Mundo Novo - Chris Weitz

Imagine viver num mundo onde não há energia elétrica, água potável, comida escassa, casas, prédios, estabelecimentos comerciais, lanchonetes, carros... Tudo completamente abandonado. E pior: nenhum adulto, idoso, e muito menos crianças. Este é o Mundo Novo. Habitado única e exclusivamente por sobreviventes do Ocorrido: a disseminação de um vírus mortal que dizimou todos os humanos do planeta.

Exceto os adolescentes, pois apenas seus hormônios da puberdade serviam de escudo, mas conforme se aproximavam do fim da adolescência, o vírus os enfraquecia e finalmente agia no organismo até a morte desses indivíduos. Para sobreviver os poucos anos que ainda lhes restavam, esses jovens se reuniam em tribos e foi assim que Jeff e Donna, nossos protagonistas, se tornaram membros da tribo da Washington Square.

Amigos desde a infância, eles viveram desde o fim do Ocorrido sob a liderança de Wash, irmão mais velho de Jeff e que já apresentava os sintomas da infecção. Logo, Jeff assumiria o comando. Após a morte do irmão, ele decide que precisa encontrar respostas e, lá no fundo, a esperança da cura. E assim, a estranha versão da Sociedade do Anel composta por Jeff (o nobre cavalheiro filósofo nerd), Donna (a garota bad ass poderosa e ligeiramente desequilibrada), Crânio (o nerd tecnológico gênio do crime), Peter (o homossexual cristão viciado em adrenalina) e Minifu (a Jedi tão baixota quanto o Obi-Wan), parte rumo aos lugares mais “remotos” da ilha de Manhatan em busca da única informação disponível: o artigo de uma renomada revista de virologia.

Ambientado em um cenário pós apocalíptico, Mundo Novo tem um enredo completamente viciante e um texto rico e fluido. É narrado em primeira pessoa por Donna e Jeff alternadamente e, é essa diferença de ponto de vista que deixa tudo ainda mais interessante. Enquanto Jeff mantém seu tom formal, Donna é o dobro do oposto (se é que isso existe hahaha). A escrita de Weitz é envolvente, convidativa e leve. Daquelas que, apesar da quantidade de informação, se desenrola facilmente e só mais um capítulo não basta.

É ler de uma vez só e roer as unhas à espera do próximo livro da trilogia. Há uma certa tensão no ar, por conta de sentimentos não declarados, do clima nada favorável ao bom humor (quem riria do vento se estivesse passando fome?), mas que mesmo assim está presente e o suspense que paira sobre suas cabeças quanto a existência ou não do misterioso Velho, um possível – e único – adulto sobrevivente do colapso mundial.

Umas das razões pela qual também me encantei pelo livro, é que o autor (por ser roteirista de filmes que têm como alvo um público nem muito novo e nem muito velho, vide Lua Nova) insere muitos aspectos da realidade, como por exemplo, fazer piadas citando Tolkien, A Guerra dos Tronos, o Twitter, o Iphone, um restaurante McDonald’s ou a Nicki Minaj, fazendo com que a atmosfera do livro pareça mais palpável e crível. Outro exemplo: Se o Ebola tivesse tomado proporções gigantescas e erradicasse a população mundial e SE houvessem pessoas inumes... O que lemos no livro não seria tão ficção assim, hum? Afinal de contas, há rumores de que esse vírus foi “espalhado” estrategicamente. WHO KNOWS?

"(...) Portanto, há algumas coisas que me chateiam em relação aos meus pais. O fato de terem escolhido meu nome por causa da Madonna – não a mãe de Jesus, mas a cantora. Cara. Mas vou mudar isso? Não. Todo mundo está mudando de nome. Por que não, afinal? É tipo, “Oi, meu nome é Katnis"s, “Sou a Tryoncé”. Esquece. Vou ficar com o meu (Ma) Donna."

Dei boas gargalhadas. Mal posso esperar pelo segundo livro. Aliás, vi Mundo Novo na lista de Futuros Lançamentos da Editora Seguinte lá pelo mês de março/abril e esperei – ansiosamente – pelo lançamento em setembro/outubro. Fico MUITO feliz em dizer que SUPER recomendo esta leitura e, se ela já estava na sua lista, saiba que você não vai se arrepender. Inclusive, separei outra quote super bacana. Para refletir:

"O engraçado é que as pessoas pensavam que os livros eram tão inúteis, tipo, que o Kindle e tudo mais iam acabar com eles. E agora que penso nisso, a ideia de acabar com os supostos livros antiquados é meio babaca. Depois do Ocorrido, toda essa coisa de tecnologia é totalmente inútil sem eletricidade. As atualizações de status, os tuítes e os posts nos blogs foram apagados, ou ficaram presos seja lá o que for, quando os servidores caíram. De certa forma, nunca realmente existiram – não no espaço real. Mas livros... livros são acessíveis. Você pode manter as ideias no papel durante séculos. E, se quiser descobrir coisas, está tudo ali. Então os livros riram por último."

Verdade verdadeira! Boa leitura e muito cuidado com os canibais que residem na biblioteca do Mundo Novo!
Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. realmente não me atrai, o enredo não tem aquele ar de que irá me prender.
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Interessante! Boa resenha!

    http://hypeliterario.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir

Deixe sua opinão ;)

Comentários ofensivos serão excluídos.
Caso tenha um blog, deixe o link no final do comentário.