e só posso desejar que algum milagre aconteça e consigam arrumar ~as coisas~ de forma a torná-las aceitáveis, porque, gente, é imperdoável. Enfim, né, certos hábitos são difíceis de perder ~risos~. Ah, gente, tem cenas bem quentes (como manda o gênero) e posso dizer que são muito boas e verossímeis, sem excessos ou fantasias, ufa!

Indico este livro com certa cautela, porque sei que muitas pessoas não vão gostar da inconstância do casal protagonista e, sério, são 521 páginas de muita briga, amor, briga, amor... é um ciclo sem fim. E sei que tem gente que não aguenta 200 páginas assim, quem dirá esse tijolinho. Agora, se você, como eu, gosta de (muitas) brigas e reconciliações, vai fundo. #Hessa é um casal explosivo, inconstante, muito intenso, mas que tem química transbordando e me deixou bastante dividida (uma relação de amor e ódio - exatamente como a deles) e com certa vergonha de admitir que está shippando obsessivamente. E quando um livro faz isso, migos, não interessa muito o quão ruim ele pode/parece ser, né? Ganha o coração e pronto. Mas um conselho sobre o romance: não faço isso em casa.

Sorteio do kit
Em parceria com a Editora Paralela, vamos sortear um kit contendo o livro + botton + tatuagem temporária. Para participar, basta preencher o Rafflecopter abaixo. A primeira entrada é livre e, caso você não saiba como utilizar o formulário, este tutorial pode te ajudar ;)
*Não esqueça de ler os Terms and Conditions com as informações da promoção. Boa sorte!

a Rafflecopter giveaway

Os Gêmeos - Pauline Alphen

Aqui a ciência é magia, o tempo medieval é o futuro, e a tecnologia está esquecida...

Claris e Jad têm 12 luadas e são irmãos gêmeos. Ambos moram na aldeia de Salicanda e são idênticos, exceto pelas cores dos olhos e dos cabelos. Suas personalidades também são únicas: Claris é agitada e sonha em ser uma aventureira, porém Jad sofre de uma doença no coração e, por isso, é mais reservado. Ambos sofrem com o desaparecimento da mãe deles, há 9 anos, e ambos querem conhecer o mundo além daquela aldeia. O que será que os adultos estavam escondendo?

O ambiente começa a mudar quando os poderes de Jad se afloram e Claris começa a ter experiências, digamos, paranormais. Eles começam a descobrir coisas sobre os Tempos de Antes que eram proibidos, e se envolvem em um jogo de tabuleiro para lá de diferente. Por que aquela sociedade, em pleno século XXIII, vive na era medieval? Por que as crianças começam a apresentar certos “poderes”? E o que foi a Grande Catástrofe?

"Blaise releu o que tinha escrito. A Grande Catástrofe... Esse jeito quase infantil de descrever a destruição de uma civilização brilhante, os milhões de mortos, as guerras civis, as pandemias, dizia muito sobre a impotência dos sobreviventes, o estado de choque, a sideração de uma humanidade esgotada por dentro. E, para arrematar aqueles horrores todos, o último ato da tragédia: o brutal e inaceitável desaparecimento de uma geração de adolescentes durante o último Torneio Parapsíquico Mundial. Sumidos, evaporados, enquanto jogavam nos estádios ou diante da tela de total visão familiar..."

De vez em quando eu digo aqui que tal história é diferente de tudo o que eu já vi. A verdade é que eu continuo me surpreendendo com a criatividade dos escritores, e ficando muito feliz com isso. Dessa vez a surpresa está na ciência, ou magia, ou em ambos. Na verdade não existe magia, por assim dizer, mas sim ciência, ou evolução. O que proporciona a ideia de magia que temos hoje. Adorei, por que faz todo o sentido. Afinal, se nós tivéssemos uma máquina do tempo e pudéssemos viajar para o século I, por exemplo, com um celular, a população da época não diria que aquela tecnologia é fruto de magia? É mais ou menos assim que o mundo em Salicanda funciona.

Mais: eles vivem em uma sociedade medieval, com direito a lutas com espadas, escambo e um farol transformado em castelo. Genial! Em Salicanda também reina o segredo: por que há livros proibidos? E por que ninguém quer se lembrar dos Tempos de Antes? O que aconteceu de verdade com Sierra? E é impressão minha, ou tem um personagem com 100, 200 anos??? Ops.

O livro é bastante curioso, e bem inocente, principalmente por causa da idade dos personagens principais. É uma leitura gostosa e cativante, sempre deixando um mistério a ser descoberto. E resta a nós, leitores, desvendar o que está acontecendo de verdade.

Mini-opiniões: Três contra todos - Deco Rodrigues

Mini-Opiniões é uma coluna original do blog português Estante de Livros, adaptada aqui para o blog.

Você já ouviu falar de poliamor? Já leu sobre isso? Já leu um romance que trata do assunto? Olha só o que a Wikipédia diz:

"Poliamor (do grego πολύ - poli, que significa muitos ou vários, e do Latim amor, significando amor) é a prática, o desejo, ou a aceitação de ter mais de um relacionamento íntimo simultaneamente com o conhecimento e consentimento de todos os envolvidos (...)." Fonte.

Em seu livro de estreia, Deco Rodrigues conjuga em diferentes tempos os três elementos que baseiam uma relação amorosa: amor, sexo e amizade. Eduarda, Rafaela e Lucas, através de suas narrativas, protagonizam o epicentro dos encontros, desencontros e descobertas de “Três Contra Todos”. O cotidiano dos personagens acaba por cruzar bem mais do que caminhos, mas sim uma avalanche de emoções e surpresas. O texto nos causa inquietude por tratar de um tema tão atual, que ao mesmo tempo ainda flutua em uma bruma de preconceitos. De leitura fácil, com pitadas picantes, o livro não deixará dúvidas de que amor, sexo e amizade são a essência da felicidade. Mas não necessariamente nesta ordem! Sinopse retirada do Skoob.

