Joyland - Stephen King

O último adeus sempre chegava e, quando você via a escuridão se aproximando, se agarrava ao que era alegre e bom. Com todas as forças.


O universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, esperando esquecer a namorada que partiu seu coração. No entanto, é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre; a vítima de um serial killer. Linda Gray foi morta há anos no parque Joyland e, diz a lenda, que seu espírito ainda assombrava o trem fantasma. E não demora muito para que Devin embarque em sua própria investigação tentando juntar as pontas soltas do caso.

O assassino continua à solta, mas o espírito de Linda precisa ser “libertado” e, para isso, Dev conta com a ajuda de Mike, um menino com um dom especial e uma doença grave. O destino dessa criança e a realidade sombria da vida vêm à tona nessa história eletrizante sobre amor e perda, crescer e envelhecer, repleta de mistério e que muitas pessoas sequer tiveram a chance de conhecer, pois a morte chegou cedo demais.

Não posso negar que essa foi, de fato, minha primeira experiência (literária) com King. Já tive a oportunidade de assistir algumas adaptações baseadas em suas obras e, definitivamente, não fazem meu tipo - tanto de leitura, quanto de filme. Porém, o que me interessou em Joyland foi a proposta um pouco diferente do autor. Claro, ainda há seu toque sobrenatural, mas passa bem longe em relação a ser "assustador".

Não é à toa que o chamam de mestre. King tem uma escrita apuradíssima, envolvente, inteligente e conta sua história incrivelmente bem. Joyland é dinâmico até certo ponto: ele não possui capítulos. O que incomodou, de certa maneira. Veja bem, você aguarda aquela pausa necessária por diversas razões, mas ela nunca chega. Há aquelas divisões básicas, cujo os autores colocam sinais gráficos para indicar que AQUELE momento acabou por ali, mas que não é a mesma coisa. Enfim, me incomodou.

O que mais me agradou aqui foi a questão emocional das personagens, a agregação de valores sentimentais viscerais do ser humano, a superação que enfrentamos todos os dias, pois viver é uma luta constate - embora cada um lute num grau de dificuldade diferente. O lado investigativo de Dev também foi um ponto muito positivo, deixando a atmosfera de suspense falar mais alto em alguns momentos. Não achei sombrio. É apenas misterioso. Mesmo gostando da história, no geral, esperava uma revelação MAIS bombástica no final e fiquei um pouco frustrada. 

A narração também é um pouco interessante, mesmo sendo em primeira pessoa, de vez em quando a sensação é de que Dev não é o único locutor (mas é). Ele é quem decide por onde começar, que partes cortar e quando vai terminar. Ou seja, o livro já se inicia com o próprio Dav contando sua história.

O ano de 1973 foi o do embargo do petróleo da Opep, o ano em que Richard Nixon anunciou que não era um criminoso, o ano em que os atores Edward G. Robinson e Noel Coward morreram. Foi o ano perdido de Devin Jones. Eu era um virgem de vinte e um anos com  aspirações literárias. Tinha três calças jeans, quatro cuecas, um Ford velho (com rádio bom), pensamentos suicidas eventuais e um coração partido. Que fofo, hein?

Não diria que foi uma leitura extraordinária, mas foi surpreendente e bastante prazerosa. Indico o livro, principalmente, pra quem ainda não leu nada do King (como eu), pois posso garantir que não tem nada que nos tire o sono, como nas várias obras do mestre do terror. Hahaha! O próximo livro que lerei dele será Sob a Redoma, que só estou aguardando chegar. E, claro, já sabendo que não tem nada a ver com a série (exceto a redoma). Hehe!

Então, gente, comprem seus bilhetes e embarquem nessa aventura em Joyland.

Beijão.

A Caverna das Maravilhas - Matthew J. Kirby

O quinto livro chega, e com ele, a décima segunda (9° fatura) viagem no tempo.

Riq, Dak e Sera saem da Grande Muralha, na China, e chegam em Bagdá, no ano 1258. É nessa época em que os Mongóis vão invadir a cidade, destruindo-a por inteiro, inclusive suas bibliotecas. Um vídeo no SQuare (sim, um vídeo) confirmou o que eles precisavam fazer para corrigir a Fatura daquela vez. Por um lado, a Fatura não era algo grande, como quem descobriria a América, mas sim um pequeno detalhe: este, sim, poderia mudar tudo.

— O SQuare de vocês não tem nenhuma informação sobre a Fatura Fundamental — explicou Mari — porque nós não tínhamos nenhuma quando o configuramos. Caso vocês consigam corrigir a Fratura de Bagdá, teremos essas informações no presente. Isso significa que vocês deverão voltar em algum momento para buscar um novo SQuare.

Os três viajantes no tempo precisavam salvar livros escritos por Aristóteles, livros estes que apontam para a tal Fatura Fundamental, a primeira grande Fatura. Ela seria a missão final deles. O problema é que, para terem informações sobre a Fatura, precisavam voltar para o presente antes do tempo, o que significava um risco ENORME!

O corpo de Riq tremeu inteiro, como se ele tivesse saído de pijama no meio da neve. Como todos os Guardiões da História sabiam muito bem, depois que eles entraram na corrente do tempo, seria perigoso demais voltar ao presente antes de corrigir todas as Faturas. Era impossível prever o que poderia acontecer. Paradoxos. Buracos no tecido da realidade. O fim do Universo. Mas Riq tinha algo mais a temer.

Matthew J. Kirby soube manter as características de cada personagem neste novo livro, o que não deixa de me surpreender: o gosto de Dak por queijo e seu fanatismo em contar cada detalhe da História; a expressão “pelo amor” de Sara e sua constante preocupação com o Cataclismo (que ela presenciou); e os pensamentos de Riq para com a jovem Maia e sua preocupação para com sua existência. Também aprovei a evolução dos personagens: Riq, deixando de ser arrogante; e Sera, se preocupando mais. Apenas Dak não mudou muito, me fazendo lembrar de que é apenas uma criança.

O livro curto não nos deu uma visão muito ampla de cultura e costumes, como foi no último livro, mas também não teve muita importância. A missão, em si, penetrava bem a estória, já que o vídeo no SQuare não podia informar quem era o Guardião da História naquela época, deixando as crianças no escuro. Felizmente eles tiveram uma ajudinha, rsrs.

As pequenas impressões deixadas, as pequenas pistas, e o fato de que um único fracasso pode colocar tudo a perder, nos deixam curiosos para continuar a série. Uma leitura rápida, fluente e simples, que faz se apaixonar conhecedores e leigos em História.

Mini-Opiniões: Fragmentados - Neal Shusterman

O que você faria se soubesse que seus pais pretendem enviá-lo (a) para um campo de colheita onde pessoas são fragmentadas e suas partes transplantadas para qualquer um que possa pagar?

Em Fragmentados Connor, Risa e Lev serão enviados para estes campos. Cada um por uma razão. Connor é um adolescente com um temperamento explosivo e raramente consegue ficar fora de confusão. Seus pais estão cansados disso. Risa cresceu numa instituição para crianças tuteladas pelo governo, mas o mesmo chegou a conclusão de que ela não tinha utilidade para eles e significava mais gastos. Lev era um "dízimo". Foi gerado para ser entregue à fragmentação. E sabia disso.

Num mundo pós guerra, a Lei da Vida foi estabelecida: todos os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços. Unidos pelo acaso e por uma busca desesperada por sobrevivência, Connor e Risa se tornam companheiros numa jornada alucinante e igualmente perigosa. Lev acaba se unindo a eles acidentalmente, mas ninguém parece se importar com seu desaparecimento. Inclusive seus pais.

A Lei da Vida - A Segunda Guerra Civil, também conhecida como "Guerra de Heartland", foi um conflito longo e sangrento motivado por uma única questão. Para acabar com a guerra, uma série de emendas constitucionais conhecida como "A Lei da Vida" foi criada. Ela satisfez tanto o exército Pró-Vida como o Pró-Escolha. A Lei da Vida declara que a vida humana não pode ser tocada desde o momento da concepção até que a criança chegue a idade de 13 anos. No entanto, entre os 13 e os 18 anos, a mãe ou o pai pode escolher "abortar" retroativamente uma criança... Com condição de que a vida da criança não tenha, "tecnicamente", um fim. O processo pelo qual uma criança é ao mesmo tempo eliminada e "mantida viva" é chamado de Fragmentação. Agora, a Fragmentação é uma prática comum e aceita pela sociedade.

