Marcados - Caragh M. O'Brien

Essa resenha foi bem complicada de desenvolver, tal como a leitura do livro. Marcados é ambientado num futuro árido e hostil, limitado entre as muralhas do Enclave e as terras de Wharfton. Gaia Stone é uma jovem de dezesseis anos, residente do Setor Oeste 3 e que tem se dedicado a aprender o ofício da mãe, que é parteira e encarregada pelos nascimentos do setor. A vida no interior da muralha é próspera e bastante promissora, ao contrário da vida fora delas. Com muito custo, mas com determinação, a mãe de Gaia cumpre seu dever de entregar ao Enclave sua cota de bebês, que consiste nos três primeiros nascimentos do mês.

A criança precisa ser entregue independentemente de qual seja o número de gestação da mãe, ou seja, pode ou não ser o primeiro filho, desde que esteja dentro do requisito (ser um dos três bebês nascidos no mês). O não cumprimento do trabalho resulta em prisão e julgamento, razão pela qual mãe e filha jamais questionaram o porquê da entrega das crianças, acreditando apenas que servir ao Enclave já é suficiente, pois a recompensa pelo serviço prestado é indispensável para sobrevivência fora da muralha.

Entretanto, o desaparecimento repentino de seus pais faz com que Gaia comece a questionar o governo, até que finalmente ela descobre que eles foram presos. Ela não faz a mínima ideia do motivo e parte para a árdua missão de resgatar seus pais e descobrir o verdadeiro motivo pelo qual foram levados pelo Enclave. A única pista que Gaia tem, é uma fita de tecido repleta de símbolos sem sentido, mas que ela desconfia ser um código que esconde um grande segredo e que pode comprometer toda sua família.

A premissa é muito boa, minha avaliação final acabou sendo quatro estrelas, mas com algumas ressalvas. A narrativa inicial da autora é um tanto arrastada e cansativa, de modo que pensei diversas vezes em abandonar a leitura. Outro fator que não contribuiu para que não houvesse uma empatia inicial com a história foi o diálogo com aspas (“”). E eu me pergunto por que raios esses editores não enfiam um travessão no texto já que, obviamente, estamos no Brasil. Hello! Esse tipo de apresentação é confuso, você não consegue identificar de imediato quem é o locutor, pois eles se perdem num bloco de texto enorme e você acaba voltando algumas linhas/parágrafos para entender melhor ou até mesmo lembrar quem tá dizendo o quê.

Eu não costumo ler livros com essa diagramação porque, sinceramente, não tenho tempo sobrando. Uma leitura que poderia ter sido feita de dois a três dias, acabou levando mais de uma semana. É desnecessário e cansativo. A parte boa é que, apesar desses pontos bem negativos, a autora conseguiu engatar a quarta marcha e acelerar. De repente, o livro começa a ganhar ritmo e vai se desenrolando de uma forma sensacional e, de coração, não tem sensação melhor do que aquela de “ainda bem que não abandonei o livro”. Ufa! O uso dos símbolos, o meio de decifrá-los... foi simplesmente genial. O mais bacana é que a autora colocou os símbolos dentro do livro, pra que o leitor possa, junto com a personagem, tentar desvendar a mensagem que eles escondem.

O suspense gira em torno desses símbolos e das entregas dos bebês. Por que razão o governo exige as cotas? Por que Gaia e sua família são uma ameaça? Quem são os Marcados? Além de Gaia, tem outra personagem que surpreende bastante, mas não vou revelar seu nome, porque aí vou abrir janelas para especulações e o melhor é descobrir sozinho sobre essa pessoa. Eu fiquei bem surpresa com o rumo que as coisas tomaram e de modo positivo. E dolorido no fim. E o final... É daqueles que você precisa ter o segundo livro em mãos, sabe?

Infelizmente não achei nada sobre o lançamento do segundo livro. Ah, sim, é uma trilogia. Hahaha. Então... Pesquisei e encontrei o título do segundo volume e, ao que tudo indica, nem o terceiro saiu lá pelos EUA. Também achei um conto, que deve ser lido após a leitura do primeiro livro e antes do segundo. Ou seja, é um conto 1.5. Também não sei nada sobre a Editora Gutenberg publicá-lo. Eu recomendo a leitura para os fãs de distopia, mas aconselho ter paciência. Quem sabe pra você dê certo desde o início, né?

Até a próxima e entregue sua cota.
Comentários
1 Comentários

1 comentários:

  1. de verdade não é um enredo que tenha elementos que prendam minha atenção
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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