Apesar do tema parecer polêmico, nem consigo mais dizer que se trata de uma história polêmica*, porque o autor foi muito feliz ao tratar tudo com tanta leveza e naturalidade. Então você lê a construção de um romance e juro que não dá pra questionar ou discutir o tipo de relação que os três se envolvem. Digo que se trata da construção, porque é isso que acontece nas noventa páginas, tijolinho por tijolinho, eles vão se conhecendo, se encaixando (errr... em vários sentidos) e acredito que nem eles tenham se dado conta do envolvimento, não foi algo calculado ou planejado, simplesmente foi acontecendo. O que reforça o que disse no começo do parágrafo - naturalidade é a palavra do livro. Deco Rodrigues escolheu contar a história de forma simples e direta, em uma narrativa mais crua, sem muitas firulas ou descrições desnecessárias, é como ler relatos dos envolvidos - quer dizer, o livro que lemos é um livro para os personagens também. Eles conscientemente estão escrevendo um contando a história deles. O autor também aborda as complicações que esse tipo de relação pode gerar e tudo foi bem coerente, me deixando até curiosa se aquele fato é verídico, porque é contado com tanta seriedade e "embasamento" que esqueci se tratar de ficção. O livro é pequeno, mas passa seu recado. Simples e direto, Deco tem uma história para contar e eu tive o prazer de escutar. Digo, ler. Espero que você também tenha.

Ser feliz é assim - Jennifer E. Smith

Você já deve conhecer a autora por causa do livro pequeno de título grande (A probabilidade estatística do amor à primeira vista), mas agora temos o livro grande de título pequeno - mas de igual fofurice, devo dizer. O que mais eu poderia esperar?

Graham Larkin e Ellie O'Neill não poderiam ser mais diferentes. O rapaz é um ídolo adolescente, um astro das telas de cinema; uma vida calcada na imagem. O cotidiano constantemente sob o escrutínio dos refletores. Agentes, produtores, RPs, assessores... Já Ellie passou a vida escondida nas sombras, fugindo de um escândalo do passado enterrado em sua árvore genealógica.
Mas, mesmo sem aparentemente nada em comum, os dois acabam se conhecendo — ainda que virtualmente — quando Graham envia a Ellie, por engano, um e-mail falando sobre o porco de estimação Wilbur. Esse primeiro contato leva a uma correspondência virtual entre os dois, embora não saibam nem o nome um do outro. Os dois trocam detalhes sobre suas vidas, esperanças e medos.
Então Graham agarra a chance de passar tempo filmando na pequena cidade onde Ellie mora, e o relacionamento virtual ganha contornos reais. Mas será que duas pessoas de mundos tão diferentes conseguirão ficar juntas? Será que o amor é capaz de vencer — mesmo — qualquer obstáculo? E mais importante... é possível separar ilusão de realidade quando o coração está em jogo? Sinopse retirada do Skoob.


Já devo ter confessado em alguma resenha por aí, mas vou repetir: tenho uma quedinha por histórias com personagens famosos (no mundo fictício deles, claro). Não sei exatamente por quê, afinal eu não sou o tipo de fã descabelada que dorme na fila do show ou que escreve fanfics ou que sonha acordada com uma cena de romance tórrido com alguma celebridade. Talvez meu subconsciente imagine coisas assim, mas, definitivamente, eu sou bem tranquila quanto a isso (o que não quer dizer que eu não fique babando quando vejo fotos do Mateus Verdelho ou Ian Somerhalder ou Alex Pettyfer ou ~uma lista infinita de caras gatos~). Agora imagine minha reação ao me deparar com um livro que traz na capa o nome Jennifer E. Smith e na sinopse as palavras "um astro das telas de cinema": expectativa. Mas se você acha que agora vou falar como isso acabou estragando minha leitura, pode despensar. O livro é mesmo o que eu esperava.

Começar o livro com uma troca de emails foi golpe baixo pra mim. Misturada à sensação de invasão, estava a curiosidade e diversão de acompanhar a relação que logo se estabeleceu por conta de um engano. No capítulo seguinte, o ritmo se estabelece e iguala à cidade pacata que Ellie vive. Naquele momento, eu só continuei lendo para entender a relação do primeiro capítulo com o enredo, onde aquilo faria sentido. Apesar de um pouco óbvio, eu ansiei pelo encontro e a "revelação", e vibrei pela autora não ter escolhido estender aquilo até o final do livro, trazendo milhões de mal-entendidos, desencontros e todo aquele lenga-lenga que estamos habituados. Para minha felicidade, aquilo foi só um pontinho no enredo que estava muito mais concentrado em desenvolver questões pessoais dos protagonistas. E deixa eu destacar que Jennifer sabe fazer isso muito bem. Parece um romance adolescente, mas é também um drama familiar, é a vida de cada um, enfim. 

"(...)Só que, dessa vez, ele não estava sozinho; dessa vez, os dois tinham perdido o equilíbrio juntos."

Os capítulos são narrados em terceira pessoa, mas alternando o foco - ora Ellie, ora Graham. No início foi cansativo, porque nada acontecia, era só uma caminhada para um encontro e, diferente de Oz, o objetivo era o principal, porque o caminho foi bem morno. Da metade pra frente, o ritmo foi outro e me vi encantada novamente com a história, suspirando, querendo saber os próximos passos do possível casal e torcendo para resolverem seus dramas pessoais. Dificilmente um livro desses não cai na armadilha do clichê, então nem me importei muito com os caminhos óbvios e convenientes que a história tomou, porque eu também não via outra saída. O ponto positivo disso é que os sentimentos não foram banalizados, tudo foi muito bem trabalhado e, esperado ou não, ficou coerente. O final poderia ser mais conclusivo, mas não vou comentar muito, por motivos de: spoilers.

Apesar de ter demorado para recuperar o ritmo do primeiro capítulo, Ser feliz é assim é um bom livro, com todo clichê e fofura que parece ter. Nada muito surpreendente, mas o tipo de leitura que nunca canso de fazer e, talvez, ser feliz seja isso mesmo, né? Uma leitura despretensiosa, mas apaixonante.

[Promoção] Aniversário do Pausa para um livro

Hoje é o aniversário de 1 ano do Pausa Para um Livro, e resolvemos todos juntos fazer uma grande festa para vocês. São no total 34 blogs que além de estar junto no dia a dia, resolveu juntos fazer um sorteio bem recheado para vocês. Espero que todos participem, e que gostem porque foi feito com muito carinho.