Esse livro já estava na minha lista antes mesmo do lançamento, quando Novo Conceito anunciou a sinopse. Sou fã de distopias e, claro, não deixaria essa passar. Durante a leitura fui tomada por um mix de sentimentos, desde raiva até tristeza. Assuntos polêmicos como o aborto e religião fazem parte do enredo e gera opiniões fortes e conflitantes. Na maior parte do tempo me vi revoltada com a sociedade construída pelo autor e fui profundamente tocada num capítulo em especial. O início da leitura é um pouco lento e não dá pistas do que encontraremos no decorrer da história, então me surpreendi em vários momentos e fiquei feliz com o desenvolvimento positivo da trama e com suas críticas implícitas. O livro é dividido em sete partes com três protagonistas e narrado em terceira pessoa acrescentando, esporadicamente, um ponto de vista diferente (um policial, um médico e etc.), deixando-nos a par dos acontecimentos por vários ângulos.

Gostei bastante do livro e recomendo sem dúvida. Mesmo não tendo me agradado desde o primeiro capítulo, minha avaliação, no geral, não foi comprometida. :)

Classificação: 5/5

O Trono Lobo Gris - Cinda Williams Chima

Resenhas anteriores: Demônio | A rainha exilada

O tão esperado terceiro livro da série “Os Sete Reinos”.

Raisa ana’Mariana havia conseguido escapar, o que não queria dizer que estava a salvo. Pois, assim como amigos a encontraram para levá-la em segurança ao reino de Fells, os inimigos estavam à espreita, passando por cima de quem fosse para atingi-la. E, após ver todos morrerem a sua volta, ela mesma não estava segura de sua vida. Felizmente, Han Alister encontrou-a a tempo de salvar a vida de sua amada, mesma que para isso tenha quase custado a vida dele.

E é quando o jovem mago está se recuperando que ele descobre a verdade sobre Raisa, que ele acreditava ser Rebecca. É claro que as coisas mudam, e muito, entre a vida deles. Alister se sentiu usado e viu todas as esperanças que ele tinha entre os dois voarem para longe de suas mãos. Porém, em meio ao perigo que a princesa herdeira de Fells corre, ele não vê alternativa além de fazer tudo para mantê-la a salvo.

Han ergueu os olhos azuis para ela, e ali estava a resposta. Sentia-se traído. Os olhos dele estavam cheios de mágoa, raiva e perda. Ela teve dificuldade para não desviar o olhar. Obrigou-se a sustentar o dele. Devia isso a Han.

A série me encantou e surpreendeu desde o primeiro livro, e não foi diferente nesse. A autora sabe fazer reviravoltas incríveis, colocar os personagens na hora certa, e criar todo um clima de mistério... Algo surpreendente aconteceu (melhor não contar), e não acredito que apenas os Bayar estejam envolvidos. Não. Raisa criou novos inimigos, talvez mais próximos do que ela imagine, infelizmente.

De boba, porém, Raisa não tem nada, e se mostrou muito mais madura agora, com tanta coisa em jogo. Uma verdadeira princesa herdeira, refletindo sobre todas as decisões em mãos e sabendo muito bem o que fazer. Han Alister, também, se mostrou bastante competente, o que apenas mostra o quanto os dois se completam (não, eu não desisti desse casal, apesar de todas as impossibilidades). Ele salvou a vida de Raisa não apenas uma ou duas vezes, e conseguiu, com ela, criar as melhores situações para encurralar todos aqueles que eles sabem estar contra o reino.

Preciso falar sobre coisas, antes desconhecidas, que agora foram reveladas? E sobre as novas situações criadas, as novas dificuldades, as novas esperanças? Nossa, é tanto para falar sobre o livro, sobre o quão incrível a história é! Um enredo que você não para de pensar nem depois de ter terminado de ler há tempos! O quanto do que foi revelado é verdade? O quanto é mentira? Quantas armadilhas há ainda? E como Raisa e Han podem ficar juntos sem que causem uma verdadeira guerra? Com tantas coisas, é difícil acreditar que há apenas mais um livro para acabar a série!

Ok, não vou me estender mais. A ideia é escrever uma resenha, e não um livro inteiro, rsrsrs. Só vou dizer: o livro é incrível, intrigante, misterioso, e nos seduz em cada página. E se você ainda não começou a ler a série, está perdendo tempo!

Just Listen - Sarah Dessen

Com um enredo incrível e uma escrita magistral, Sarah Dessen entra para uma das minhas escritoras favoritas!

Annabel Green não tem uma vida fácil: depois de um acontecimento em uma festa, sua melhor amiga não olha mais em sua cara e só a agride verbalmente. Palavras ofensivas atingem a menina nos corredores e ela se sente cada vez mais sozinha.

Além disso, sua irmã sofre de uma doença seríssima que faz com que Annabel sofra por tabela. Por mais que Annabel e suas duas irmãs sejam modelos até que famosas e tenham corpos e vidas aparentemente perfeitas, ninguém sabe os segredos monstruosos que cada família tem para si. Com medo de todas as situações em que está metida, Annabel encontra uma fagulha de esperança ao conhecer Owen, que trabalha na rádio local, na escola. Embora também seja um garoto cheio de problemas, Annabel e Owen começam a descobrir um no outro coisas que os fazem continuar a tentar mudar a realidade de cada um.

O livro é belíssimo, sem dúvidas. Entretanto, é inegável que trata de assuntos pesadíssimos. É costume dizer que Sarah Dessen trata de assuntos pesados de uma maneira leve, mas sinceramente não senti nenhuma leveza neste livro: ele é cru, mostra o acontecimento duro como ele o é e não alivia as cenas narradas. Senti uma coisa que gritava dentro de mim em certas partes e cheguei até a fazer uma pausa da leitura para respirar.

Isso só deixa o livro ainda mais cativante e ainda mais real, pois conheci muitas Annabel durante a vida. Uma das coisas que gosto no estilo de Sarah Dessen é essa: os personagens da autora são extremamente reais e muito coerentes! A gente consegue lembrar de uma ou outra pessoa que conhece, por que não nós mesmos, enquanto lê. A história, por mais que pesada, retrata o dia a dia de um adolescente atual, que tem que se equilibrar entre tantos problemas e mostrar sempre a capa fina de felicidade para os outros.

A força narrativa de Sarah Dessen se demonstra de forma maravilhosa no livro. Ela é uma potência que te impele para os sentimentos mais bruscos e te faz sofrer, rir e chorar com a personagem. O livro é intenso, te faz ficar bem no ponto em que a autora quer, e isso só faz com que a experiência seja ainda melhor. Sarah Dessen inegavelmente tem um talento nato para a escrita.

Inclusive, vejo muita gente reclamando dos sucessos das séries de livros e procurando por livros únicos: aqui está uma ótima dica! Os livros da Sarah Dessen se relacionam, mas não tem ordem nenhuma e cada um conta uma história solo com personagens diferentes, que se inicia e se encerra no mesmo livro. Em alguns momentos temos easter eggs dos outros livros, como um personagem ou um local que já apareceu em outro livro aparecendo aqui e ali, mas isso não influencia em nada na história do livro que estamos lendo.

A única coisa a ser criticada é a edição ruim da Farol. A tradução peca em alguns momentos, a revisão também. Não gostei nada do estilo do livro, a capa ficou bem ruim também. Aliás, por mais que seja um livro até que bem novo, foi dificílimo de encontrá-lo! Só consegui comprar por um sebo, já que esgotou em todas as livrarias.

Recomendadíssimo para todos que quiserem se jogar em um YA romântico, mas com um tema um pouco mais pesado do que o normal! Sarah Dessen é só amor.

Mini-opiniões: As Virgens Suicidas - Jeffrey Eugenides

"Durante uma festa em sua casa, Cecilia Lisbon, uma garota de 13 anos se joga de uma janela do segundo andar sobre a cerca de ferro. Como uma maldição, num período de um ano, todas as cinco irmãs Lisbon cometem suicídio. Comprimidos, enforcamento, todas as formas são válidas para que, uma a uma, Lux (14), Bonnie (15), Mary (16) e Therese (17) encontrem seu caminho para a morte.
A tragédia marca tanto a rotina da vida local que uma investigação é levada a cabo pelos garotos da vizinhança. Passados 20 anos, eles reúnem um mórbido acervo de evidências, que vão desde entrevistas com parentes até diários e boletins de química. Mas os detetives amadores, determinados a descobrir qual a razão daquelas mortes, lutam para achar as peças deste quebra-cabeça que é a alma feminina."
Essa é a sinopse que traz no livro, onde mais tarde virou filme. Apesar do livro parecer uma história trágica de cinco irmãs que cometem suicídio ano após ano, ele nos traz uma versão um tanto romântica da época.
O texto é narrado em terceira pessoa, mas algumas parte conta o ponto de vista de um garoto que cresceu no mesmo bairro que as irmãs Lisbon e que tenta entender junto com o seu grupo de amigos, por meio de entrevista e de espiadas no quarto das garotas, o motivo do suicídio de cada uma.
"Ficamos sabendo que as meninas eram gêmeas nossas, que todos existíamos no mesmo espaço como animais de peles idênticas, e que elas sabiam tudo a nosso respeito embora não entendêssemos coisa alguma sobre elas. Ficamos sabendo, enfim, que na verdade as meninas eram mulheres disfarçadas, que compreendiam o amor e também a morte, e que o nosso trabalho era apenas gerar o ruído que parecia fasciná-las."
A narrativa fez com que muitas vezes eu estivesse dentro da história. Ela mostra como é a face de mudança de infância para adolescência, e como isso pode ser confuso. O livro é muito detalhista - o que me vez querer desistir de ler algumas vezes, mas consegui ir até o final e meio que sabia como terminava.
Eu recomendo para aquelas pessoas que gostam de livros que se passam em épocas antigas e histórias cheias de detalhes.
"O que você está fazendo aqui, meu bem? Você nem tem idade para saber o quanto a vida pode se tornar ruim'. (...) 'É óbvio, doutor', ela disse, ' você nunca foi uma menina de treze anos."

Despedida de Solteira - Mila Wander

Um livro que apareceu para adquirir gratuitamente na Amazon. Tanto o título quanto a capa chamaram a minha atenção: resolvi dar uma chance e não me arrependi nem um pouco.

Amande (sim, com “e”. E não, não era para ser assim, mas fazer o quê?) tem uma vida regrada. Tudo, para ela, é super organizado, desde sua gaveta de calcinhas até a caixa de e-mails. Odeia imprevistos, quem dirá surpresas. Ainda sim, foi uma “surpresa” que mudou a vida dela para sempre.

Com a vida regrada que tinha, Amande, aos vinte e sete anos, iria se casar, e deixara tudo organizado uns bons dias antes da festa. Ela poderia ficar tranquila, apenas relaxar, se as amigas dela não tivessem outros planos: um fim de semana inteiro como despedida de solteira, em um lugar não apenas paradisíaco, mas também em que elas seriam tratadas como verdadeiras rainhas. Foi quando Amande conheceu o Calebe, e sua vida virou de cabeça para baixo.

As coisas só começaram a desandar por causa da maldita despedida de solteira. Que, por sinal, nem havia me passado pela cabeça.

Não sei como explicar sobre o livro. Ele não é excepcional, na verdade, até um pouco clichê: uma moça com um relacionamento não tão bom conhece outro homem (maravilhoso, por sinal) que a deixa completamente apaixonada e arrebatada. A narrativa, também, não é tão atrativa. Porém, há algo na história — e é isso que eu não sei bem explicar — que faz com que a gente não queira parar de ler! Eu não conseguia desgrudar meus olhos, queria saber como Amande e Calebe iriam se resolver, quando eles iriam se declarar um para o outro e quando Amande iria se tocar que já não amava mais ao seu noivo. E os momentos deles juntos... Ah, isso eu realmente estava ansiosa para ver. A autora soube muito bem, até demais, criar o suspense necessário para ficarmos ansiosos pelo casal.

Mas vou logo alertar vocês: Amande é uma chata! Não uma personagem chata, mal detalhada ou escrita. Mas uma mulher chata. Lembra quando eu disse que sua vida era regrada demais? Pois bem, muito regrada. Quem organiza daquele jeito até sua caixa de e-mails? E era uma verdadeira montanha russa com o Calebe: ora era toda amores, ora era completamente rude. Bem, é claro que isso provinha da culpa que sentia por trair o noivo, mas não conseguia parar de pensar nos sentimentos do Calebe. E não, eu não tive nenhuma dúvida de que ele se apaixonou por ela desde o início. Até porque, haja paciência da parte dele.
"Bastou que tudo acabasse para que minhas reflexões ressurgissem. Todas elas, uma a uma, foram voltando e me acusando de todas as formas. Elas me chamavam de todos os nomes feios reservados para mulheres promíscuas e infiéis."

O livro é agradável, rápido, entusiasmante. Os personagens principais foram bem sondados, embora eu tivesse sentido falta de saber mais sobre as amigas da Amande, especialmente a Lara. O suspense nas cenas entre Calebe e Amande é na medida certa, e a química entre os dois é quase palpável. Gostei dos dois juntos, mesmo que tenha acontecido da maneira errada. Ainda assim, acredito que vocês devem gostar deles também.

[Resenha+Promo] Isla e o final feliz - Stephanie Perkins

Um livro repleto de amor, Isla e o final feliz me conquistou desde o comecinho e fechou a série que se iniciou em Anna e o beijo francês com maestria! E que leitura!

Isla é uma garota extremamente tímida que estuda na França, mas mora nos Estados Unidos. Ela é apaixonada por Josh desde que o viu na SOAP, a escola em que estuda na França. Entretanto, um dia, depois de tirar o siso e estar totalmente grogue com a anestesia, Isla encontra Josh em um café perto de sua casa, em Nova York, e vai falar com ele.

Nesse primeiro encontro inesperado é que Isla e Josh finalmente conversam pela primeira vez. Depois de momentos um pouco desajeitados, ele a acompanha para casa e os dois não voltam a se ver até voltarem para a escola. Ainda assim, Josh ainda é bastante tímido, assim como Isla. Por mais que o primeiro encontro tenha sido bastante satisfatório para ambos, eles não conseguem quebrar a barreira e chegar para conversar um com o outro. Ainda mais depois do término de relacionamento conturbado de Josh, que Isla ainda tem bem vívido em sua memória.

Os dois perderão suas amarras e darão uma chance para o amor?

O livro é incrível! Eu confesso que não estava esperando nada de mais, já que me decepcionei bastante com Lola e o garoto da casa ao lado, livro anterior a este. A autora iniciou a série muito bem com Anna, mas depois parece ter se perdido um pouco com Lola. Por esse motivo eu estava sem expectativas, sem esperar nada.

Qual foi a minha surpresa quando me apaixonei pela história maravilhosa. Ela é saborosa, divertida, tem bastante drama e todo o recheio amoroso que só a Perkins consegue dar para suas histórias. O fato do livro se ambientar em muitos locais belíssimos (Paris, Nova York, Barcelona) só contribui para que a história seja ainda mais prazerosa. Tudo neste livro me fez amá-lo! Embora a Isla pareça um pouco estranha no começo, com o desenrolar da história não tem como não torcer para que o amor impossível entre ela e o Josh finalmente se concretize.

Me peguei em vários momentos falando em voz alta com a personagem, gritando algumas vezes, e quem me segue no twitter acompanhou a minha cadência de emoções enquanto eu lia o livro. Ah, e o final dos personagens que conhecemos tanto nos últimos livros (como Anna, Etienne, Lola, Cricket) está aqui. Um final repleto de emoções e que pode trazer aos fãs da série, como eu, uma pontinha toda especial de amor pelo livro, e quem sabe até lágrimas.

Entretanto, cabe um aviso para os que não são muito fãs do gênero: o livro tem cenas bastante hot!

Um romance gostoso, leve e rápido para quem quer ser arrebatado de primeira! E é claro, a série toda vale a pena. Leiam, leiam, leiam! Não vão se arrepender.

Sorteio do livro

Em parceira com a Editora Intrínseca, vamos sortear um exemplar de Isla e o Final Feliz. Para participar, basta preencher o Rafflecopter abaixo. A primeira entrada é livre e, para mais chances, preencha as demais opções. Veja condições gerais dos sorteios promovidos no Este Já Li aqui

a Rafflecopter giveaway
Boa sorte ;)

Escola Noturna: O Legado - C. J. Daugherty

Um mês após o terrível ataque à Academia Cimmeria, Allie está de volta à escola. Mesmo com dificuldades para encarar o que outrora fora um cenário de terror, ela reúne forças para ajudar na reforma e tentar esquecer o pesadelo pelo qual passou e que poderia ter resultado em sua morte prematura. Entretanto, com o início das aulas e o receio de um novo ataque, uma equipe especializada em segurança é convocada para proteger Cimmeria e, principalmente, Allie.