Regras:
- Residir ou ter endereço de entrega em território nacional;
- Será apenas um sorteado;
- Cada blog será responsável pelo envio de cada livro, com prazo de envio de 45 dias ÚTEIS e nenhum blog ou editora se responsabiliza por extravio, retorno ou avaria das encomendas;
- Não serão aceitos perfis exclusivamente promocionais;
- A promoção irá até o dia 10/01 e o resultado sairá em até 10 dias após o término. O sorteado terá 72 horas para responder o email que lhe será enviado. Caso contrário o sorteio será refeito.

O Circo da Noite (Pausa Para Um Livro) - Mathilda Savitch (La vie est ailleurs) - Entre o Agora e o Nunca (LiteRata) - Sou Um Desastre com as Mulheres (Mural dos Livros) - Princesa Adormecida (Livros e Marshmallows) – A garota que eu quero ( I LOVE MY BOOKS) – Lições de Vida (Sempre Nerd) – Manual do Novato 101 (Estante das Fadas)
Esposa 22 (Pausa Para Um Livro) - Ela prefere uvas verdes (Procurei em Sonhos) - Após a Tempestade (Books And Much More) - O Turno da Noite 2 (Coisas que eu sei que eu sei) - Como Falar Com Um Viúvo (De Cara Nas Letras) - Indomável (Leitura Entre Amigas) - Os Assassinos do Cartão Postal (Fun’s Hunter) - Superação (Ler para Divertir)
Louco Por Você (No Universo da Literatura) - No Escuro (Literalizando Sonhos) - O Circo da Noite (Pausa Para Um Livro) - As sete irmãs (Segredos do Coração) - Amar Pode dar Certo (Tô Pensando em Ler) - Tinta Perigosa (Livroterapias) - Despertar (Este Já Li)
Os Solteiros (Pausa Para um Livro) - Esperando por Você (Giro Letra) - Bullying no Trabalho (Perdidas na Biblioteca) - Men Reppeler (Seguindo o Coelho Branco) - Minha Vida Daria Um Filme (Books and Movies) - Oferta Tentadora (Lost Girly Girl) - Tipo Destino (Da Imaginação a Escrita)
O Milagre (Pausa Para Um Livro) - A Ultima Música (Quatro Amigas e Um Livro Viajante) - Um Porto Seguro (Fascinada por Histórias) - Brilhos (Meu Passatempo blábláblá) - Estou com Sorte (Confissões Femininas) - Duas Vezes na Floresta Escura (Apenas um vício) - No Escuro (Leitores Possessivos)
Boa sorte ;)

Onde deixarei meu coração - Sarra Manning

"Simples, careta e sem graça. É assim que Bea se vê. Então quando a super descolada Ruby e seu bando de populares passam a se interessar por sua opinião, isso só pode ser uma pegadinha. Certo? Pelo menos é assim que sempre acontece nos filmes... Mas o convite para passarem as férias em Málaga parece pra valer. E com um bônus: Bea pode se afastar da mãe irritante e controladora. No entanto, depois de apenas 48 horas na Espanha, Bea se flagra mudando o itinerário. A menina decide visitar Paris para encontrar o pai que nunca conheceu. Afinal, a cidade luz pode emprestar um pouco de clareza a um período nebuloso de sua vida familiar. No caminho, ela conhece Toph, um estudante americano mochilando pela Europa. Enquanto procuram pelo pai dela nos cafés e boulevards de Paris, ela perde a cabeça em vez disso. Será que Bea é a garota de Toph ou a boa menina que sua mãe espera que ela seja? Ou será esse o verão mágico em que Bea finalmente torna-se dona do próprio nariz?" Sinopse retirada do Skoob.

Muitas vezes tenho expectativas altíssimas para uma leitura e, mesmo que acabe me decepcionando, sei reconhecer o quanto o livro é interessante e consigo destacar vários pontos positivos, então sei reconhecer que o problema foi meu. Outras vezes, o próprio livro não ajuda e aí, amigo, fica difícil defender. Infelizmente, é o caso aqui. Onde deixarei meu coração tem um enredo bem atraente: adolescente buscando se encontrar, amigas nem tão amigas assim, uma galera mais velha, um cara fofo e, o principal, Paris. Independente da minha opinião, se você vomita arco-íris ao se deparar com a cidade das luzes, já aconselho a pegar o livro e devorar, porque nessa parte ele manda bem. Mas agora deixe-me falar porque não funcionou pra mim.

Eu não consegui enxergar a personalidade da protagonista e até entendo que, de início essa seja a intenção, mas as coisas que ela faz (e as atitudes que não toma) são dignas de revirar os olhos continuamente. Eu cheguei a perguntar para dois amigos que leram se ela mudava em algum momento, porque, GENTE, não é possível alguém ser tão permissiva assim, tão tolerante e tão cega! Como você tem um grupo de amigas e simplesmente as larga de lado para andar com outras pessoas que você não gosta/não vai com a cara sem ter ninguém com uma faca no seu pescoço? Sério, só isso justificaria o fato da Bea abrir mão do seu grupo para ficar com um que claramente não dá a mínima para ela e onde ela nitidamente não se encaixa. A personalidade (ou a falta dela) me irritou demais e acho que foi o principal motivo para me deixar tão desmotivada com a leitura - e mal conseguir aproveitar os momentos seguintes.

"Às vezes parece que a minha vida toda foi só esperar. Esperei pelo meu pai, e isso não acabou muito bem. Esperei para me apaixonar e ser a garota que sempre quis ser, e essa garota não espera que a vida aconteça, ela a faz acontecer."

Sinceramente, não sei como funciona a questão de ir para um país ao outro de trem na Europa, mas fiquei assustada com a facilidade que Bea tinha de ir pra lá e pra cá, entrar em hotéis e fazer seus passeios noturnos, assim como se ver perdida e se juntar a um grupo de estranhos (por mais que parecessem - e fossem - legais). Talvez minha caretice tenha me atrapalhado nesse momento, mas eu não parava de falar mentalmente "ok, é só um livro" e é muito chato quando você tem que lembrar disso, porque o sucesso da autora seria fazer seu leitor esquecer que aquilo é um livro. Confuso, mas acho que vocês me entendem, né? A relação familiar é trabalhada de forma legal, mesmo que eu tenha - novamente - revirado os olhos com a naturalidade que eles lidavam com certas coisas, mas faziam uma tempestade com outras bem mais simples. 