Diferente do primeiro livro, onde ela tateava no escuro em busca de informações, a jovem é recrutada para fazer parte da misteriosa Escola Noturna e começa viver de acordo com o que seu legado lhe proporciona. Todavia, nem tudo são flores. Ser neta de uma poderosa mulher e descobrir que sua família era mais importante do que poderia imaginar trazia não só uma grande responsabilidade, mas também muitos perigos, o que fazia dela um alvo ambulante. Não bastasse isso, o irmão desaparecido da garota resolve fazer contato e a força do laço entre eles pode se tornar, também, uma grande ameaça.

O Legado tem o mesmo ritmo de escrita do primeiro livro; é instigante, viciante e flui incrivelmente rápido. É uma leitura bastante prazerosa e, desta vez, bem mais eletrizante. Há muito mais ação e adrenalina e o fato de Allie saber com o que esta lidando deixa as coisas muito mais interessantes. Porém, ainda há certa dose de mistério e temos que ler alguns capítulos para fazer novas descobertas. Ou seja, a autora não entrega nada de bandeja.

O que nos deixa com a pulga atrás da orelha durante a leitura inteira é sabermos que existe um traidor, mas não sabemos quem é. Eu já tenho a minha teoria. Geralmente eu acerto, mas vamos ver... Não me importaria de errar, pois isso significaria que a autora soube lindamente esconder o ouro e confundir o leitor, de modo que nos surpreenderíamos com quem, de fato, é o infiltrado misterioso que anda passando informações para Nathaniel.

Embora, na história, o intervalo de tempo entre os acontecimentos entre livro um e dois seja de apenas um mês, gostei da forma como a autora conduziu a protagonista. É notável a maturidade que ela adquiriu e percebemos isso tanto nas falas, quanto nas atitudes dela. Claro, ela ainda é uma adolescente e continua cometendo erros, mas vemos uma grande diferença entre a menina revoltada e marrenta que chegou à Academia contra sua vontade e a nova Allie que se sente mais em casa na Cimmeria do que na sua própria residência. Eu considerei isso um grande salto. Hahaha

Assim, como no anterior, o romance também não é o foco da trama, mas tem seu papel. Achei que encontraria mais romantismo, mas o enredo não pede muito isso e achei aceitável durante o desenrolar da história. O que me irritou, mas não muito, foi o clichê triangulo amoroso... Aff! Allie teve alguns deslizes, agindo de forma meio idiota em certos momentos, mas relevei. Quem me surpreendeu, na verdade, foi Carter. O garoto tem muita coisa escondida na manga e creio que todos os seus segredos devem vir à tona no próximo livro, pois a autora foi bem discreta nesse.

Outra surpresa foi o fato da autora matar um personagem que considerava muito improvável e, confesso, fiquei de queixo caído. Claro, a morte sempre é dramática e chocante, mas eu realmente não esperava que isso aconteceria com a personagem “X”. Espero que ela não resolva matar mais alguém. Sério. Fico bem chateada com esses autores que nos fazer ter grande empatia com certos personagens e depois os arrancam da história e despedaçam nossos corações. É muita maldade, não acham? Bom, super recomendo a leitura e minha dica é que você leia um livro seguido do outro.

Encontrei alguns erros na revisão/tradução que deixaram certas frases sem sentido. Não é nada extraordinário, mas fica uma interpretação confusa. Também achei incômodo os diálogos narrados no passado não serem em itálico, algumas passagens eu li e reli para me dar conta de que eram lembranças e não o presente. Fora esses "detalhes" esporádicos, o restante da leitura é bem tranquilo.

P.S: Abaixo vou colocar as capas das duas edições que a Suma de Letras deu aos livros e, se você ainda não leu a resenha do primeiro, clique aqui.

Capa Antiga


O Bairro da Cripta - As Elegias - Marcos R. Terci

Um livro de terror escrito em uma narrativa poética.

O Bairro da Cripta ficava em Tebraria, e tanto a cidade quanto o Bairro eram considerados sinistros (talvez aquele em virtude deste). Muitas coisas aconteciam no “mal-afamado lugar”, com o surgimento (ou talvez sempre existissem?) de diversas criaturas sobrenaturais e aterrorizantes.

Composto por diversos contos, o livro conta várias histórias de terror — algumas verdadeiramente aterrorizantes — através de uma narrativa poética, desenhada, disposta a envolver o leitor e tragá-lo para dentro desse mundo sobrenatural.

"Nunca compreenderei, em todo ou demasiadamente, a complexa vontade de um fantasma. Cartas vêm e cartas vão de sítios incertos, de remetentes desconhecidos que cá não mais existem. Tornam-se parte de uma consciência uma e rotineira, agrilhoada a lembranças de outrora, à matéria e aos caprichos e desejos daqueles que sonham estar vivos."

A escrita poética é um ponto alto do livro, trazendo algo diferente para os contos de terror. Infelizmente, o livro não me atraiu como deveria. Talvez pelo gênero, que nunca havia lido (acredito que, neste caso, “Formaturas Infernais” não contam), mas, acredito, principalmente pelo fato de estar distribuído em contos, e não por ser um romance completo. Talvez, se estivesse relacionado em um romance, iria me atrair mais. Sim, é verdade que alguns contos (senão, todos), estão entrelaçados de alguma forma, no entanto, não atiçou minha curiosidade para chegar logo ao final do livro.

O livro é composto por inúmeros personagens do terror, antes já escritos ou simplesmente novos. Para um verdadeiro amante desse gênero, tenho certeza de que agradará, principalmente pela narrativa poética. O fato de se passar no Brasil e de que a história se identifica bastante como “brasileira” pode atrair aqueles que gostam de valorizar a nossa cultura.

[Resenha+Promo] Brutal - Luke Delaney

"Ele sempre ria das cenas de crime da TV, com dezenas de viaturas e as luzes azuis rodopiando. No interior do prédio, dezenas de detetives e peritos se atropelando. A realidade era diferente. Inteiramente diferente. O mais perturbador das verdadeiras cenas de crime era o silêncio – a morte violenta da vítima deixava a atmosfera abalada e brutalizada."

Sean Corrigan não é um detetive como os outros. Após viver uma infância de abusos e violência, ele criou uma espécie de “sexto sentido” ou (dizem os mais céticos) um olhar apurado para identificar a escuridão na alma de algumas pessoas; um lado negro que ele reconhece em si mesmo e luta todos os dias para conter. Com uma impressionante carreira no Departamento de Investigação de Homicídios de South London, um casamento dos sonhos e duas lindas filhas, tudo o que ele quer é ver os loucos psicopatas atrás das grades.

Entretanto, ao ser chamado para investigar a morte de um jovem covardemente assassinado, Corrigan se vê envolvido no maior desafio de sua carreira: perseguir um psicopata que muda de métodos a cada crime, sem deixar pistas nem um padrão que permita prever seus próximos passos. A única coisa que o detetive possui é o seu instinto indicando que a série de homicídios que se espalha por Londres é obra de uma única pessoa.

Brutal é um livro espetacular! Não consigo juntar palavras suficientes para descrever como a leitura foi. Ao mesmo tempo em que ficava maravilhada com a escrita apurada e detalhada do autor, tinha acessos de pavor. Cheguei a ter sonhos conturbados e até interrompi a leitura por uns dias. Você pode achar que estou exagerando, eu entendo, mas costumo ter uma mente muito ativa enquanto leio, criando os cenários, dando voz aos interlocutores e sentindo a tensão na qual a cena foi desenvolvida.

Sou muito fã de thrillers e romances policiais, inclusive de séries tipo CSI e NCIS, apesar de não acompanhar fielmente os episódios e temporadas. Portanto, associando a leitura ao que costumo/costumava assistir, minha mente trabalha sem parar construindo e ambientando tudo. Então, logo nas primeiras páginas eu já soube que teria um grande enredo pela frente. A experiência de campo do autor foi imprescindível para dar veracidade a história e criar personagens absolutamente críveis e, além disso, faz com que tenhamos um envolvimento emocional muito maior. É impossível não se abalar/revoltar.

Outra grande sacada foi a alternância de locutor. Quando é narrado em terceira pessoa, mostra amplamente a investigação e nos deixa a par das decisões e suspeitas do detetive Sean que, mesmo tendo sido vítima de um passado escuro e profundamente abominável, tornou-se uma pessoa capaz de afugentar seus próprios demônios e controlar sua fúria, usando sua infância despedaçada para descobrir pistas que os outros policiais não conseguiam enxergar. Podia compreender e interpretar as motivações dos assassinos e estupradores, como se pudesse farejar os rastros das emoções que exalavam. Poder, repulsa, culpa, medo, desejo... Sua imaginação fazia com as cenas ganhassem vida e virassem um filme dentro de sua cabeça.

Quando narrado em primeira pessoa, vemos pelos olhos do assassino. Um homem com sérios distúrbios psicológicos e uma visão deturpada de sua existência. Ele trama friamente cada morte como se estivesse planejando o que comeria no jantar, ou o que vestiria quando fosse sair de casa no dia seguinte. A morte não o assusta. Ele é calculista, desequilibrado, impiedoso e brutal. Um ser completamente desprezível e que me assusta só de pensar que existem pessoas como ele a solta por aí.

"Se vocês fossem sequer capazes de entender a beleza e a clareza do que estou fazendo. Vocês precisam deixar de lado as regras da natureza e escolher viver segundo outras leis. Moralidade. Moderação. Tolerância. Eu não. Costumo me distrair escolhendo um passageiro ao acaso, imaginando como seria arrancar seus olhos e cortar sua garganta depois. O fedor de todos esses possíveis objetos é muito estimulante para aminha imaginação. (...) Eu o esfaqueei. Ele tentava falar. As pessoas sempre querem saber o por quê. Então cochichei em seu ouvido. Seria a última coisa que ele iria ouvir: - Porque eu preciso."

O ritmo da escrita é uma constante, sendo intrigante e surpreendente do início ao fim. O autor, que usa um pseudônimo, soube explorar com maestria o uso da ciência forense e estruturou diálogos sólidos e com grande fluidez. Os crimes são, em sua maioria, hediondos e dão aquele frio na espinha cada vez que tento imaginar. É brutal (sem trocadilhos). Se você gosta de trhillers, esse não pode faltar na sua estante. Super recomendo, mas se você é fraco e não aguentava cenas pesadas, cheias de tortura e violência, não leia, ok? Essa leitura é completamente insana. Não tem outra palavra. O título do livro não poderia ser mais apropriado.

Sorteio do livro
Em parceria com o selo Fábrica231 da Editora Rocco, vamos sortear um exemplar do livro Brutal de Luke Delaney. Para participar, basta preencher o Rafflecopter abaixo - a primeira entrada é livre e, para mais chances, cumpra as demais tarefas. Boa sorte!

a Rafflecopter giveaway

[Resenha+Promo] Redenção de um cafajeste - Nana Pauvolih

"Redenção de um cafajeste, o primeiro volume da série, conta a história de uma garota simples, que sonha terminar a faculdade e ser professora, e se envolve com um empresário sem escrúpulos. Uma história que mistura doses certeiras de paixão, romantismo e erotismo, tendo o Rio de Janeiro como cenário.

Em Redenção de Um Cafajeste, a autora narra a história de uma garota simples, que sonha terminar a faculdade e ser professora, e que conhece um empresário, dono de uma das revistas masculinas mais escandalosas do país. Uma história que mistura doses certeiras de paixão, romantismo e erotismo, tendo o Rio de Janeiro como cenário." Sinopse retirada do Skoob.

Está cada vez mais difícil encontrar um romance erótico que não tenha o enredo já batido: homem muito rico, mulher comum, atração incontrolável e um casal que não poderia, mas acaba apaixonado. Redenção de um cafajeste tem um pontinho ou outro diferente, mas é basicamente isso. Mesmo assim, ainda vale a leitura para quem curte o gênero. Essas pequenas diferenças que acabam se destacando no livro e dá uma refrescada no gênero já saturado.

Maiana sempre foi linda, mas nunca usou sua beleza para manipular as pessoas - como sua mãe insistia para que fizesse. Ela é uma mocinha muito esforçada, persistente e decidida, e sua personalidade forte é bem reforçada na história, o que já a difere de tantas outras Anastasias por aí. Em alguns momentos sua resistência me deu nos nervos, mas sei reconhecer que isso foi bom para o enredo e coerente com a forma que a personagem foi apresentada. 

Do outro lado, Arthur é o clichê homem-poderoso-e-milionário-que-transa-com-um-monte-de-mulheres-mas-nunca-se-apaixona. E mesmo assim é irresistível. Quer dizer, ele foi me conquistando no decorrer do livro, porque ele dava umas mancadas que me deixava em dúvida se, em algum momento, seria digno de ser amado. Por outro lado, sua redenção foi um processo e aconteceu por etapas, diferente de c e r t o s h o m e n s que se santificam assim que colocam os olhos na mocinha - então sua canalhisse deu um toque de realidade. A família de ambos os personagens têm bastante peso na história e adorei a forma como tudo foi trabalhado.

A escrita da autora combinada com o enredo instigante facilitam muito para que a leitura seja rápida - mesmo que o livro tenha mais de 500 páginas. Tudo flui muito bem e, apesar de se tratar de uma trilogia, a história de Maiana e Arthur está inteirinha neste volume, pois os próximos livros tratarão de outros dois amigos de Arthur. O próximo é Matheus, o romântico, mas... deixa você ler para descobrir!

Como já disse, para quem curte bastante o gênero, o livro é muito indicado, mas para quem já está cheio deste plot, não tem muita novidade. No meu caso, valeu a leitura. Um acontecimento ou outro me fizeram revirar os olhos, mas no geral, foi uma leitura prazerosa (sem trocadilho, juro!).

Sorteio do livro
Em parceria com o selo Fábrica231 da Editora Rocco, vamos sortear um exemplar do livro Redenção de um cafajeste de Nana Pauvolih. Para participar, basta preencher o Rafflecopter abaixo - a primeira entrada é livre e, para mais chances, cumpra as demais tarefas. Boa sorte!
a Rafflecopter giveaway

Até Que Eu Morra - Amy Plum

"O tempo se vai rápido demais. Seus dias e suas horas. Voam por sobre nossas cabeças como as nuvens leves de um dia de vento, para não mais voltarem. Tudo segue adiante, enquanto tu estás a abrir aquela fechadura. Vê! Torna-se cinzas. E cada vez que beijo tua mão em despedida, e cada ausência que a isso se segue, são prelúdios para a separação eterna que em breve teremos."


Após um romance conturbado e cheio de reviravoltas em Morra Por Mim, Kate e Vicent finalmente estão juntos. Entretanto, a imortalidade de Vicent é um grande desafio para os dois, uma vez que Kate, como humana, não viverá para sempre. Em Até Que Eu Morra, o casal tenta encontrar uma maneira de manter o relacionamento sem ignorar o fato de que um dia ele vai ter que acabar. Enquanto isso, o silêncio dos Numa é uma interrogação pairando sobre a cabeça dos Revenants que tentam, a todo custo, descobrir quem está no comando e qual será o próximo passo do inimigo.

Após muitas revelações no primeiro livro, não conseguia imaginar o que mais a autoria poderia explorar adiante. Confesso que fiquei surpresa com os novos segredos e com o desenrolar da história, pois sempre tenho certo receio de continuações. Vocês entendem, né? Alguns autores acabam se desviando da proposta e desanda no enredo. Porém, Amy conduziu este segundo volume de forma bem paciente e revelou tudo na hora certa.

Alguns de vocês podem achar o início meio lento, mas vi essa “lentidão” de forma positiva, de modo que nada ficasse sem explicações posteriores. O ritmo da escrita também continuou o mesmo; fluida e instigante. Impossível não terminar um capítulo sem querer ler o próximo. O que me torturou um pouco, pois não pude ler de uma vez só por falta de tempo. Infelizmente.

Neste livro também temos novos personagens, Arthur e Violette, ambos com vasto conhecimento sobre os Numa e, claro, com séculos de experiência. Tive um começo não muito amistoso com os dois, principalmente com Arthur, que ganhou minha antipatia na primeira vez que abriu a boca. Hahahahaha Embora suas aparências fossem de adolescentes, eles faziam parte do grupo mais antigo da estirpe, o que gerou um pouco de conflito entre os padrões deles e de Kate.

A grande sacada de Até Que Morra está na experiência secreta que Vicent tem desenvolvido. Não se sabe com que intuito e muito menos quais os métodos, mas Kate percebe que não tem sido fácil e a aparência deslumbrante do rapaz se torna cansada e obscura. Ele garante que está fazendo de tudo para encontrar um meio de fazer esse romance dar certo, mas será que vai conseguir? Como poderia ele deixar de ser imortal? Kate, por sua vez, com sua inteligência e amor pela leitura, passa a fazer sua própria pesquisa.