O romance é um dos acertos pela forma que foi abordada. Tudo com muita calma e naturalidade, dando a dose de verossimilhança que o livro pedia (urgentemente). Em certos momentos, a diferença de idade deles parecia muito maior do que de fato era (apenas três anos), porque a protagonista não colaborava (meu Deus, será que em algum momento ela não me irritou?) e parecia estar no auge dos seus treze anos. Em outros, nos momentos mais íntimos, ela voltava para seus dezessete e as coisas fofas aconteciam e eu acabava sorrindo feito boba. Tenho um fraco por cartas e foi nesse momento que fiquei convencida do pseudo-casal - tive esperanças que realmente pudesse dar certo seja lá qual final eles tivessem. Foi como a afirmação que aquilo era real.

Acredito que a autora poderia ter organizado melhor seu romance - com o mesmo plot - e aí sim, eu amaria, pois os elementos que gosto estão lá, só não foram bem estruturados. A tradução também me deixou com pé atrás (pelo menos eu imagino que seja problema da tradução), pois muitas palavras poderiam ser substituídas por outras mais comuns de forma a não quebrar a fluidez do texto, assim como a tradução do Underground para subterrâneo quando a protagonista estava falando do metrô. Acontece que ela é inglesa e conversava com um americano, então eles tinham uma mesma coisa (o metrô), mas com palavras diferentes (nos Estados Unidos é subway, enquanto na Inglaterra é underground). Aqui, uma notinha de rodapé daria conta de explicar porque a ênfase da Bea nesta palavra. Foi bem estranho ler "vamos pegar o subterrâneo" etc, enquanto eles estavam falando do  já conhecido metrô. A expressão "voz cheia de lágrimas" também soou estranha pra mim (e pra vocês?).

Toda a ambientação do livro é muito bem feita, é possível visualizar mentalmente tudo que ela descreve e isso não pode ser menos do que fantástico, né? Ler esse livro é realmente viajar, mesmo que, para mim, a viagem tenha sido bem cansativa. Ainda tenho o livro Os Adoráveis da Sarra Manning e não desisti da autora, pelo contrário, quero muito lê-lo para ver se foi apenas um dessincronização da história de Onde deixarei meu coração com o meu atual momento literário

ATL: O Fogo - James Patterson e Jill Dembowski

Conheça a coluna ATL aqui e veja outros livros abandonados aqui.

Então. Por onde começar? Já queria desistir dessa série no primeiro volume, Bruxos e Bruxas (resenha aqui), mas alguma coisa me fez continuá-la. Li O Dom (resenha aqui), segundo livro da série, meio empurrando pra baixo pra ver se a série melhorava. Por fim, melhorou, mas não foi AQUELA melhora. Foi uma melhoradinha de leve, daquelas que faz com que a gente termine o livro e não pense "Hm. Isso é terrível.", mas sim pense só "Ok. Isso foi aceitável."
Por fim, chegamos a O Fogo. Eu sei que a série vai ser dividida em ciclos e que esse livro é o final de um deles, e por causa disso ainda mais me fez ter vontade de me jogar da janela. Eu li até a página 128 e a minha vontade era jogar o livro nO Fogo mesmo, porque 1) ainda não entendi qual é o ponto do livro, já que ele não parece ter um e, vamos lembrar, ele DEVERIA ENCERRAR UM CICLO e 2) a escrita me irrita profundamente, embora seja muito melhor do que a escrita de "Bruxos e Bruxas" (que de longe é o pior livro da série até então). Ainda assim não convence. Combates absolutamente jogados no meio da história, os protagonistas parecem não saber direito o que estão fazendo e alguns personagens simplesmente passam pela história como se nada estivesse acontecendo. O pior de tudo é que existe uma certa bipolaridade nos personagens, já que as emoções são retratadas de uma forma muito rasa e a descrição delas dura por volta de um capítulo de 2 páginas. No próximo capítulo tudo já está resolvido, quem estava morrendo está correndo e lutando no maior estilo badass com o vilão mais perigoso da história e tudo está absolutamente normal. Tudo isso começou a me irritar muito, até que pensei: "Porque estou lendo isso?" E aí me lembrei que é porque eu tenho esperanças de que a série melhore em O Beijo, próximo livro da série, em que esse ciclo da história vai acabar e um novo - e, se eles ainda quiserem nossa audiência, melhor - ciclo. Por isso, o abandono é temporário: eu pretendo terminá-lo para ler O Beijo e ver qual é a dessa série.


Uma Bruxa na Cidade - Ruth Warburton


Anna Winterson acaba de chegar a Winter acompanhada do pai. Além de precisar passar pela mudança de cidade, escola e amigos, Anna vai morar na famosa Casa Wicker, chamada pelos moradores locais de Casa da Bruxa. No entanto, a garota é bastante incrédula quanto a existência bruxas, feitiços e encantamentos, não se deixando assustar pelas lendas e aparência bizarra do lugar. Ao iniciar sua rotina até o fim do semestre, a adolescente conhece Seth, o garoto mais cobiçado da escola e, como é de se esperar, se encanta por ele, assim como a maioria das garotas de sua idade.

Todavia, a Casa WIcker revela guardar muitos segredos e Anna depara-se com um antigo livro de feitiços, que ela suspeita estar escondido ali há muito tempo. Durante uma “noite das garotas” em casa, acaba por proferir um feitiço e, sem querer, faz com que uma paixão obsessiva desperte em Seth. Como se isso já não bastasse, esse acidente acaba deflagrando uma guerra entre dois clãs de bruxos rivais. Anna descobre não somente que é uma bruxa, mas que seu passado e o desaparecimento de sua mãe vai muito além das meias explicações que ouviu a vida inteira de seu pai. Quanto a Seth, como saber o que é real quando o amor se mistura com a magia? E isso é o que ela esta disposta a descobrir.

Uma Bruxa na Cidade é o primeiro volume da trilogia Winter e ainda estou decidindo se amo ou odeio o livro.

SE AMO: Adorei o faro de autora de voltado um pouco no tempo e ter utilizado termos e meios antigos de magia e encantamento. Muito embora eu AME meus bruxinhos de HP, usar varinhas na literatura fantástica já estava virando clichê (depois do sucesso deles, devo salientar). Livro de feitiço, manipulação de magia com as mãos, com a mente, poções, evocação, energia... Estava com saudade do arcaico, sabem?