Gostei do amadurecimento da personagem, embora o tempo entre as histórias seja apenas um mês de diferença. A autora também não faz uma grande introdução, mas relembra os acontecimentos em um capítulo ou outro. Aqui também temos uma participação maior dos avós da garota e descobrimos que eles sabem mais do que imaginamos. O que me leva a crer que futuramente eles descobrirão que Vicent é um Revenant. Será? Traição, surpresas e um final... QUE FINAL!!! Ainda tô aqui sem acreditar. Enfim!

Não tenho como falar mais da história sem dar spoiler, então vou me limitar aos parágrafos acima e dizer que esse livro é tão bom quanto o primeiro. Se você ainda não leu a resenha e quer entender melhor do que se trata a história, clique aquiSe você já leu este livro, saiba que há um conto antes do 3º volume, o Die for Her (Morra por Ela – tradução livre). O terceiro volume é intitulado If I Should Die (Se Eu Morrer – tradução livre), que também traz um conto, o Die Once More (Morrer mais uma vez – tradução livre). Os contos estão disponíveis somente em inglês e apenas para venda na Amazon. Não tenho informações se a Farol vai traduzi-los. Mas uma coisa é certa: estou mega ansiosa para ler esse desfecho.

P.S.: As capas elaboradas são LINDAS, né? O trabalho gráfico segue o mesmo padrão de capa e miolo. ♥ Não tem como não AMAR e não querer na estante. Hahahaha :) 

[Promoção] 5 anos de Entrelinhas Casuais


Hoje o blog Entrelinhas Casuais comemora seu quinto ano de vida e claro que não poderia faltar promoção para vocês.

Participem, pois tem muitos livros bons!

Atenção:
  • A promoção começa hoje (08/05) e termina no dia 31/05;
  • O resultado sairá em até 7 dias;
  • O ganhador terá um prazo de 48 horas para responder ao e-mail, com seu nome e endereço completos, caso contrário um novo sorteio será refeito;
  • Perfis exclusivos de promoção, falsos ou criados apenas para participar desta promoção serão desclassificados;
  • É necessário possuir endereço de entrega no Brasil;
  • Cada blog é responsável pelo envio do livro cedido dentro de um prazo de 45 dias úteis;
  • Caso o livro volte por envio de endereço incorreto, cabe ao sorteado pagar pelo novo frete de envio;
  • O blog não se responsabiliza por extravios;
  • Para maiores esclarecimentos, leia os termos de promoção do blog aqui.












Boa sorte ;)

A Herdeira - Kiera Cass

ATENÇÃO: SPOILERS DE A ESCOLHA

Um dos livros mais aguardados do ano, essa é a continuação do final "felizes para sempre" de America e Maxon. Só que não é tão feliz assim...

Eadlyn é a sucessora do trono de Illéa. Filha de Maxon e America, a moça já precisa saber administrar muita coisa muito jovem, e tem o peso sobre os ombros de ter que ser tão boa quanto os pais. A fama e a competência de seus pais são uma sombra para qualquer lugar que ela vá.

Entretanto, por mais que tudo pareça estar indo a mil maravilhas, as castas dissolvidas e aparentemente tudo nos eixos, protestos e revoltas vindos de uma parte da população fazem com que a família real se desestabilize. Maxon precisa urgentemente de um atrativo para distrair o povo, a fim de conseguir pensar em soluções eficazes para a população. Assim, em conjunto com os pais, Eadlyn decide que a hora é boa para se iniciar uma Seleção e para que ela própria pense em algo relacionado a casamento - mas com algumas modificações e regras próprias na competição.

O que dizer desse livro? Eu não sei se consigo ser totalmente honesto porque ainda me resta um resquício de lembrança de como A Seleção foi e eu me sinto muito responsável por qualquer coisa malvada que eu vá dizer aqui. Mas realmente, não tem como apontar inúmeras falhas nesse novo livro da série. Espero que ninguém se ofenda com o que vou escrever aqui.

Já começo dizendo que essa série foi pensada como uma trilogia, e isso já explica muita coisa. Esse livro é quase que anexo, quase que inicia uma segunda série, já que vai mostrar a vida da terceira geração de Schreaves. Kiera Cass não tinha qualquer planejamento de lançá-lo antes, e isso já mostra que existiam problemas acontecendo desde o final de A Escolha. Eu juro que tento pensar que não, mas parece sim que Cass está continuando a série só porque é conveniente pra ela e para a editora. Pra ser bem sincero, desde o final de A Escolha e do conto A Rainha venho vendo problemas sérios na série.

O que me dá a impressão é que Cass tenta, a todo custo, criar uma história com profundidade, mas ela simplesmente se afoga e tenta se debater no meio de tantas coisas criadas, sem conseguir achar uma solução para tudo. Foi assim em A Seleção: no fim, tudo foi resolvido de uma maneira absolutamente nada a ver, Kiera deu um destino muito preguiçoso para todos os personagens que não eram convenientes e criou um final bastante abaixo do que eu esperava. Além disso, ignorou todas as revoltas e todo o pano de funo - genial, diga-se de passagem - que ela vinha criando desde então. Kiera Cass tem ideias fantásticas, mas não consegue amarrá-las todas juntas e dar uma conclusão para todas. Isso é um ponto muito problemático dos livros.

Entretanto, neste livro, Kiera parte para uma proposta mais simples: o livro tem um tom bem mais despretensioso e mostra muito menos cenários políticos do que A Seleção mostrava. Grande parte do meu descontentamento com este livro vem daí: quer dizer que Illea se reduziu apenas a dias felizes e uma parte do povo meio revoltada? Onde está a profundidade política de Illéa que se apresentava em A Seleção? Eadlyn parece ser uma boa administradora, mas não parece saber lidar com todo o cenário que Maxon lidava em  A Seleção. E a pergunta que não quer calar: eu estava esperando demais de um livro que não tem essa proposta? Provavelmente sim. Eu não queria superestimar o livro, mas pedir que ele tivesse um pouco mais de intrigas políticas não é muito, é? Sinceramente, depois de muito considerar, não consigo pensar em nenhum ponto que me fez gostar do livro.

A protagonista, Eadlyn, é extremamente mimada e irritante. Ela tem falas bizarríssimas que beiram a ofensa (ela chega realmente a ofender uma criada) porque se considera muito mais valiosa e "soberana" do que as outras pessoas - nem preciso dizer que esse tipo de gente já me irrita na vida real, imagine só em livro. Acho muito problemático que Kiera Cass passe essa imagem da futura rainha, protagonista do livro, algo que todos buscarão uma identificação, para os fãs (tão novos, diga-se de passagem) da série. Os caras (babacões) que participam d'A Seleção são sem-graças, não fazem nada de interessante. Eles são super mal retratados, a autora explora muito pouco a característica de cada um e parece que o ponto principal nem são os garotos. Eles passam o livro inteiro sendo uns pé no saco com todo o mimimi de querer a atenção da princesa de jeitos aleatórios (desculpem inclusive o erro de concordância, realmente não tinha expressão melhor pra denominá-los).

Fiquei bastante espantado com a colocação de uma Política do Pão e Circo no livro vinda de Maxon e America. Nunca imaginei que Maxon fosse ser, algum dia, a favor de entreter o povo para que não percebesse as agruras que passa. America me surpreendeu por não ser a voz destoante que sempre foi, mas inclusive propor que os desejos da filha fossem anulados pelo bem da Política do Pão e Circo. Além disso, outros pontos bizarros pra mim incluíam o fato de Marlee morar no palácio e Aspen também.

O livro, por fim, parece uma repetição de um modelo criado por Kiera. Parece uma receita de bolo. A estrutura do livro está inteira ali: a mesma estrutura desde A Seleção. No meio do livro alguns acontecimentos, problemas, uma preparação para um final avassalador e BAM!, cliffhanger. Não preciso dizer o quanto fiquei cansado quando cheguei ao final do livro e percebi que estava caindo mais uma vez em um final em que tudo acontece e que deveria te deixar com uma vontade maluca de ler o próximo. Acontece que dessa vez não funcionou: só consegui achar o final bizarro (sério, gente, o que foi esse final nada a ver?) e não sei bem como Kiera vai fazer pra solucionar o grande ponto do final do livro. Foi um grande dramalhão mexicano, sem um sentido completo. Eu, sinceramente, não entendi qual foi o grande ponto do final. Eu só... não sei mais o que pensar.