Vê-se através desses fatores, que a autora recorreu às raízes anglo-saxãs usando elementos da bruxaria neopagã Wicce/Wicca, deixando claro para os paranoicos de plantão que os “wiccanos” não são adoradores do diabo ou APENAS instrumentos de poder do mal, ou seja, para eles também existe o velho e bom duelo entre o bem e mal. Magia branca x Magia negra. Ihuuuu. Devo enfatizar que a autora não fala sobre religião ou algo do tipo, é apenas um pouco de história xamânica/celta misturada à ficção. E, segundo um dos princípios da Wicca, viver em harmonia e respeitar a vida (humana) e a natureza é primordial. Traduzindo: Um bruxo do bem não sacrifica seres indefesos e nem deseja o mal ao próximo. Mas há sempre uma exceção à regra e é contra esse “desvio” que eles vão lutar.

SE ODEIO: O clichê romântico. A garota que fica com os quatro pneus arreados pelo garoto popular, que não se acha bonita/atraente, mas que de repente o cara passa a achá-la a mais linda do universo. Cansa, né? Cadê a originalidade dos casais hoje em dia? Tudo bem que amor à primeira vista é coisa de livro e tal, mas não é por isso que tem que ser repetitivo, hum?

O livro flui tranquilamente, tem um leve toque de suspense, mas não o suficiente para libertar nossos instintos de agentes do FBI. No geral é uma leitura agradável, de linguagem fácil e sem muitos rodeios. Algo que achei bastante curioso foi o fato de a autora ter dado sobrenomes a quase todas as personagens com a letra W. Inclusive o da própria autora também é. Hahaha Bem, esperava um grande livro, mas não cheguei a ficar decepcionada. Sou um pouco exigente, eu sei, mas indico o livro sim. Não é perda de tempo, viu? :) Então preparem os feitiços e boa leitura.

Mini-opiniões: O guia do herói para invadir o castelo - Christopher Healy

Parece que eu li o primeiro livro (O guia do herói salvar o seu reino) esses dias, mas fui pegar o link da resenha e faz um ano! GENTE? O que fizeram com o calendário desse ano? Enfim...
Como se trata de uma série e este é o segundo livro, resolvi fazer um "mini-opiniões", porque ambos os livros têm as mesmas características (de estrutura, narração etc), o que quer dizer que toda diversão é prolongada. Quer dizer, a diversão é para o leitor, já que para os príncipes, os desafios nunca acabam. Obviamente, o primeiro livro não teve um final exatamente feliz, já que, apesar da conquista dos príncipes, o Rei Bandido conseguiu ofuscar os protagonistas em seu momento de glória. Diferente do que eu esperava, o segundo livro toma outro rumo que não recuperar (só) o que lhes foi roubado neste final - uma certa pessoa resolveu mostrar que estava bem acordada e querendo conquistar mais um reino. Unidos novamente para resgatar um objeto, os príncipes se lançam em mais uma aventura cheia de contratempos e confusões - como já é intrínseco dos herdeiros não muito encantados. Considerando que trata-se de um livro infantil, seu tamanho me assusta. Para se adaptar ao público, o livro é dividido em partes e tem títulos de capítulos bem engraçados, o que ajuda o pequeno leitor a fracionar a leitura sem acabar esquecendo dos detalhes, assim como as ilustrações ajudam bastante na assimilação também. Sem dúvidas, é uma série que vou guardar para o meu filho ler, pois todo o universo criado pelo autor é muito lúdico e quase palpável, estimulando a imaginação - se até eu me vejo virando criança de novo lendo esses livros, imagina uma criança "de verdade"? Outro ponto bastante positivo é a personalidade dos protagonistas que são muito bem definidas e fáceis de perceber através dos diálogos descontraídos e naturais - destaque para o Frederico e o Ducan que têm meu ♥. Ah, claro, não posso deixar de falar dos caminhos que Christopher dá para seus príncipes: esqueça o que você leu nos contos, aqui nem todos os casais tem aquela química, então acaba rolando uma mistura de pares um pouco improváveis, mas de uma forma bem sutil, já que romance não é o foco, é muito mais a união, a amizade e tudo mais que eles acabam desenvolvendo e fortalecendo. Uma curiosidade: eles realmente formam uma liga de príncipes com direito e manifesto e tudo! Vale a pena ler e se divertir com esse pessoal.
 

Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1


Oi pessoal! Hoje vou falar um pouco sobre A Esperança - Parte 1 e do que eu senti quando assisti ao filme e um pouco sobre a série em si e a minha história com ela. (Isso acabou virando uma verdadeira análise!) Obviamente, se você não leu os livros, vai ter spoilers. Se você não assistiu ao filme vai ter spoilers do filme, mas ainda assim, eu garanto que vale a pena ler!


Quando os livros de Jogos Vorazes saíram, não senti vontade de ler. Esperei até o livro, literalmente, cair no meu colo, para ler (isso só aconteceu no aniversário do meu irmão, quando ele ganhou de presente e depois de ler super rápido, jogou em mim e me mandou ler.) Acabei achando a história legal, vi em Jogos Vorazes um ideal de mudança, envolvimento político e uma ideia gigantesca de controle do governo e coisas que outras séries que andavam saindo não abordavam. Suzanne Collins escreveu a série como uma crítica gigantesca aos EUA e senti isso muito forte, foi bem legal. Li a série toda em muito pouco tempo.

[Resenha+Promo] Garoto econtra garoto - David Levithan

Felizmente, não há regra para que a resenha comece contando uma novidade, porque o que vou falar chega a ser uma banalidade de tão conhecido: David Levithan é incrível. Sério, se você ainda não sabia, é porque nunca leu uma obra dele. Ok, talvez eu tenha dado sorte com os dois únicos livros que li, mas até parece que a vida é tão legal assim comigo. Todo Dia foi um dos melhores livros que li na vida (não tenho como dizer na morte, porque não sei se vou para o Paraíso - se eu for, óbvio que vai ter uma biblioteca lá; já que é impossível ser paraíso sem uma) e tão maravilhoso que, obviamente, não sei dizer sem parecer maluca ou redundante ou exagerada. Apenas divagando mais um pouquinho, deixa eu te dar uma dica: leia Todo Dia (e não esqueça de marcar suas passagens favoritas). Enfim, vamos ao objeto desta resenha: Garoto Encontra Garoto. O cara que o escreve continua incrível, afinal o título é permanente, mesmo que essa história não tenha ganhado um ♥ de favorito no Skoob. Mas garanto que foi por pouco.