Pra não ser totalmente injusto, uma cena aqui ou ali faziam o livro valer um pouco a pena (mas quase todas elas tinham a ver com o futuro de outros personagens da série, uma covardia). Isso, entretanto, não é nada comparável ao tanto de desgosto que o final do livro me trouxe e propôs.

Me decepcionei bastante. Acabo pensando que Kiera poderia muito bem ter feito de A Seleção um livro único - e terminado por lá. Não existe mais história para ser contada, e insistir em uma coisa que não deu certo pode acabar com a carreira de alguém.

O garoto dos olhos azuis - Raíza Varella

Já tive muitas ressacas literárias, mas nunca uma tão longa. Se tem algo que define minhas (tentativas de) leituras atualmente é: frustração. Se a solidão é estar entre milhares de pessoas e se sentir só, a ressaca literária é ter uma pilha gigante de livros para ler e não se empolgar com nenhum deles. O negócio está mesmo sério, acredite. E no meio de tantas tentativas, chegou um livro que eu queria dar apenas uma espiadinha e lá se foi meu final de semana todo dedicado à leitura. Nossa, como senti falta disso! Esse parágrafo é apenas para falar duas coisas: 1. eu precisava desabafar sobre não ler como eu gostaria e 2. O GAROTO DOS OLHOS AZUIS É MARAVILHOSO!

"Bárbara é linda, loira e bem-sucedida. Desde que assistiu a uma cerimônia de casamento pela primeira vez, ainda criança, seu sonho é apenas um: percorrer o tapete vermelho da igreja, vestida de noiva. Porém, contrariando todas as suas expectativas, ao ser abandonada no altar, a vida de Bárbara desmorona. Ela decide voltar à cidade natal e passa a viver com os irmãos e mais dois amigos. Todos homens. Com a ajuda de Vivian, uma espécie de Barbie Malibu, Bárbara tenta superar sua decepção amorosa recente e uma da adolescência, que volta com tudo à sua memória: o garoto dos olhos azuis. Será que o cavalo branco só passa uma vez? É isso que Bárbara vai descobrir com bom humor, jogo de cintura e uma pitada de neurose." Sinopse retirada do Skoob.

Deixa eu te avisar: clichezão. Mas se alguém escrever um chick-lit que não seja, migo, tá no gênero errado. Eu sempre gostei mais de romances, mas percebi que já não me empolgava tanto com as histórias do Sparks ou outros "romances contemporâneos de raiz" e aos poucos fui os deixando de lado. E só agora, lendo esse livro, me dei conta de como senti falta de me envolver tanto numa história onde o principal objetivo é a mocinha encontrar seu príncipe encantado - e ficar com ele, claro!

Pegue a definição de chick-lit e você terá as características de O garoto. Como não amar um livro que mistura romance, comédia e drama? Mas o que diferencia esse livro de tantos outros títulos? Posso citar a escrita da autora, uma delícia de acompanhar, bem fluída e bem desenvolvida. Também posso falar dos personagens absolutamente reais - e destaco os secundários que tem grande participação na trama e têm papéis bem relevantes no enredo. Minha admiração pela autora cresceu com um motivo especial: ela não escolheu uma "saída fácil" muito utilizada por novelas/séries/livros para uma determinada situação no livro - que obviamente seria spoiler comentar sobre, mas fica aqui meu apoio ao pensamento que não se trata de um objeto ou obstáculo a ser retirado do caminho. Gostaria de falar sobre minha indignação com a tratativa em outros meios, mas fica para algum desabafo no twitter e tal. Enfim, parabéns à autora pelo respeito com que tratou tudo e como foi coerente e cuidadosa. 

Ian é um príncipe que se faz de sapo no início e, mesmo sabendo que eu iria gostar dele em seguida, me questionei se ele precisava ser tão seco com a Bárbara. Tá, eu sei que pegar alguém comendo o SEU sorvete é totalmente digno de raiva (sério!), mas ele podia entender e respeitar o momento Bridget Jones da garota. Bem, Ian é assim: uma mistura de cara real com um pouquinho de príncipe dos Contos de Fadas - ai, como posso dizer? Ele é um tipo de cara normal, mas um bom cara normal, aquele que a gente sonha em encontrar (eu sonho, pelo menos rs), que equilibra bem os defeitos e qualidades. Sua irmã se mostra uma amiga maravilhosa e também merecia um livro (hehe tá na moda, né?). Os irmãos da protagonista me confundiam, mas aí eu me lembro como irmãos são na realidade e tudo faz mais sentido - isso é algo que devo destacar: apesar da nuvem negra sob a cabeça da Bárbara, tudo é muito coerente e com boa dose de realidade, onde é possível identificar o exagero para dar o tom dramático e cômico, mas também onde a gente consegue imaginar aquilo acontecendo na vida de alguém, sem problema nenhum. É o tipo de história que funcionaria muito bem num filme.

"(...) Tudo que eu mais desejei estava bem à minha frente e eu não conseguia alcançar. Se fosse em outra época, em outra vida, talvez pudéssemos começar uma história, mas a minha vida já tinha muitos 'era uma vez' para eu conseguir chegar em um 'felizes para sempre' sem deixar meu coração em pedaços no caminho."

Eu preciso falar sobre como eu queria marcar cada pensamento da protagonista. Gente, me identifiquei tanto! Já começou no prólogo com a visão dela do amor e do sonho de se casar para seguir para a triste realidade: a Disney nos enganou. É tão legal a forma como ela desenvolve os pensamentos e eu só queria sair colocando tag atrás de tag, mas estava tão grudada na história que acabei nem levantando pra pegar e deixei passar (pfvr, isso já aconteceu com você? Às vezes não consigo largar o livro para ir pegar um marcador!). Além disso, fiquei apaixonada pelas citações nos inícios dos capítulos - sério, melhor livro neste quesito! Tooooodas as frases (trechos de livros/músicas) são lindas e fazem muito sentido na história. Até falei no instagram que eu queria sair fotografando para compartilhar todas (e mandar indiretas para o crush #soudessas).

Se você procura uma história para te deixar com uma sensação boa no final e não se importa com os clichês: se joga em O garoto dos olhos azuis. É muito amor ♥

Mundo Novo - Chris Weitz

Imagine viver num mundo onde não há energia elétrica, água potável, comida escassa, casas, prédios, estabelecimentos comerciais, lanchonetes, carros... Tudo completamente abandonado. E pior: nenhum adulto, idoso, e muito menos crianças. Este é o Mundo Novo. Habitado única e exclusivamente por sobreviventes do Ocorrido: a disseminação de um vírus mortal que dizimou todos os humanos do planeta.

Exceto os adolescentes, pois apenas seus hormônios da puberdade serviam de escudo, mas conforme se aproximavam do fim da adolescência, o vírus os enfraquecia e finalmente agia no organismo até a morte desses indivíduos. Para sobreviver os poucos anos que ainda lhes restavam, esses jovens se reuniam em tribos e foi assim que Jeff e Donna, nossos protagonistas, se tornaram membros da tribo da Washington Square.

Amigos desde a infância, eles viveram desde o fim do Ocorrido sob a liderança de Wash, irmão mais velho de Jeff e que já apresentava os sintomas da infecção. Logo, Jeff assumiria o comando. Após a morte do irmão, ele decide que precisa encontrar respostas e, lá no fundo, a esperança da cura. E assim, a estranha versão da Sociedade do Anel composta por Jeff (o nobre cavalheiro filósofo nerd), Donna (a garota bad ass poderosa e ligeiramente desequilibrada), Crânio (o nerd tecnológico gênio do crime), Peter (o homossexual cristão viciado em adrenalina) e Minifu (a Jedi tão baixota quanto o Obi-Wan), parte rumo aos lugares mais “remotos” da ilha de Manhatan em busca da única informação disponível: o artigo de uma renomada revista de virologia.

Ambientado em um cenário pós apocalíptico, Mundo Novo tem um enredo completamente viciante e um texto rico e fluido. É narrado em primeira pessoa por Donna e Jeff alternadamente e, é essa diferença de ponto de vista que deixa tudo ainda mais interessante. Enquanto Jeff mantém seu tom formal, Donna é o dobro do oposto (se é que isso existe hahaha). A escrita de Weitz é envolvente, convidativa e leve. Daquelas que, apesar da quantidade de informação, se desenrola facilmente e só mais um capítulo não basta.