Paul encontra Noah, mas no sentido literal (e menos romântico e assim mais real) da palavra - o encontra em uma livraria (♥) e logo depois tenta encontrá-lo de novo, dessa vez de uma forma mais permanente. E lá sentado na arquibancada está Noah de novo - o procurado. Momentos constrangedores, revelar-se por inteiro ou não?, faz mistério, mas está óbvio: é paixão e daquelas mais perigosas, que tem grande chance de virar amor. Porém, como está fadado a sempre haver um porém, garotos já foram magoados, garotos têm medo de serem magoados, garotos acabam magoados. É quando garoto precisa encontrar garotos e garotas e transgêneros. Sim, há um mundo desmoronando e necessitando de mais encontros.

"- Como eu nunca o vi antes? - pergunto.
- Talvez você só estivesse esperando a hora certa para reparar - diz Tony.
Pode ser que ele esteja certo."

Eu li em algum lugar (que eu jurava ser uma nota do autor no livro, mas acabei de procurar e tal nota não existe) sobre o nome do livro. O autor falava sobre a ideia inicial e, assim, acabava contando - a grosso modo - o plot do livro. SIM, o início, meio e fim e isso me assombrou durante a leitura, porque, bem, apesar das reviravoltas, eu sabia o que iria acontecer (mesmo sem saber como, mas sabia!), então, enquanto uma parte do meu coração queria chorar/sorrir, parte do meu cérebro dava uma debochada do tipo "dã, para de ser idiota, tal coisa vai acontecer/tal coisa não vai acontecer" e isso é chato pra cacete! Gostaria de ler o livro só com o ♥, mas era impossível quando minha mente tinha spoiler (e fazia questão de ficar postando na minha timeline interna). Dá pra entender? Já aconteceu com vocês? (Cara, tô divagando muito, eu sei) Meu conselho aqui é: não leia qualquer coisa sobre a intenção do autor com a história.

Aí a gente volta para aquela parte do autor ser incrível. CARA, É SÉRIO! Ele consegue deixar o texto tão leve e ao mesmo tempo tão profundo que pouco te importa o que tá acontecendo (calma, não é contradição), você só quer mais palavras e mais páginas. Depois de ler um pouquinho, você sabe que ele virá com uma reflexão - através de uma situação ou pensamento do personagem e lá estará você colocando mais uma tag para marcar um quote. Ou seja: o texto de Levithan é poderoso! Em contrapartida, não tem tanta profundidade dos personagens secundários, apesar de terem bastante espaço na trama - e cheguei a me confundir em certos momentos, mas aos poucos me acostumei e me apeguei, principalmente, ao Tony e a Infinity Darlene (que me fez rir bastante!), fiquei com raiva de Joni e queria tanto conhecer mais Noah...

Em muitos momentos me peguei pensando sobre o ambiente escolar criado pelo autor. Apesar de, no Brasil, estarmos passando por mudanças, ainda há muitos adolescentes que escondem sua orientação sexual por conta do preconceito e, algo que me chamou atenção foi o fato dos personagens não serem, em momento algum, hostilizados na escola e existir certa igualdade/política do "cada um no seu quadrado". Pela nossa realidade, eu esperava alguma crítica explícita quanto a isso, mas só posso imaginar que foi a forma do David falar que, apesar de estarmos acostumados com o contrário, aquilo que ele escreveu é o normal. E é mesmo. Por outro lado, foi abordado o preconceito na família e, cara, um beijo para ele que conseguiu racionalizar a não-aceitação. Sério, pelo que ele expôs, é compreensível e real (mas não passível de concordância).

Se você já leu algo do Levithan sabe que algumas coisas não têm rótulos ou explicações, apenas são. E o próprio autor poderia ser muitas coisas (como falei milhões de vezes, incrível), mas ele simplesmente é o que é. Este romance, por sua vez, é fofo, leve, reflexivo e divertido. Indico a leitura e desejo um mundo como esse. Amor, seja como for.


Sorteio do livro 
Em parceria com a Galera Record, vamos sortear um exemplar de Gatoto encontra garoto. Para participar, basta preencher o Rafflecopter abaixo. A primeira entrada é livre e, caso você não saiba como utilizar o formulário, este tutorial pode te ajudar ;)
*Não esqueça de ler os Terms and Conditions com as informações da promoção. Boa sorte! a Rafflecopter giveaway

Beta - Rachel Cohn

"Nos humanos, o que está dentro é algo que não pode ser visto – a alma. Aqui essa é a diferença fundamental entre vocês e suas Matrizes. Vocês não têm alma."



Demesne é uma ilha alojada nos mares equatoriais e que serve como uma espécie de “spa” ou “refúgio” para a classe alta. A ilha é rodeada pelo mar artificial Io, que possui águas violetas e borbulhantes, além de ser ocupada por um grande número de clones adultos, criados apenas para serem empregados dos humanos. Cada clone tem sua função determinada e esta é identificada pela tatuagem facial que recebem assim que são fabricados. Nenhum clone exerce a função de outro, pois tudo o que sabem está inserido no seu chip de programação.

Elysia também é um clone, mas é uma Beta. Clones adolescentes não eram criados por serem considerados imprevisíveis e com temperamentos explosivos. Por essa razão,  Elysia tem sido considerada a melhor criação da ilha, respondendo positivamente todas as expectativas e logo é posta à venda. Por sua beleza e excelente forma física, a Beta de 16 anos é comprada pela esposa do governador de Demesne para substituir a filha mais velha que fora estudar no continente. Desse modo, Elysia se vê prestes a descobrir se a vida humana é ou não a maravilha que sua programação a faz acreditar.

Beta foi uma grande descoberta e, nessa minha fase de leituras distópicas, simplesmente me apaixonei pelo livro. Muito embora o tema não tenha tanta originalidade, há uma riqueza incrível de criações inéditas e que a autora desenvolveu apenas para esta série. Desde canções, flores, veículos, mares, drogas e etc. Um fator que me agradou bastante é a narrativa em primeira pessoa, que nos dá a oportunidade de adentrar à mente de uma personagem que é um clone, que nunca teve contato com os mais diversos ambientes, sensações e sentimentos humanos. Faz-nos enxergar de um ponto de vista muito curioso, afinal ela não pensa como como nós. Ou pensa?

Outro detalhe é que, apesar de nossa tecnologia não estar tão avançada quanto a do livro, é fato que clones já foram/estão sendo produzidos. Não humanos, é verdade, mas o que os faz pensar que num futuro próximo isso não vai acontecer, hum? Talvez não estejamos mais por aqui, mas com certeza nossos filhos e netos estarão e, POXA, como eu queria ver isso acontecer. HAHAHAHA Esse foi, pra mim, um daqueles livros que dá uma tristeza quando vai chegando ao fim, mas ao mesmo tempo fica tão bom que você quer devorar e ele ainda é capaz de te deixar: WHAT? PARA O MUNDO QUE EU QUERO DESCER. Não só pela escrita leve e fluida da autora, mas também pela forma como a história foi desenvolvida, pela curiosidade, por personagens intrigantes e misteriosos... Sabe?

O texto é cheio de críticas sociais e, de certo modo, reflete a vida de muitos adolescentes ricos e com alienação parental. Além disso, é explicito o retrato da futilidade. Imagine só você ir à uma loja apenas para comprar um clone para alegrar seus dias. Lá lá lá lá lá... Sou ryca e phyna, então eu poooosso! Oi? Já mencionei a parte que para criar um clone é preciso que sua matriz MORRA? Não, né?  Diferente da realidade, onde se copia um outro ser e o mesmo permanece vivinho da silva, neste livro a matriz tem sua alma extirpada do corpo (e mandada sabe-se lá pra onde) e a pessoa simplesmente deixa de existir. É uma morte bem cruel.

A parte mais eletrizante é que nem tudo é perfeito e, lóoooogico, tem que sair alguma coisa defeituosa nessa história, hein? E é aí que surgem os revolucionários anti clones e os clones defeituosos. Todos querem liberdade e as pobres criaturas sem alma (ou com?) vão lutar com a própria vida para fazer justiça. Ui! Beta é cheio de reviravoltas, romance, tragédia, ação e muito suspense. O segundo volume da série estava previsto para esse mês e espero que esse lançamento saia conforme o combinado, pois assim a espera de que ele chegue logo ao Brasil pode ser suportável. Hehehe

Super recomendo a leitura para os fãs de distopia e para aqueles que desejam se aventurar pelas águas violáceas do mar de Io. Façam as malas e embarquem para uma aventura paradisíaca em Demesne.


Quatro - Veronica Roth

Eu amo a trilogia Divergente, mas sei que ela está longe de ser perfeita e seus (poucos) defeitos me incomodam muito. Lendo os livros de Veronica Roth, sempre tenho a sensação que ela foi genial, mas aí paro para pensar e acho a ideia excelente, mas um tanto quanto superficial - sempre que se termina um livro e muitas perguntas ficam sem respostas, há algo errado. Meu questionamento sempre tende para "e o resto?". Desde o primeiro volume fiquei curiosa sobre o restante do mundo, mas a autora não dá nenhuma pista e, mesmo quando sai da bolha, o ambiente continua limitado. Eu sabia que em Quatro esta pergunta não seria respondida, porque os contos se passam antes e no meio de Divergente e, quem leu a trilogia, sabe que as coisas até então, ainda são locais, por assim dizer. Posso dizer que isso fez com que a leitura fosse melhor, pois minhas expectativas se limitaram ao que a autora já tinha apresentado sobre Tobias nos outros livros.

Em Insurgente fiquei com uma sensação de que, assim como Tris escondia muitas coisas de Quatro, ele também o fazia e isso se confirmou aqui. Lembro dele ter falado sobre a Audácia de antes e de como as coisas mudaram, mas parecia ser só a desconfiança de algo estar errado, quando, na verdade, ele sabia do porquê de tudo aquilo. Obviamente, os acontecimentos daqui não comprometem/mudam o que li em Convergente, mas agrega muito ao que foi contato em Divergente e Insurgente - algo que explodiu lá, teve o começo muito antes, assim como algumas explicações (estou tentando não dar spoilers, mas algumas coisas que a Tris constata que ele já sabia, ele acaba por expor a situação completa aqui).

Enquanto a Tris me irritava cada vez mais nos dois últimos livros, Tobias me ganhou desde o início e esse amor pelo personagem ganhou mais força ainda com os contos, apesar de quase não reconhecê-lo em Convergente, já que sua voz foi igualada a de sua parceira e perdeu toda força que tinha. Aqui Tobias se mostra o cara forte que conhecemos, mas ainda em sua fase de formação, de encontro - quem ele é, afinal? Ele se encaixa em alguma facção? 

"Não sou Tobias Eaton, não mais, nunca mais. Sou um membro da Audácia."

Ele não foi para a Audácia pelo resultado do seu teste, foi a forma que ele encontrou de se libertar do seu pai e preciso dizer que ler A Transferência chegou a ser dolorido. Como eu já conhecia o personagem e já nutria certo afeto, me deu agonia ler a violência que ele sofria e cheguei a fechar o livro numa das aproximações do pai. Apesar dessa dor iminente, não tem tantas cenas de violência explícita, mas o medo que o Tobias sente é tão intrínseco que acaba por passar para o leitor. Essa parte é a que mais mostra a personalidade do protagonista, enquanto as outras acabam por revelar as diversas faces da facção que ele escolhe - ou o início do desvio do ideal. A Iniciação aborda, entre outras questões, a divergência do personagem e como era a iniciação até então, sem aquela competição de vida ou morte que acompanhamos em Divergente. Também conhecemos, de fato, Amah, o instrutor de iniciação que fora citado algumas vezes na trilogia. O Filho acabou por me surpreender, pois eu acreditava que a autora falaria sobre o "vértice comum", mas ela acabou por esclarecer uma passagem importante da trilogia (sem-facção e tal). O Traidor já vai para um ambiente a que estamos acostumados e começa no dia de visitas, aquele que lemos em Divergente, quando a mãe de Tris vai vê-la na Audácia. Aqui vemos muito do envolvimento deles, mas não se limita a isso - muitas coisas estavam acontecendo paralelamente, que, claro, a gente não desconfiava por só ter uma perspectiva (a da descoberta) da Tris.