É ler de uma vez só e roer as unhas à espera do próximo livro da trilogia. Há uma certa tensão no ar, por conta de sentimentos não declarados, do clima nada favorável ao bom humor (quem riria do vento se estivesse passando fome?), mas que mesmo assim está presente e o suspense que paira sobre suas cabeças quanto a existência ou não do misterioso Velho, um possível – e único – adulto sobrevivente do colapso mundial.

Umas das razões pela qual também me encantei pelo livro, é que o autor (por ser roteirista de filmes que têm como alvo um público nem muito novo e nem muito velho, vide Lua Nova) insere muitos aspectos da realidade, como por exemplo, fazer piadas citando Tolkien, A Guerra dos Tronos, o Twitter, o Iphone, um restaurante McDonald’s ou a Nicki Minaj, fazendo com que a atmosfera do livro pareça mais palpável e crível. Outro exemplo: Se o Ebola tivesse tomado proporções gigantescas e erradicasse a população mundial e SE houvessem pessoas inumes... O que lemos no livro não seria tão ficção assim, hum? Afinal de contas, há rumores de que esse vírus foi “espalhado” estrategicamente. WHO KNOWS?

"(...) Portanto, há algumas coisas que me chateiam em relação aos meus pais. O fato de terem escolhido meu nome por causa da Madonna – não a mãe de Jesus, mas a cantora. Cara. Mas vou mudar isso? Não. Todo mundo está mudando de nome. Por que não, afinal? É tipo, “Oi, meu nome é Katnis"s, “Sou a Tryoncé”. Esquece. Vou ficar com o meu (Ma) Donna."

Dei boas gargalhadas. Mal posso esperar pelo segundo livro. Aliás, vi Mundo Novo na lista de Futuros Lançamentos da Editora Seguinte lá pelo mês de março/abril e esperei – ansiosamente – pelo lançamento em setembro/outubro. Fico MUITO feliz em dizer que SUPER recomendo esta leitura e, se ela já estava na sua lista, saiba que você não vai se arrepender. Inclusive, separei outra quote super bacana. Para refletir:

"O engraçado é que as pessoas pensavam que os livros eram tão inúteis, tipo, que o Kindle e tudo mais iam acabar com eles. E agora que penso nisso, a ideia de acabar com os supostos livros antiquados é meio babaca. Depois do Ocorrido, toda essa coisa de tecnologia é totalmente inútil sem eletricidade. As atualizações de status, os tuítes e os posts nos blogs foram apagados, ou ficaram presos seja lá o que for, quando os servidores caíram. De certa forma, nunca realmente existiram – não no espaço real. Mas livros... livros são acessíveis. Você pode manter as ideias no papel durante séculos. E, se quiser descobrir coisas, está tudo ali. Então os livros riram por último."

Verdade verdadeira! Boa leitura e muito cuidado com os canibais que residem na biblioteca do Mundo Novo!

Mini-Opiniões: Eu Te Vejo - Irene Cao

Mini-Opiniões é uma coluna original do blog português Estante de Livros, adaptada aqui para o blog.

Já fui muito fã de livros eróticos. Entretanto, achei que esses novos livros estão se tornando repetitivos e os protagonistas se parecem mais com coelhos em época de reprodução do que seres humanos normais. Eu poderia dizer que os autores têm criado verdadeiros ninfomaníacos, mas as definições não se encaixam muito bem, então... Ficou mais bacana chamá-los de coelhos. Hehehe

Eu Te Vejo é bem rápido, narrado em primeira pessoa e tem diálogos bem interessantes. Helena é madura, não tem ataques agudos de adolescentes e ainda não tinha vivido uma grande história de amor. Ela tem 29 anos, mora em Veneza e trabalha com restauração. Ela então conhece Leonardo, que é um famoso chef (huuummm, que sexy) e que vai morar justamente no local em que ela está trabalhando. É óbvio que os dois vão se envolver sexualmente, mas para viver essa aventura ardente, Helena nunca deverá se apaixonar por ele. Humrum... sei! Daí já podemos concluir o resultado, hum? Pegação geral. Hahahaha

Este é o primeiro livro da trilogia (que poderiam ser um volume único) e, de maneira geral, é bacaninha. Não é um gênero que tenho como prioridade de leitura, mas de vez em quando, para mudar de ares, é legal. Se você curte livros adultos, não pode deixar de ler este. É de leitura fácil e rápida e ambientado num lugar maravilhoso.

Quilômetros de saudade - Angélica Pina

Essa resenha era para ter saído ainda em janeiro, porque acho que esse livro tem a cara das férias - e isso graças à bela narrativa que é envolvente desde o início, onde as personagens realmente estão de férias. Mas eu simplesmente não conseguia escrever sobre ele. E pior: quando consegui, escrevi direto no editor do blog e (adivinha?) não salvou, perdi a resenha inteira e fiquei longe do computador por algumas semanas (oi, blog abandonado!). Fiz a leitura em poucas horas e eu queria sair falando para todo mundo que procura leituras de um dia: oi, leiam esse livro! Mas aí vem a parte que eu preciso dar motivos para vocês fazerem isso e eu simplesmente travei. Posso só falar que é maravilhoso? Vocês acreditam em mim?

Daniela está de férias em Natal com suas amigas, mas sua cabeça está bem longe: ainda em Belo Horizonte, onde seu namorado (Jorge) está. Eles namoram há pouco tempo, mas ela o acha o cara mais perfeito da face da Terra ("Parece ter saído de um dos livros com mocinhos perfeitos que eu adoro ler"). Bem, convenhamos que a ideia de mocinho perfeito já não convence mais, né? Então, obviamente o cara não é tudo isso. Mas ela acha e, com isso, deixa de aproveitar muito da viagem. Em uma pequena brecha, ela conhece Fernando, que mora em Natal, e seus primos que também estão passando as férias por lá. De volta à terra do pão de queijo, ela encara sua rotina, começa a se corresponder com Fernando e eles acabam se tornando amigos. E, bem, a vida acaba por pregar algumas peças nela e a coloca em um caminho totalmente diferente do que ela esperava.

"Confesso que às vezes sinto medo de que essa fase tão boa que estamos vivendo acabe. Eu mesma costumo dizer que tudo que é bom dura pouco. Por outro lado, penso em casais que passam uma vida inteira apaixonados e torço com todo meu coração para que seja nosso caso."

O livro é bem pequeno e eu acho bem arriscado falar alguma coisa da sinopse, porque parte do  meu encantamento veio com a surpresa - eu não curto mesmo ler sinopses e, quando o faço, esqueço rapidamente. Foi o que aconteceu aqui. Quando iniciei a leitura, ainda estava com a "primeira impressão" causada pela capa: um drama mais adulto e sério. Mas aí vem a primeira página cheia de calor de Natal, amigas de férias, uma atmosfera bem jovial e colorida. Essa foi só a primeira surpresa. Outra coisa que acabou me surpreendendo foi a sinceridade em narrar um envolvimento real, sem pretensões de amor à primeira vista, sem nenhuma dica de que algo poderia acontecer - Daniela estava em um momento de "só tenho olhos para o meu namorado" e não deu pistas do que poderia acontecer em seguida. Além disso, a honestidade ao narrar as expectativas serem desfeitas em um momento específico - um encontro - me trouxe a identificação, porque eu sei como aquilo é real e acontece o tempo todo.

Posso dizer que Angélica Pina aproveitou todas as páginas para deixar registrado seu talento de escritora e autora - a escrita é fluída e envolvente, muito bem desenvolvida e deixa o leitor confortável para prosseguir com a leitura. Não sei explicar direito, mas é aquele livro que você lê algumas páginas e pensa "nossa, ela escreve bem", sabe? Em sua estreia, ela já conquistou uma leitora assídua: eu. Pode escrever mais livros, romances ou não, estarei aqui lendo e me deliciando com as palavras. Gosto de livros bem aproveitados, onde eu passo por "uma vida inteira" num intervalo curto de tempo - sério, é leitura de três ou quatro horas. Mas, não, o livro não é em momento algum corrido ou superficial, ele é bem objetivo. E muito fofo, devo acrescentar.

Quilômetros de saudade apresenta seu enredo, tem o desenvolvimento e encerra um ciclo, mas não vou negar que adoraria uma continuação - apesar de não ter pontas soltas, os personagens podem render muitos outros dramas para dar continuidade ao romance. Claro que essa opinião é altamente afetada pelo meu apego - adoraria ter mais histórias com todos eles (as amigas da Dani renderiam bastante e eu aceitaria até uma história para o Jorge - para se redimir ou para se ferrar de verdade MUHAHAHAHA).