Além dos contos, o livro conta com três cenas exclusivas de Divergente na visão de Tobias e, claro, todas envolvendo Tris. É fofo e ao mesmo tempo é de cortar o coração, porque, né. Four se tornou um dos meus personagens favoritos por suas inúmeras qualidades, entre elas a integridade. É incrível ver como ele é fiel aos seus pensamentos e ideais. É muito amor (e sofrimento hehe).

"Ela também confiou em mim, mesmo que Marcus não tenha confiado. Ainda vale a pena protegê-la, assim como sua mãe e o resto da facção na qual ela acredita. Então, é o que farei."

Eu adorei demais Quatro e acho que é indispensável para quem está lendo ou já concluiu a trilogia. Aconselho a leitura após Insurgente, pelo menos, já que tem alguns spoilers. Ainda estou decepcionada com a autora pela falta de profundidade do enredo (ele é profundo, mas não o suficiente para uma distopia de tanta complexidade). Uma coisa que me chamou atenção foi, na página 144, durante uma aula-teste de códigos, o Tobias falar "É como aprender um idioma, digo a mim mesmo." e eu fico me perguntando "como ele sabe que existem outros idiomas se em nenhum momento é citado um povo diferente deles, se nunca é citada a dimensão do mundo, se eles ao menos sabem o que é mundo?". Não sei se é algo da tradução ou se a autora realmente atribuiu um pensamento inverossímil ao seu personagem. Enfim, seja como for, falta de atenção e que acaba por comprovar minha ideia de que está faltando alguma coisa. Mas, de todo jeito, amo o ritmo dessa história como um todo, gosto da forma simples da autora escrever e gosto de todo enredo criado (mesmo com as ressalvas hahaha).

ADL: Iluminadas - Lauren Beukes

ADL = Abandono Definitivo de Livro. Este é o primeiro, mas você pode conferir a coluna ATL (temporário) aqui.


Este será meu primeiro post do ADL, mas este não é o primeiro livro que abandonei. Em toda minha vida “literária”, não concluí – e nem pretendo – outras 4 leituras. É uma boa estatística, levando em consideração que só compro/solicito/peço-de-presente livros que realmente quero ler e que se enquadram nos gêneros literários que tenho predileção. Portanto, é com infelicidade que coloco este livro na pequena lista de “abandonei”.

Iluminadas é um thriller transitório, onde presente e futuro se mesclam. É narrado em terceira pessoa, revelando o ponto de vista de diversas personagens (não apenas os dois protagonistas) e conta a história de um serial killer e de uma de suas vítimas. Harper Curtis é um zé ninguém, um bebum e um homem super violento, que acaba encontrando uma casa “enfeitiçada” e que se revela ser um portal capaz de transportá-lo no tempo. É meio bizarro, mas whatever.

A casa parece exercer algum tipo de influência maligna sobre ele e isso o instiga a cometer assassinatos brutais de garotas do outro lado da porta. Essas meninas são meio que “sugeridas” pela casa e por isso o nome do livro “Iluminadas”. Os crimes são perfeitos e praticamente impossíveis de serem solucionados, já que Harper pode desaparecer e arrumar o lugar para que nenhuma pista seja detectada. Porém, em 1992, Kirby Mazrachi se torna uma sobrevivente e investe seus esforços para encontrar o homem que tentou assassiná-la, iniciando assim, uma árdua investigação. Ponto.

Tem como não querer devorar o livro com uma história dessas? Mas fiquei muito desapontada. Primeiro porque achei a escrita da autora muito maçante, com excesso de detalhes que a meu ver eram totalmente desnecessários e que deixavam certos parágrafos cansativos e desinteressantes. Além disso, não é um texto que se desenrola facilmente e, se fosse, poderíamos superar a parte maçante e seguir com a leitura. Para piorar ainda mais a situação, a variação de tempo acaba por embaralhar ainda mais o desenvolvimento da história. Não que tivesse sido preguiça ou algo assim, pois em vários livros que li o (a) autor (a) também utilizou esse meio e tudo fluiu normalmente (por exemplo, O Circo da Noite, que muda praticamente de data a cada capítulo).

Entretanto, o que me fez desistir de fato do livro, foi uma pequena confusão (?) em relação a certas datas e as personagens. Vou exemplificar:

1 – Em 1931 Harper tem 30 e poucos anos.
2 – Em 1974 Kirby completa 7 anos. Então ela nasceu em 1967.
3 – Em determinado capítulo, Harper e Kirby se encontram em 1931. COMO, se somente ele atravessa a porta e viaja no tempo? E COMO Kirby estaria em 1931 se ela só vai nascer em 1967?
4 – Dan é o amigo repórter de Kirby o qual não me recordo a idade, mas que é narrado tanto em 1929, quanto em 1992/1993. Só aí são 63 anos. O que me intrigou foi a questão dele se apaixonar por ela, que em 1992 teria/faria 25 anos. Levando em conta que SE ele tivesse nascido em 1929, teria a idade que citei acima (63), mas como percebe-se na leitura, ele já é um adulto. Então... QUANTOS ANOS ele tem afinal? Não seria muito “velho” pra ela? MEGA estranho.

Viram a loucura? E ela se espalha entre vários capítulos e eu já estava pirando com o conjunto que citei no início e essa confusão de datas me fez fechar o livro e pensar: Que seja, vá deixar outro maluco. Humpf! E assim Iluminadas se tornou meu primeiro ADL do blog. A premissa é muito boa, que me faz lembrar, inclusive, de Esconda-se, da diva Lisa Gardner e que também conta a história de uma sobrevivente de um serial killer e etc. etc. etc. Uma pena que Iluminadas não seja tão bom quanto. Mas isso é uma questão de perspectiva, não significa que você não vá gostar/odiar ou algo do gênero. É aquela boa e velha história do “preciso ler e tirar minhas próprias conclusões”. Okay? Se alguém aí já leu e quiser desembaralhar meus neurônios, por favor, fique à vontade. E quem ainda não leu, minha única dica é: paciência. Se chegar até o fim, parabéns! Tiro o chapéu pra você.

P.S.: Espero não fazer outro post desses tão cedo. See ya!